ATENÇÃO… 2011 VAI LARGAR…

A vida da gente lembra bastante um GP de Fórmula 1. Mal recebemos a bandeirada e já estamos com a cabeça nos próximos desafios, nos preparando para o que vem pela frente, calendário cheio e menos tempo para descanso do que gostaríamos. Pois a volta por esse autódromo impressionante de 365 dias de extensão está próxima do fim. Ou, se a gente quiser ir mais longe, a corrida de 10 voltas. Sim, para quem se imaginava, lá atrás, como seria chegar ao novo século, uma década do próprio já ficou para trás. Tempos de Schumacher, Alonso, Hamilton, Raikkonen, Button e Vettel, apenas para ficar entre os mais famosos. Tempos de jejum verde e amarelo também. De três vices que deixaram um gosto amargo na boca. Mas de belas vitórias. De voltas por cima, de momentos que ficarão guardados na mente de qualquer apaixonado pela velocidade.

O último post do Sexta Marcha em 2010 (no primeiro 31 de dezembro desde que a coluna virou blog) não vai contar novidades, revelar histórias de bastidores ou fazer previsões para o que as pistas do mundo nos reservam a partir de agora. Neste momento de renovação de expectativas, de planos e desejos; da vontade de deixar para trás os momentos tristes ou ruins, quero compartilhar com você, estimado leitor, a torcida por um ano que nos leve ao pódio. Sim, vai ser como a última etapa da Stock Car, com chuvas, trovoadas, rodadas, safety car, momentos em que tudo parece dar errado mas, no fim, a satisfação do resultado merecido. Do sonho alcançado. Da meta atingida. Das pequenas vitórias que estão a cada reta, a cada curva. Porque talvez a melhor forma de definir a vida seja compará-la a uma especial do Rali Dacar: você tem ideia do que vem pela frente, se prepara, na maior parte do tempo acerta o caminho; em alguns momentos precisa dar meia-volta e recomeçar; muitas vezes se surpreende com o que encontra pela frente. Mas tem talento e capacidade para seguir adiante em busca do próximo desafio. Qualquer que seja ele, que você não desista; que sonhe, realize, caia e levante. E, quando a volta 2011 dessa corrida terminar, tenha motivos de sobra para gritar de alegria no capacete, chorar “parecendo uma menina”, como disse o campeão Vettel. Nada de mensagens formais, daquela voz seca e impassível de locutor dizendo: “você é o número 1, well done”. E que os títulos e troféus que você mais quer façam parte da sua galeria. Então, comece a acelerar que os sinais estão se apagando. Tá na hora de soltar a embreagem e…. FELIZ 2011…

ELE NÃO SE EMENDA…

Ele não se emenda mesmo. Se existe um piloto entre os 26 que vão compor o grid do próximo Mundial de F-1 que tem personalidades completamente opostas, no melhor estilo Dr.Jekyll and Mr.Hyde, este é Fernando Alonso. O mesmo piloto capaz de participar de uma corrida beneficente em sua Oviedo natal, distribuindo autógrafos e abraços, voltou a dar uma mostra de seu destempero – como não incluir, entre as imagens do ano que termina, o gesto inacreditável dirigido a um Vitaly Petrov que, em Abu Dhabi, não estendeu tapete vermelho a sua majestade?

Pois o asturiano e a mulher, Raquel del Rosario, resolveram passar o ano-novo em Porto Santo, no arquipélago da Madeira (Portugal). Chegaram em um jatinho particular e tudo iria muito bem, caso o ferrarista não tivesse descoberto uma série de fotógrafos e jornalistas a acompanhá-lo. Sobrou para a ilha, que não tem nada a ver com a polêmica. “Se vir mais uma câmara nos próximos dias, vou embora e digo que Porto Santo é um desastre”. Mais uma para a conta do señor Alonso, enquanto Sebastian Vettel mostra que é possível ser o melhor sem perder o jeito tranquilo e o jogo de cintura…

MÃOS AO ALTO… OU MÃOS NO BOLSO…

Sei que o tempo é de esperança, de previsões positivas, de expectativas boas para mais um ano, que já está parado no grid aguardando pelo apagar dos sinais vermelhos, mas não dava para deixar passar batido: fica cada vez mais claro que poucos, e não necessariamente os melhores, serão os eleitos para chegar ao topo. Os que, por exemplo, tiverem a sorte de contar com o suporte de todo um país – caso do venezuelano Pastor Maldonado, que dá merecidamente o salto mas, se não fosse movido aos petrodólares chavistas, não estaria onde está. E a tendência é dar espaço a representantes de mercados emergentes e inexplorados, o que me leva a crer que nos próximos anos, teremos uma onda de chineses, indianos, cataris, sul-coreanos, russos. Nada contra, muito pelo contrário, mas o número de cadeiras na dança é limitado e as circunstâncias (não apenas o dinheiro, que fique bem claro) acabam pesando mais do que o talento.

Como considerar, por exemplo, que uma temporada com os novos carros da GP2 não sairá, pelos preços atuais, por menos de 2,5 milhões de euros?  Isso mesmo caro leitor, R$ 5,5 milhões, pelo câmbio do dia. Por mais competente que seja o piloto, dá para imaginar uma empresa assinando um cheque tão polpudo apenas… para ter a chance de aparecer na ante-sala da F-1, e mesmo assim sem a garantir de contar com o melhor equipamento? É coisa mesmo para Red Bulls, ou as “Driver Academies” que restaram. Pelo visto, cada vez menos acompanharemos pequenos prodígios dizendo “meu sonho é chegar à F-1”. Os pais, primeiros incentivadores, já devem ter cortado o barato há muito tempo. “Filho, se você sobreviver correndo de carro, já tá ótimo…”

Em tempo, o campeão mundial de rali de 2003, Petter Solberg, pôs à venda um dos Citroen C4 que usou nesta temporada. Preço: 500 mil euros, ou R$ 1,1 milhão. Detalhe: como se trata de um WRC, configuração que deixa de ser usada no Mundial em 2011, só poderá ser usado em alguns campeonatos regionais ou se transformar em peça de museu. E se não passar o possante nos cobres, o craque norueguês está arriscado a não conseguir comprar o DS3 com que pretende correr. Que custa a bagatela de… uns 450 mil euros… É mole?

QUANDO A FÉ MOVE O SONHO DA VELOCIDADE

Que a religião e o automobilismo andam de braços dados desde os primórdios (das corridas, lógico…) não é propriamente uma novidade. Basta lembrar das manifestações de fé de Ayrton Senna, a mais famosa delas ao invocar a intervenção divina para explicar a volta voadora que lhe deu a pole para o GP de Mônaco de 1988; ou o fato de Robert Kubica carregar sempre consigo uma imagem do compatriota Karol Wojtyla, o Papa João Paulo II; ou das imagens de Nossa Senhora Aparecida que já ornaram capacetes de Rubens Barrichello e André Ribeiro, por exemplo. Isso sem contar a postura de oração com que mulheres, namoradas, familiares ou mesmo colegas de equipe acompanham a ação na pista, seja pedindo um bom resultado, seja torcendo para que um eventual acidente não tenha consequências graves. Na F-Indy, o Father (padre) Phil tinha o papel de capelão oficial e suas missas e preces, algumas das quais pude presenciar, eram acompanhadas atenciosamente pelos pilotos, a ponto de Bruno Junqueira trazer o religioso dos EUA para celebrar seu casamento. E não é raro ver o sinal da cruz feito no cockpit momentos antes de uma largada, carregando com ele uma série de expectativas. Pois um empresário texano apaixonado pela velocidade desde criança resolveu ir mais longe e se valer da Indy Racing League para difundir os valores cristãos. O que começou de forma tímida em 2008, já então apoiando Davey Hamilton, que sofreu em uma edição das 500 Milhas de Indianápolis um acidente digno de desafiar qualquer crença, cresceu a ponto de se transformar num time autônomo, a Kingdom (reino) Racing, que será o responsável pela presença do Dallara Honda de Hamilton na edição deste ano (a equipe Dragon De Ferran se encarregará da parte técnica). Nas palavras de George Del Canto, idealizador do projeto, “Deus nos deu o campo da IRL para semearmos, e o faremos em seu nome e glória”. Adequadamente, o time usa como emblema um versículo da carta aos Hebreus: “corramos com paciência a carreira que nos espera”. Embora incomum para um meio competitivo e individualista como o automobilismo, é uma iniciativa a ser saudada, especialmente num oceano de diversidade como o das pistas… Em tempo, o site da equipe é o www.kingdomracing.net    

NA TERRA COMO NO ASFALTO

Mudam os tempos, muda o percurso, muda o continente, mas, desde que o Dacar é o Dacar, o desafio de superar desertos e imensidões de areia e pedras atrai pilotos formados no automobilismo de pista. Talvez fosse o caso de gastar vários posts para lembrar de todos, mas não dá para esquecer de Jacky Ickx (que venceu a prova com um Porsche e, anos depois, dividiu o comando de um “modesto” jipe Toyota com a filha Vanina, de quem já falei por aqui); Clay Regazzoni, Henri Pescarolo, do bicampeão mundial de Turismo, Yvan Muller; Jacques Laffitte; do japonês Ukyo Katayama, da alemã Ellen Lohr e, do mais bem sucedido deles, Jean-Louis Schlesser, injustamente lembrado como “o estreante maluco da Williams que impediu a vitória de Ayrton Senna no GP da Itália de 1988”, mas que também foi campeão mundial de esporte-protótipos e, no maior rali do mundo, venceu duas vezes (1999 e 2000) com seus buggys feitos em casa. Você talvez haverá de lembrar de Robby Gordon, mas o maluco norte-americano fez o caminho oposto, ganhando notoriedade ao vencer as provas de Baja para, então, optar pela Cart, IRL e Nascar.   Isso posto, a edição de número 33 da maratona fora-de-estrada se mantém fiel à tradição. Não custa lembrar que todos os citados (e os esquecidos também), especialmente os que conseguiram concluir edições, vencer estágios ou até mesmo o rali, foram obrigados na marra a mudar completamente o estilo de pilotagem e a encarar com humildade os obstáculos do caminho. Nada de “acelera, quarta, quinta, sexta marcha, freia na placa de 100m, reduz de sexta, para quinta, para quarta, terceira e aí por diante”, volta após volta. Na África ou na América do Sul, cada quilômetro cronometrado é um salto no desconhecido. Você nunca passou por ali e, além de confiar muito no que diz o navegador (outra novidade para quem se acostumou a andar sozinho), tem que torcer para que as referências no livro de bordo estejam certas.   Este ano, serão seis representantes deste grupo especial dignos de nota. O chileno Eliseo Salazar (tá certo, aquele que apanhou de Nelson Piquet no GP da Alemanha de 1982) será parceiro de Gordon. Outro com passagem pela F-1 é Norberto Fontana que, a exemplo dos compatriotas Emiliano Spataro, Jose Luis Di Palma e Juan Manuel “Pato” Silva (todos com passagens pela F-3 Sul-Americana e sucesso nas categorias top argentinas) e do holandês Tim Coronel, resolveu apostar no caminho mais difícil. Vão encarar os 9.500 quilômetros a bordo de um buggy criado por Alister McRae, irmão do saudoso Colin, em que não há lugar para o passageiro. É como se corressem de moto, só que sobre quatro rodas, já que terão de pilotar, navegar e controlar o funcionamento da máquina, Algo com certeza muito mais difícil do que tudo o que já enfrentaram no asfalto. Se brigar por posições a 300km/h já não é coisa para muitos, o que dizer então de quem resolve enriquecer o currículo acelerando no meio do deserto?    

NO ESPÍRITO NATALINO…

Depois de 40 dias literalmente de perna pro ar e das desventuras de duas fraturas consecutivas, mais que nunca acredito que saúde é o melhor presente que Papai Noel pode nos reservar nestes tempos. E força para superar desafios, obstáculos, sejam eles na vida ou nas pistas; para que nada nos faça perder a alegria, a disposição, a vontade de seguir acelerando.

Se não for querer muito, aos pilotos peço ainda que tenham a oportunidade de mostrar seu talento, seja qual for a categoria; que os patrocinadores finalmente acordem para o esporte motor como vitrine privilegiada; que as montadoras façam, dos mais variados campeonatos, campo de prova para seus modelos.

Que os organizadores de campeonatos mantenham sua luta para abrilhantar o espetáculo, sempre pensando no público; na segurança e na qualidade dos pegas. Que sigamos revelando campeões; ganhando autódromos, novas categorias e provas; que os melhores momentos de Felipe Massa na Ferrari ainda estejam pela frente; que Rubens Barrichello mantenha a boa fase na Williams e siga dando couro nos mais novos; que haja custos razoáveis para que mais e mais meninos se interessem pelo kart, primeiro como brinquedo, depois como objetivo de carreira; que modalidades como o rali, tão bela mas tão largada no Brasil finalmente tenham o devido reconhecimento; que, humildemente, este que vos fala possa seguir aprendendo a brincar nas estradas de terra e some mais uns trofeuzinhos à galeria.

Que Sebastian, Lewis, Jenson, Fernando, Felipe, Mark, Helinho, Tony, Rafa, Bruno, Cristiano, Cacá, Max, Ricardo, Valdeno, Clemente, Victor, Zonta, Bruno, Nelsinho, Lucas e tantos outros sigam nos dando motivos para seguir grudados diante da TV ou para ir às pistas, alimentando essa paixão movida a gasolina e velocidade. E a você, caro leitor, um Natal de realizações, de sinal verde para momentos de felicidade e emoção…

E O LIMPADOR?

Que o acidente envolvendo Michael Schumacher e Vitantonio Liuzzi na primeira volta do GP de Abu Dhabi deixou de ser uma tragédia por pouco não é difícil imaginar. Por um triz as rodas dianteiras e o bico da Force India não causaram estrago na testa do heptacampeão. Situação que fez lembrar o golpe sofrido por Felipe Massa nos treinos para o GP da Hungria de 2009, quando uma mola da suspensão traseira da Brawn de Rubens Barrichello atingiu em cheio a cabeça do ferrarista. Para diminuir os riscos de que situações como o segundo incidente se repita já há remédio: 16 anos depois da morte de Ayrton Senna, finalmente foi possível desenvolver uma tecnologia capaz de reforçar a região recoberta pela viseira, e os capacetes a partir de 2011 (já são em fibra de carbono) terão de contar com a novidade.

Quanto ao primeiro, o Grupo de Trabalho Técnico da FIA estuda uma solução, e a encontrada certamente dividirá opiniões. Falar em parabrisa é pouco. A revista italiana Autosprint, bíblia do automobilismo internacional, não apenas revelou o que se trata, como fez questão de simular a novidade justamente na Ferrari de Fernando Alonso. Como nos primórdios – então a função era principalmente estética, além de desviar o incômodo vento – os carros podem ganhar verdadeiras cúpulas transparentes, o que mudará, e muito, o aspecto das máquinas. Antes de fazer meu julgamento, reproduzo a imagem, com o devido crédito, para que o leitor chegue à sua conclusão…

http://www.autosprint.it/reprodução da internet

REFLEXÃO SOBRE UMA PERDA SENTIDA

Embora o escritor José Saramago sustentasse, com razão, que a morte é algo que faz parte do nosso cotidiano desde que chegamos ao mundo – há células que morrem e se regeneram, outras não, até que nosso ciclo por estas terras esteja encerrado – é difícil lidar com a perda. O próprio português dizia escrever para permanecer vivo por mais tempo, ir além da existência física pura e simples.

Toda essa introdução para falar de uma perda especialmente sentida. Testemunhar certas coisas, vê-las de perto, é muito diferente de ouvir falar. Especialmente quando a convivência em questão é de anos, e diz respeito a um piloto que conheci saindo do kart, e que felizmente teve a chance de mostrar o que sabia quando tudo parecia jogar contra. Já naquele tempo o telefone tocava e o que seria um simples contato se transformava em conversa longa, boa. Falava-se sobre os sonhos de um pai, as expectativas e a felicidade com as vitórias do filho, mas sobre bem mais que isso. O que podia ser publicado e o que não, para não atrapalhar negociações, atropelar acordos.

O mundo deu voltas, várias, mas as primeiras palavas eram sempre as mesmas: “Gini, é o Sérgio, pai do Rafa”. O mesmo que deu ao filho o primeiro kart, com 11 anos e fez com que o primogênito herdasse não apenas a paixão pela velocidade, mas vários outros valores que o fizeram brilhar. Nem todos sabem, mas o Rafa em questão – Rafa Matos – chegou aos EUA com US$ 100 no bolso (algo que virou quase lenda) e teve de sujar a mão de graxa em muitos karts até conseguir trilhar seu caminho. Para dar cada passo na ladeira rumo ao topo, precisava passar nos vários vestibulares que enfrentou: Barber Regional, Barber Dodge, Star Mazda, F-Atlantic e Indy Lights. Sempre contava com a dedicação, a paixão, o exemplo do pai que, nos primeiros anos, deixava o pensamento voar longe e imaginava o herdeiro alinhando nas 500 Milhas de Indianápolis.

Sonho que se transformou em realidade, e que foi testemunhado etapa a etapa por quem, depois de inúmeras viagens de ônibus e carro nos tempos do kart, teve o privilégio de ver o filho aclamado numa das principais categorias do planeta, em circuitos lendários.

Pena que o coração que bateu mais forte a cada momento especial, a cada largada ou bandeirada, resolveu aprontar das suas. Sérgio se foi sábado, em silêncio, e deixa saudade não apenas à família. Porque há pais e pais. Uns quase sufocam os filhos, impõem escolhas, acreditam estar certos sempre. Outros, como ele, querem apenas se mostrar presentes. Estão ali para o que der e vier, respeitando o caminho seguido pelos descendentes diretos, aconselhando, tirando dúvidas, sabendo ser coadjuvantes importantes. Houvesse mais sérgios e o automobilismo brasileiro não apenas teria ainda mais conquistas, como seria mais justo e mostraria que não é necessário nascer em berço de ouro para brilhar. Caro Rafa, força nessa hora tão difícil e não perca nunca a certeza. Onde ele estiver, vai continuar comemorando suas vitórias, sonhando com os próximos passos…

NOS DEVIDOS LUGARES…

Só para esclarecer as coisas, a nota sobre o processo contra a família Piquet por evasão fiscal não tem nada de perseguição ou de “viuvez” de Ayrton Senna, mesmo porque o titular do blog torceu por ambos e comemorou igualmente os seis títulos mundiais conquistados pela dupla, além de torcer para que Nelsinho retome sua carreira com todo o talento que tem. Além da função de informar, esse espaço é amplamente democrático – estão aí os comentários para não me deixar mentir – , mas não acho que os fins justifiquem os meios. Título mundial ou carreira fenomenal nas pistas não faz de ninguém melhor do que os outros quando o assunto é cumprir a lei. Se a Justiça não encontrar indícios de irregularidades, tanto melhor. Se achar, paga-se o devido e pronto. Só isso…

SERÁ?

A notícia está no respeitabilíssimo blog italiano Italiaracing.net (baseando-se, presumo eu, em notícia publicada na Veja) e o blog apenas reproduz as informações, mesmo porque ainda não dispõe de indícios suficientes para falar contra ou a favor, mas trata-se de mais um episódio envolvendo a família Piquet, justamente agora quando pai e filho obtiveram ganho de causa na ação movida contra a Renault por calúnia e difamação depois da confusão do Crashgate – a lambança feita no GP de Cingapura de 2008 e revelada ano passado. E justamente quando Nelsinho conseguiu vaga numa das melhores equipes da Nascar Truck Series para disputar toda a temporada de 2011.

Diz o texto que Nelsão e Nelsinho teriam se aproveitado da Federação Cearense de Automobilismo para enviar ao exterior quantia de 3 milhões de euros sem o pagamento dos devidos impostos entre 2005 e 2008. E não seria o único. Vários outros personagens teriam se aproveitado do esquema para fugir do Leão. A bem da verdade, a história não é nova – e já levou à prisão, há um mês, tanto do presidente da FCA, Haroldo Scipião, quanto do piloto de kart e stock car Hybernon Cysne, mostrando que nesse angu tem caroço. Não se trata, pelo visto, de exclusividade brasileira. Nem Valentino Rossi escapou de um acerto com o fisco italiano. No que eu só posso acrescentar o seguinte: federação do que quer que seja não é banco, nem deve servir para burlar a legislação – e é a segunda a ver seu nome enlameado depois da prisão do ex-vice-presidente da CBA e presidente da Federação Paraense, Antônio Neto, por suposto envolvimento num esquema de superfaturamento na área da saúde. Nada bom para o esporte.

Crime fiscal se resolve de forma fácil: paga-se o devido, mais a salgada multa, e as contas estão certas. Mas quem se presta a esse tipo de tramóia não pode ser indicado nem pra síndico de prédio…