ELE NÃO DESISTE

    Os leitores habituais deste espaço (felizmente os quatro fiéis do início se transformaram em bem mais) devem se lembrar da epopeia da Stefan GP, a fantasmagórica equipe surgida do sonho do desconhecido Zoran Stefanovic. O empresário sérvio, reza a lenda, teria feito fortuna com a fabricação de armas e equipamentos de segurança – quando o assunto são os personagens vindos da ex-cortina de ferro é bom sempre ter um pé atrás. E, quando as portas do circo já pareciam fechadas, surgiu com um acordo para herdar o espólio da Toyota – carro projetado para 2010 e os V8 japoneses, na esperança de que algum dos times ungidos pela FIA com o direito de estrear na categoria não tivesse sucesso na empreitada. Até ocorreu com a USF1, mas a entidade máxima do automobilismo mundial manteve-se inflexível.      Quando parecia que o sonho de uma noite de verão terminaria para sempre – Stefanovic chegou a afirmar que só não mandou o carro à pista porque a Bridgestone não quis fornecer pneus, uma desculpa das mais esfarrapadas, a Stefan GP voltou a ganhar destaque. Enquanto times mais tradicionais como Lola e Prodrive (Aston Martin, de David Richards) preferiram jogar a toalha, à espera da mudança no regulamento que promete trazer de volta os motores turbo, os sérvios reapresentaram a candidatura. E não querem ficar só nisso. Prometem construir, em até dois anos, um circuito internacional pronto para receber a F-1 que, a esta altura, terá umas 25 etapas, tamanha a quantidade de gente que quer o espetáculo (Índia, Rússia, Portugal, Indianápolis pode retornar…)      Se vai dar certo? Bom, a equipe, surgida do nada (mas até aí nada demais, já que a Hispania começou como Campos e terminou como um catado de última hora de profissionais das mais variadas origens, e nem sede havia), tem site na internet, logomarca e seu fundador goza de alguma credibilidade. Só que era a mesma coisa na USF1. Aliás, havia comunidades no twitter, no Facebook e até animações em que os próprios Peter Windsor e Ken Anderson, que quiseram voltar a brincar de F-1, ironizavam a própria situação. “Conseguimos nosso primeiro patrocínio”, dizia um dos bonecos. “De uma grande companhia aérea, uma cadeia internacional de lanchonetes?”, queria saber o outro. “Não, da padaria aqui ao lado, que vai nos fornecer sanduíches até o fim da temporada”, arrematava o que começou a conversa. E deu no que deu. Por essas e outras, embora Stefanovic não desista, só vendo o carro na pista para acreditar.

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