PALAVRÃO VELOZ…

           “Deutsche Tourenwagen Meisterschaft”. Infelizmente a língua de Göethe, Beethoven e Schumacher não é das mais fáceis, mas os três palavrões intimidadores formam a sigla de um dos mais interessantes campeonatos do automobilismo mundial. Como já é mais do que tradição, Hockenheim abre, domingo, diante de um público que sempre supera os 100 mil espectadores, mais uma temporada do DTM, a prova de que “apenas” 18 carros e duas montadoras representadas podem gerar um espetáculo impressionante. O DTM consegue, em sua versão atual, reunir vários elementos que ainda faltam à nossa Stock Car, de quem é parente relativamente próxima – os carros verde e amarelos se inspiraram nos modelos que aceleram na Europa, ainda que com coração V8 “Made in USA”.        O campeonato vive uma segunda juventude depois de ter sucumbido à escalada de custos e à tentativa de se internacionalizar – sem saber, eu acompanhei in loco, em Interlagos, a penúltima corrida da primeira fase, encerrada em 1996, quando a série ganhou nova sigla (ITR) e se transformou em mais um mundial com a chancela da FIA. Não é exagero afirmar que máquinas como os Opel Calibra 4×4, Alfa Romeo 155V6 e Mercedes Classe C eram as mais desenvolvidas tecnologicamente da época (F-1 incluída).        Foram três anos de repouso até que, sob impulso de Mercedes, Audi e Opel (que deixou o DTM mais tarde), o campeonato ganhasse uma reencarnação, agora com regras bem mais modestas e limitações nos custos. O desenvolvimento dos carros é vigiado e restrito e os dirigentes das duas marcas trocam figurinhas constantemente para impedir nova escalada nos custos. Além disso, contam com patrocinadores de peso e conseguem reunir, no mesmo grid, novatos de talento, como Paul di Resta (reserva da Force India), Jamie Green e Oliver Jarvis, nomes que fizeram carreira nos carros de turismo, como Matthias Ekstrom, Martin Tomczyk, Bruno Spengler, Alexandre Premat e Timo Scheider (atual campeão); e veteranos de respeito, como Ralf Schumacher, Markus Winkelhock e David Coulthard, que ainda têm muita lenha para queimar. E não se limita às pistas alemãs. Valência (Espanha), Zandvoort (Holanda), Brands Hatch (Inglaterra) também estão no calendário, e Xangai pode receber a corrida decisiva. Tem até torcida organizada para pilotos e equipes e cada prova é uma grande festa, com shows de grupos musicais conhecidos por lá e várias categorias no programa (Porsche Cup, F-3 Euro Series, Seat Leon Supercopa).        Não por acaso a BMW, que se ultimamente se mostrava desinteressada pelo desafio, já estuda a possibilidade de retornar em 2011. Alemães são frios, desinteressados e acham que automobilismo se restringe a Schumi e Vettel? Esqueça. O DTM é a melhor prova do contrário…        

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s