Chuva, cerveja e “pommes frites” – Coluna Sexta Marcha

E o circo reabriu a lona, a F-1 saiu do longo e silencioso verão e os motores voltaram a roncar. O que é sinônimo da Coluna Sexta Marcha, publicada na edição impressa do Correio Braziliense e do Estado de Minas, e reproduzida aqui para quem não pôde ler um ou outro… Desta vez, falando sobre o fim de semana em Spa-Francorchamps

 
Grande Prêmio da Bélgica sem chuva não é GP da Bélgica, assim

como não seria sem as tradicionais “pommes frites”. Sim, as batatas fritas

tão sinônimo do país como as centenas de cervejas, muitas fruto da inven-

tividade dos monges em suas abadias. Aliás, Spa-Francorchamps é daqueles

locais míticos que todo fã da velocidade deveria visitar ao menos uma vez

na vida, com ou sem corrida, assim como Indianápolis, Monza, Silverstone,

Nurburgring ou as ruas de Mônaco.

Pois o Mundial de F-1 não deveria ser digno de seu status sem a Bélgica,

mas já foi, em 2003 e 2006, e pode voltar a ser caso se confirme a dobradin-

ha com Paul Ricard que traria a França de volta ao circo. Os belgas têm prob-

lemas sérios no orçamento para atender as exigências de Mr.Ecclestone; os

franceses sonham desesperadamente com o que é deles por direito, o prob-

lema são os Bareins, Abu Dhabis e Coreias que tomaram conta do cal-

endário. Nada contra nenhum dos três países, mas estamos falando de

tradição no automobilismo.

E já que estamos falando do que combina e não combina em se tratando

de F-1 – só não vou participar do “fan forum” organizado pelas escuderias

em Milão, antes do GP da Itália, para escapar da performance de Sakon

Yamamoto como DJ, mas tivesse meu dia de Mr.E e baixaria uma norma.

Proibiria o DRS não apenas na Eau Rouge, mas também no retão que ante-

cede a Blanchimont. Justamente no traçado em que os pilotos mais arriscam

(e foi impressionante o número de finos ou toques felizmente inócuos), a

coisa ficou banalizada. Era subir a ladeira no vácuo e, com 14, 16 quilômet-

ros por hora, fazer a festa. O único a tentar desafiar a lógica perversa provo-

cou um strike que, coincidência ou não, envolveu Lewis Hamilton – até que

me provem o contrário, lance normal de corrida. Manobras como a de

Button no Bus Stop, de Rubinho na Source ou na Blanchimont e Webber na

própria Eau Rouge mostram que nem era necessário o incentivo extra.

Tendo confiança no talento e da capacidade do equipamento, e o equilíbrio

correto entre a paciência para não ir além do limite, e gana para não esperar

um segundo a mais, lugar para passar não falta.

Sim, porque Spa é a pista dos superlativos. Exige confiança total, arrojo

nas alturas e espírito guerreiro a “la Button” ou “la Schumacher”. Que tal

fazer curva a 300 quilômetros por hora e saber que uma freada gigantesca

espera, nada convidativa, metros adiante? E os poucos metros da reta dos

boxes, em que o câmbio vai da segunda à sexta e de novo à segunda em

questão de um piscar de olhos?

Tá certo que não choveu durante as 44 voltas, mas a água que caiu na

véspera enlouqueceu a estratégia das equipes. Que rodaram muito pouco

com pista seca e, no caso de Red Bull e McLaren, se viram diante de um aque-

cimento fora do normal. E a Ferrari, que vivia com o problema oposto,

acabou se vendo em situação favorável. Só não conseguiu capitalizar. Mas

também, quando o momento é iluminado, é até covardia. Os pedaços de

borracha voavam aos montes da roda dianteira direita de Vettel, mas o safe-

ty car apareceu na hora certa, e foi aproveitado como se deve.

Webber surpreendeu ao ser mais rápido com os pneus duros do que com

os macios e também fez um corridaço (se não tivesse esquecido como se

larga…). Alonso prometia muito, e acabou entregando pouco. Massa, menos

ainda, mesmo descontando o pneu furado. E Bruno Senna não estraga um

fim de semana tão bem iniciado com a largada camicase, só Alguersuari é

que não gostou. Ainda está em tempo de quem manda suspender o uso do

DRS em Monza – taí outra pista em que a F-1 natural já seria emocionante o

suficiente…

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