MAIS UMA DO PROFESSOR PARDAL…

 Felizmente a história do automobilismo brasileiro é repleta de personagens folclóricos, capazes de, com muita competência e uma boa dose de romantismo, compensar a falta de estrutura e oferecer respostas interessantes a desafios como os de criar carros e categorias competitivas sem que pilotos e equipes sejam obrigados a gastar fortunas. Podia gastar inúmeros posts falando nessa gente, e é algo que vou fazer, podem esperar, mas a conversa é sobre um cearense que, ainda bem, não para de ter ideias criativas. Refiro-me ao engenheiro Pedro Virgínio que, no começo da década, resolveu desenhar um chassi tubular movido por um motor VW, com a roupa de protótipo e um visual caprichado. Estava lançado o Proton, cujo campeonato se limitava inicialmente ao Autódromo do Eusébio, em Fortaleza. Só que… o nome é o mesmo da montadora malaia dona da Lotus, e a entrada de Nelson Piquet na história fez com que o carro ganhasse motor BMW e passasse a se chamar Espron (Esporte-protótipo nacional). O Espron teve seus dias de glória, alguns ainda aceleram em campeonatos pelo país, a fórmula acabou inspirando o Aldee Spyder, mas esta é outra história.

Virgínio resolveu então criar um carro de turismo, igualmente tubular, com formas simpáticas (taí a foto que não me deixa mentir…) e deu origem ao campeonato de Superturismo, lançado em 2008. A temporada vai começar no próximo fim de semana, mais uma vez na pista cearense, com 26 pilotos confirmados de todo o Nordeste e direito a transmissão ao vivo pela Band local. Em vez de reclamar da concentração das provas no Sudeste, ele e seus apoiadores arregaçaram as mangas e estão próximos de dar mais um bom exemplo. Que tal termos um Campeonato Brasileiro? Lugar tem de sobra…

COMENDO PELAS BEIRADAS

Na Turquia como em Indianápolis não venceu o melhor, nem o mais rápido, mas quem soube aproveitar as oportunidades. Como não se cansava de dizer o gênio Juan Manuel Fangio, corridas terminam na bandeirada e, se em Istambul. o que se viu foi um imbroglio interno – se é verdade que Mark Webber foi orientado pelo engenheiro a economizar combustível, um motivo a menos para Sebastian Vettel tentar uma manobra suicida, a 17 voltas da bandeirada – no oval da capital de Indiana a história das 500 Milhas voltou a ser escrita por linhas nem sempre retas.   Não faltaram marcas nos muros que cercam a pista – felizmente, apesar das cenas por vezes impressionantes – e os sonhos dos brasileiros ficaram, na sua maioria, pelo caminho. O de Bruno Junqueira foi rápido como todo o processo que levou à sua classificação, com apenas sete voltas. O de Rafa Matos esbarrou no trabalho dos boxes, mesmo motivo para que Hélio Castroneves, de quem se esperava a quarta vitória, perdesse terreno. Como é normal em Indianápolis, se o vencedor (Dario Franchitti) foi merecido, não faltaram performances surpreendentes de quem largou do fundo do pelotão, como o segundo colocado Dan Wheldon e o terceiro Alex Lloyd.   Voltando ao GP turco, recomendo a Sebastian Vettel que dê um jeito de conseguir o VT da corrida e acompanhe o que fizeram o vencedor Lewis Hamilton e Jenson Button no espaço de uma volta, com a pista escorregadia em alguns trechos. Companheiros de equipe podem duelar sim, e depois ter bons motivos para se orgulhar da briga. O alemão da Red Bull ainda tem 12 corridas para descobrir que o Mundial não se ganha numa curva caso não queira dar uma de Hamilton’2007. Sobre a Ferrari, é preocupante ver os carros vermelhos sem conseguir superar Rober Kubica e a ponto de Fernando Alonso tentar compensar, no braço, o que falta no equipamento. Comprometeu mais uma corrida, como quase fez em Mônaco e já não representa aquela imensa ameaça ao futuro de Felipe Massa. Na dele, o brasileiro tem feito o que pode e não é sem motivo que é um dos únicos, ao lado de Webber, a pontuar em todos os GPs. Milagres, até onde eu saiba, nem ele nem o asturiano têm condições de fazer. Para se aproveitar dos erros dos outros, é preciso estar no lugar certo na hora certa. Hamilton e Button, de um lado, e Dario Franchitti, do outro, entenderam isso, e, comendo pelas beiradas, terminaram o domingo com motivos para comemorar…

NAS ONDAS DA TV…

A agendinha do blog avisa: fim de semana cheio de emoção e velocidade na tela. Sábado tem treino oficial para o GP da Turquia, às 8h, na Globo – será que a McLaren está realmente de volta a seu habitat ou a Red Bull escondeu o jogo? Corrida domingo, às 9h.

Äs 14h, largada para mais uma edição das 500 Milhas de Indianápolis, transmitidas pela Band. Na mesma hora, na Rede TV, a terceira corrida da etapa de Caruaru da F-3 Sul-americana. O Sportv2 transmite, às 20h, um programa sobre a primeira etapa do Racing Festival (F-Future e Troféu Linea).

POR FORA BELA VIOLA…

Primeiro a parte boa: segunda etapa do Sul-Americano de F-3, em Caruaru e mais um estrangeiro se juntou à lista, que já contava com o angolano Duarte Pereira. O colombiano Francisco Díaz vai acelerar na classe Light – larga em terceiro (nono no geral), superado pelo pole Ronaldo Freitas e pelo vencedor em dose tripla de Brasília, o mineiro Fernando Resende Filho, o Kid.

Agora, a parte não tão boa – aliás, bastante preocupante. O fim de semana em Jacarepaguá é de estreia do Racing Festival, o evento criado por Felipe Massa com beneplácito e apoio da Fiat. Se o Troféu Linea conta com um grid de 18 carros, que tende a aumentar até o fim do ano (foi assim também na década de 1990, com a F-Uno), apenas 10 se apresentaram para a F-Futuro, a categoria de monopostos que oferece ao campeão vaga no programa de detecção de jovens talentos da Ferrari – com um orçamento estimado em R$ 200 mil. Dois deles, comenta-se, (Roberto Curia e Francisco Alfaya) tiveram a participação bancada pela Fiat argentina. Enquanto isso, inúmeros kartistas de potencial não conseguem reunir patrocínio suficiente para acelerar num campeonato com ampla cobertura de mídia, nomes fortes na organização e um padrinho que dispensa apresentações. Tem alguma coisa errada…

NUA E DESEJADA…

Calma, o blog não mudou de assunto, nem está proibido para menores. Quem está nua e é mais do que desejada é essa máquina acima – não se trata de metáfora, é máquina mesmo. Depois de muito se falar, da história da fantasmagórica Stefan GP, que alegava ter em mãos os dois carros desenhados pela Toyota antes de o colosso japonês anunciar seu adeus da F-1 (e, ao que parece, só não ficou com eles por falta de acordo), eis que finalmente aparece o carro projetado como TF110. Bastante diferente do antecessor e que, quem sabe, poderia representar o salto do time nipônico para o estrelato caso tivesse a chance de ganhar o asfalto.

Poderia ter se transformado ainda em peça de museu (segundo indiscrições, um dos exemplares foi danificado ao bater num dos muros da sede de Colônia, sei lá como…), não tivesse aguçado os olhos de muitos. A Hispania parecia ter nas mãos uma parceria de sucesso ao delegar a Dallara a tarefa de produzir seu carro. Preferiu desfazer a dobradinha, e cresce os olhos para esse carro. A Durango, time italiano de que já tive oportunidade de falar (simpático, mas sem a menor condição de fazer algo decente, ao menos com a estrutura atual), também namora o objeto de desejo da foto. E a Stefan GP não teria desistido do sonho de alinhá-la. Que seria um tremendo desperdício ver um objeto de precisão bem feito (tudo indica…) virar parte do folclore da F-1, com certeza. Mas, se é para ser usada, que seja bem…

F-FUTURO?

O leitor Diego Duarte pediu e, com algum atraso (reconheço), eu atendo: ele queria um comentário sobre o Racing Festival, a competição criada por Felipe Massa em parceria com a Fiat e com organização nas mãos da RM Racing, do ex-piloto de enduro e fera na matéria Carlinhos Romagnoli. O momento é mais do que adequado para falar do evento, já que o fim de semana marca o início dos três campeonatos: F-Future (monoposto), Trofeo Linea e Copa Hornet 600cc (motos), no Rio.

Sem dúvida uma iniciativa louvável para dar uma chacoalhada no automobilismo de pista brasileiro (e as motos pegam uma bela carona), já que estar limitado ao que cerca a Stock Car era pouco para a nossa tradição e a qualidade (e quantidade) dos pilotos. Ideias como a de incluir o campeão da Future no programa de jovens talentos da Ferrari, oferecer premiação em dinheiro e contar com ampla cobertura de TV são fundamentais. E o suporte de um nome como o do piloto verde e amarelo em maior evidência no cenário internacional não é pouca coisa.

O problema é que…a coisa não começou como deveria. A montagem dos carros, tanto os fórmula quanto os Linea, se protelou por uma eternidade e apenas há poucos dias as equipes tiveram contato com as máquinas. Tempo para fazer testes e tornar o equipamento confiável? Esqueça. O release da equipe de Andreas Mattheis (uma das mais profissionais do país), que fará correr os irmãos Cacá e Popó Bueno, diz que todos foram obrigados a trabalhar praticamente 24h por dia nas últimas semanas para estar tudo pronto. E, pasmem, faltando cinco dias para as primeiras corridas, foi divulgado o regulamento esportivo, prevendo que os oito primeiros lugares de cada corrida serão invertidos para formar o grid da segunda.

No caso dos Linea, como se trata de motores turbo, a tendência é de que as primeiras etapas sejam marcadas por um elevado número de quebras, apesar de todo o cuidado. Tanto assim que, também aos 45min do segundo tempo, foi incluído o descarte dos dois piores resultados. Nos bastidores, quando só deveria haver certezas, ainda restam muitas dúvidas. Até que as coisas se estabilizem, leva tempo, e é uma pena que campeonatos com tantas feras reunidas comecem de forma tão atabalhoada. Nenhuma novidade: foi assim nos tempos da F-Uno e da F-Palio, parece que a montadora de Betim, que aprendeu a ser líder no mercado brasileiro, ainda não aprendeu a fazer as coisas direito nas pistas. Tomara que consiga a tempo…

CASO DE AMOR ARRANJADO…

 A relação entre o Mundial de F-1 e os Estados Unidos nunca foi das mais estáveis. De início, as 500 Milhas de Indianápolis somavam pontos para o campeonato, mas poucos foram os que tentaram deixar o conforto da Europa para enfrentar os especialistas no oval. Depois vieram Sebring, Riverside, Watkins Glen, Long Beach, Las Vegas, Detroit (e seu inesquecível circuito de rua, que Ayrton Senna ajudou a eternizar), Dallas, Phoenix e, de volta para Indianápolis para o misto inaugurado em 2000, que reuniu até bons públicos, foi palco da marmelada das marmeladas em 2005 (o episódio da fuga inevitável da Michelin, com apenas seis carros largando), mas saiu do calendário depois que Tony George, então representante da família dona das instalações e Bernie Ecclestone entraram numa briga de cachorro grande, sem acordo.

Pilotos houve vários marcantes, dois deles campeões do mundo (Phil Hill e Mario Andretti), equipes do país da bandeira estrelada mas… o sonho de concorrer com a Nascar, o beisebol, o futebol americano, a NBA e o hóquei profissional no interesse do torcedor nunca se concretizou (e nunca vai, a bem da verdade). A farsa em que se transformou o projeto da USF1 apenas ajudou a piorar as coisas, muito embora boa parte das montadoras envolvidas na categoria tenha grande interesse no mercado norte-americano.

Agora, em questão de dias, a terra do Tio Sam se vê ligada à F-1 em duas notícias diferentes. O Tio Bernie garante ter fechado um acordo para levar a categoria a um circuito digno do que há de mais moderno no planeta – difícil acreditar considerando a cultura yankee, em que normalmente nem boxes há e as equipes montam suas tendas à beira do pitlane – em Austin, no Texas. Terra do ciclista Lance Armstrong, mas de pouco apelo para o torcedor “normal”. Em Indianápolis ainda há a magia do local, o museu e tudo o que gravita em torno da velocidade – para se ter uma ideia, o subúrbio onde está o oval ganhou o nome de Speedway. Dallas, Phoenix e Las Vegas, todos no meio oeste, foram fracassos retumbantes.

E, para completar, um tal assessor do fundador do You Tube, de nome Parris Mullins, diz estar à frente de um novo grupo disposto a criar a tão esperada equipe dos EUA.Chad Hurley, que fez fortuna ao criar o site em que qualquer internauta do planeta pode postar (e assistir) o vídeo que bem entender, era um dos incentivadores do projeto da USF1 e nem seu nome ajudou a tirar o projeto do estágio de sonho. Agora surge até o presidente da Ferrari, Luca di Montezemolo dizendo que adoraria fornecer motores à nova escuderia, repetindo a dobradinha da década de 1950, quando os carros alinhados pelo importador norte-americano, Luigi Chinetti (e sua lendária Scuderia NART) desafiavam as máquinas oficiais de Maranello. Se vai dar certo uma iniciativa como a outra? Só vendo para crer. O nome de Mr.Ecclestone costuma ser sinônimo de coisa bem feita, mas ele próprio já prometeu muita coisa sem cumprir. Respostas nos próximos meses. Se os EUA vivem sem a F-1, pelo visto a F-1 não vive sem os EUA.

MARTELO BATIDO?

 O site Italiaracing antecipou, e por se tratar de fonte confiável, que dificilmente erra, eu reproduzo a informação. Tudo indica que a Pirelli vai equipar os carros da F-1 a partir de 2011. A fábrica de Milão se fez de desentendida, entrou por último na guerra para suceder a Bridgestone (falava em interesse apenas para 2012) e foi escolhida pela FIA, a exemplo do que já havia ocorrido no Mundial de Rally. Pelo visto nem mesmo o aceno dos japoneses, que sugeriram voltar atrás na decisão estratégica, pesou. E a marca do escorpião vai conseguir o que queria, atendendo o desejo das equipes. Nada de rodas aro 18, de concorrência, ou de mudanças radicais. As condições do acordo devem ser reveladas em Istambul, durante a programação do GP da Turquia. Mas alguém duvida da competência dos italianos? Não deixa de ser um duro golpe na concorrência.

ELE CONSEGUIU

 O mês era março, e a notícia melhor que a encomenda: depois de comer o pão que o diabo amassou na qualificação para as 500 Milhas de Indianápolis de 2009 – para refrescar a memória, ele só foi à pista no último dia de treinos, completou 12 voltas, se classificou e perdeu a vaga para o companheiro de equipe – Bruno Junqueira estaria de volta, dessa vez com perspectivas menos assustadoras. Ironia do destino, a equipe criada para Alex Tagliani, o mesmo que tomou seu lugar na edição passada, viu no brasileiro o nome ideal para acelerar seu segundo carro no templo da velocidade.   Mas, parece que as coisas decidiram não ser fáceis para o mineiro. Depois de um quinto lugar na estreia e da pole em 2002, ele sofreu em 2006 seu mais grave acidente. Voltou à pista pela Dale Coyne, em 2008, mas viu sua prova estragada pela… falta do espelho retrovisor, coisa de time minúsculo. Ano passado eu já contei. E o que deveria ser simples quase se transformou em pesadelo novamente. Nada do dinheiro do patrocinador prometido, nada de pista, e o grid cada vez mais distante. Aos 45 do segundo tempo, a dobradinha entre o Banco Rural e a canadense B & W, que apoia Tagliani, permtiu entrar na pista, de novo no último dia, na bacia das almas. Desta vez foram apenas três voltas, o câmbio ainda quebrou mas, como diz o ditado, o que é do homem o bicho não come. Os deuses da velocidade determinaram que Bruno se classificaria, ele foi o mais rápido do domingo e, se tivesse participado do pole day, teria condições de largar nas três primeiras filas.   Para quem passou pelo que passou, melhor não pensar no “se”. E comemorar a chance de ter feito tanto com tão pouco – tempo, estrutura, dinheiro – mostrando que adaptação não é problema – ou alguém acha que é fácil fazer quatro voltas com média de 363 km/h (coisa de Boeing decolando), depois de poucas e boas, e tendo saído da “lentidão” de um F-Truck? Nem tenho como discordar de Brian Lisles, gerente da Newman-Haas, que disse que “Bruno tem uma cultura técnica em Indianápolis que só vi em um piloto”… um  tal de Mario Andretti. Ao que eu acrescento uma grande dose de talento e garra…  

TEM GENTE QUE NÃO SE EMENDA…

 Tudo parecia caminhar às mil maravilhas para Flavio Briatore. O ex homem forte da Renault, inicialmente banido da F-1 pela FIA, mas reabilitado pela Justiça francesa – para refrescar a memória, um processo aberto pela Federação depois de denúncias de Nelsinho Piquet comprovou que o acidente do brasileiro no GP de Cingapura de 2008 foi cuidadosamente planejado pela equipe para favorecer Fernando Alonso, que acabaria vencendo. A tramóia manchou a reputação da categoria e mostrou, se é que ainda havia dúvidas, a que ponto os interesses podem chegar no circo.

Mas, voltando à vaca fria, foi só entrar em acordo com Jean Todt, novo soberano do esporte motor sobre quatro rodas para que o fanfarrão italiano voltasse a dar as caras. Deu entrevista à revista italiana Auto Sprint dizendo que ainda empresaria Fernando Alonso e Mark Webber, disse que não apostaria um euro na volta bem sucedida de Michael Schumacher (que a seu lado conquistou os dois primeiros títulos), apareceu em Mônaco com pompa e circunstância.

Tudo muito bem até que… a Justiça italiana decretasse o sequestro, no porto de La Spezia, do megaiate Force Blue, um transatlântico em miniatura de 62 metros de comprimento que o italiano transformou em palco das mais animadas festas do GP de Mônaco ao longo dos anos (e também das reuniões da Associação das Escuderias da F-1, a FOTA). O motivo? Segundo os magistrados responsáveis pelo caso, a nave pertence a uma empresa de charters sediada fora da União Europeia e, por isso, para atracar em qualquer cidade do continente, seria necessário pagar um montante de taxas e impostos estimado em 4 milhões de euros (cerca de R$ 10 milhões), além de 800 mil euros devidos de impostos sobre o diesel abastecido. Valores que nem a tal empresa nem Briatore pagaram. E o pior é que a mulher do ex-dirigente, Elisabetta Gregoraci, e o filho Nathan Falco estavam à bordo quando as autoridades chegaram. Tem gente que não se emenda mesmo…