Que em 2012…

Tá bom, eu fui dizer no facebook que “minha primeira resolução de ano-novo seria não tomar resolução alguma, já que é possível decidir e começar o que quer que seja a qualquer hora” – nada contra o fato de o planeta completar mais uma volta em torno do sol, muito pelo contrário, mas é a tal história de começar dieta na segunda-feira.

E como o blog não é um ser à parte, mas reflete o pensamento daquele moço escondido no capacete da foto ao lado, vale para este espaço também – se dá para assumir um compromisso, é o de manter o espírito do blog, aprender e procurar evoluir cada vez mais.

Mas, sempre existe uma forma de flertar com os limites do regulamento (não é assim que se faz em toda e qualquer categoria do automobilismo?), então veio a ideia. Por que não elaborar uma lista de desejos para o ano que começa (e xô com essas histórias de fim do mundo)? Sim, alguns deles podem ser mais complicados de realizar do que acertar na loteria, mas não custa sonhar…

Assim sendo, que em 2012…

* A participação brasileira na F-1, seja de que número for (e parece que teremos um representante solitário), volte a nos dar orgulho não apenas pelos resultados, mas pela postura, pela garra e, acima de tudo, dê perspectivas de um 2013, 2014, 2015, 2016 e tantos mais…

* A chegada e a homologação de chassis dos principais fabricantes mundiais e de novos verde e amarelos no Brasil ajude o kart a deixar de ser brinquedo de luxo e, com a concorrência, possibilite preços mais em conta e a valorização do talento…

* Organizadores e pilotos da IndyCar se entendam e façam da categoria o que ela sempre foi, sem o lado trágico. Que seja emocionante, incerta, de tirar o fôlego, mas guardadas as preocupações de segurança. E nunca mais se tente encaixotar 34 carros num oval de 1,5 milha. E já que o desejo é livre, que a rivalidade entre fornecedores de motor não provoque a bancarrota definitiva do campeonato…

* O renovado Mundial de Endurance seja um sucesso e constitua uma opção válida para todas as feras que, por falta de espaço, vão ficar fora do circo. E a etapa de Interlagos garanta público e emoção suficientes para não mais sair do calendário…

* O circuito do Mega Space, em Santa Luzia, abra as portas com sua versão ampliada e receba provas nacionais de porte, além de ajudar a revelar os campeões do futuro, assim como o Autódromo do ECPA, em Piracicaba, ou o Velopark. E campeonatos como a F-Vee, a Fórmula +, que vem por ai, ou a planejada Copa Short sirvam tanto para quem quer se divertir a custo razoável quanto como escola para os mais novos…

* Não nos iludamos com títulos ou vitórias e façamos (ou os dirigentes façam, já que é papel deles), uma arrumação da casa no automobilismo nacional. Ver a F-Futuro com sete pilotos no grid, o Brasileiro de Rali com nove carros ou a Copa das Federações de Endurance escondida (sem contar a morte de provas como as Mil Milhas ou a hibernação do Rali da Graciosa) é de cortar o coração. E não serão os grids cheios de Stock Car, Porsche Cup, GT Brasil, Trofeo Linea a esconder a realidade…

* As categorias recém-criadas, como o novo Brasileiro de Marcas, ou aquelas que vêm por aí, como o XRC Brasil (rali) e a já citada Fórmula +, além de provas como as 24h de Interlagos, tenham sucesso, patrocinadores, visibilidade…

* Sebastian Vettel e Adrian Newey não sejam tão próximos da perfeição e façam do Mundial de F-1 um campeonato mais emocionante, equilibrado (essa vai ser complicada)…

* A segurança seja, cada vez mais, prioridade, para que o risco fique cada vez mais teórico. Wheldon e Sondermann não voltam, mas ficam o exemplo e as lições…

* O blog continue tendo motivos interessantes de sobra para palpitar, mostrar novidades, fazer críticas quando necessário. E, já que surgiu a chance, que a experiência deste que vos escreve como piloto continue por bons caminhos, para seguir tendo histórias, fotos e vídeos para compartilhar com você, estimado leitor… Aliás, sinta-se à vontade para acrescentar algum item à lista… E feliz 2012!

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Papai Noel atrasado…

Se você é daqueles que preferiram esperar que passasse a correria das compras de Natal para se dar um presente, ou se apostou nas promoções para queima de estoque, o blog tem uma sugestão pra lá de interessante, encontrada numa dessas andanças virtuais. Pois está à venda o chassi nº 001 da Maserati MC12, certamente o modelo mais marcante desenvolvido nos últimos anos. O “brinquedo” surgiu em 2004, quando a marca italiana se aproveitou do parentesco com a Ferrari e criou um bólido com o chassi da Enzo, um motor V12 6.0 “made in Maranello” e a vocação de vencer nas pistas – resumindo, um carro de corrida homologado para andar na rua, pois só assim poderia participar das corridas de GT. Foram produzidos 50, dos quais pouco mais da metade realmente ganhou placa e pode ser vista num cruzamento qualquer da Europa, Japão ou dos EUA. Pois a máquina foi várias vezes campeã do FIA GT, acelerou na American Le Mans Series (mesmo com uma série de limitações artificiais que a impediram de vencer constantemente) e venceu sua penúltima corrida aqui, em Interlagos, no Mundial de GT de 2010, pelas mãos de Enrique Bernoldi e Xandinho Negrão.

Isto posto, o primeiro carro da linhagem está sendo oferecido na Inglaterra, por “módicos” 1.025.000 euros, algo em torno de R$ 2,5 milhões. Que tal? Nada que um prêmio de Mega-Sena da Virada não pague, com sobras. Como sonhar não custa… abaixo vai uma foto da MC12 exposta no estande do importador brasileiro, no Salão do Automóvel de 2008…

Nau sem rumo…

A segunda principal categoria de monopostos do planeta vive momentos complicados. Bem verdade que o acidente que provocou a morte do inglês Dan Wheldon fez com que pilotos, equipes e organizadores revissem muitos conceitos, mas vai bem além disso. Quando Champcar e IRL se transformaram numa coisa só, em 2008, muitos imaginavam que seria garantia de sucesso sem precedentes, que voltaríamos a ver disputas tão ou mais emocionantes que as da F-1, já que os melhores estariam reunidos sob o mesmo teto (e quando se diz isso logo vêm à mente Penske, Ganassi, Andretti, Newman-Haas; Franchitti, Power, Briscoe, Kanaan, Dixon, Servia, só para ficar em alguns exemplos).

Depois de muito postergar, finalmente chegou o momento de trocar o venerável chassi Dallara de 2003 pelo DW12, que já havia sido pensado para oferecer bem mais proteção aos pilotos, mas infelizmente não chegou a tempo de impedir a catástrofe em Las Vegas. Com isso, chega ao fim o monopólio de motores da Honda.

Só que… só que os primeiros testes com a nova máquina mostram um conjunto de difícil acerto – quem andou disse não se sentir à vontade ou capaz de encontrar regulagens adequadas a seu estilo. Os motores são muito mais pesados do que o previsto e, ainda por cima, com soluções distintas. A Honda aposta em um só turbo; a Chevrolet em dois, e a Lotus, que repassou a John Judd a missão de projetar e construir seu propulsor, está muito atrasada. Os patrocinadores, que já não eram muitos e fortes, escasseiam em velocidade ainda maior e muitos times se mostram reticentes em comprar novos carros sem dispor do orçamento total, como mostra o canadense Paul Tracy, que conta com US$ 2 milhões (cerca de metade do necessário para o ano todo) e não encontra alguém disposto a acolhê-lo.

E quem poderia imaginar que, depois de três décadas, a Newman-Haas fizesse o caminho inverso e, depois de saltar da Can-Am para a Indy, decidisse apostar na American Le Mans Series? A Conquest começa a seguir caminho semelhante e muitos pilotos que teriam lugar fácil na categoria começam a enxergar outros horizontes, especialmente em tempos de volta do Mundial de Endurance. O calendário saiu com 15 provas, mas pode ter “16 ou 17”, segundo o próprio CEO da categoria, Randy Bernard, que queria fazer na Indy algo semelhante ao que fez nos rodeios, até que a triste realidade da corrida que não houve na capital do jogo mostrasse que a coisa é bem mais séria. E o diretor-tecnico Brian Barnhart é alvo de críticas de todos os lados, supostamente por perseguição a alguns pilotos e falta de critério nas punições. Pra completar o resumo da ópera, não há tantos pilotos europeus de nome interessados em atravessar o oceano – um Raikkonen, um Barrichello ou Bruno Senna certamente ajudariam a aumentar a visibilidade do campeonato, que sofre à sombra da Nascar.

Que teremos temporada, não há dúvidas. Que a categoria passará por 2012 caso o mundo não termine, também. E que a decisão de varrer do mapa os ovais de 1,5 milha, considerados perigosos por todos, foi a mais correta, também. Mas que a Indy pode ver sua importância redimensionada e perder ainda mais espaço, não custa. O que seria uma pena quando se volta um pouquinho no tempo e vêm à mente os nomes de Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell, Mario Andretti, Al Unser Jr., Bobby Rahal, Cristiano da Matta, Jacques Villeneuve, Juan-Pablo Montoya, Michael Andretti, Dan Wheldon…

Mensagem de Natal

Qualquer que seja sua crença, opção religiosa, forma de enxergar o mundo e ligação com o automobilismo, não há como ficar indiferente ao momento de reflexão, confraternização e recomeço que o Natal e o fim do ano nos proporciona. Assim sendo, mais do que o blog, o responsável pelo blog pensou nalgumas palavrinhas que fizessem sentido para o período, e representassem exatamente o que penso, o que desejo – é para isso que servem os blogs, e este, em especial. Tomara que você, amigo leitor, que me aguenta há um bom tempo, curta, e encontre abaixo algum tipo de inspiração, que seja para acreditar que sonhos se realizam e nós podemos chegar bem mais longe do que imaginamos…

Para ganhar o mundo…

Primeira lista de equipes inscritas oficialmente na principal categoria do Mundial de Rali 2012 e, ao lado das poderosas Citroën, com Sebastien Loeb e Mikko Hirvonen; e Ford, com Jari-Matti Latvala e Petter Solberg aparece… a verde e amarela (muito mais verde do que amarela, diga-se de passagem) Palmeirinha Rally Team, do folclórico e gente finíssima Paulo Nobre, o Palmeirinha (foi diretor do clube do Parque Antártica e concorreu à presidência nas últimas eleições). Não se trata de um feito inédito, já que, este ano, o baiano Daniel Oliveira idealizou o Brazil World Rally Team mas, com todo respeito, a temporada do BWRT valeu apenas pelo pioneirismo, já que nem mesmo o suporte oficial da Prodrive, que concebeu o Mini John Cooper Works WRC, foi capaz de garantir um pontinho que fosse – olha que houve provas em que teve gente pontuando mesmo a mais de meia hora do tempo do vencedor, com carros da N4 ou S2000, menos potentes e que correm uma competição à parte.

Palmeirinha teve chance de capotar ou bater carros suficientemente até descobrir o ritmo ideal de prova e a experiência em provas de longa duração como o Rali dos Sertões também ajudou a encontrar o limite. Se fizer os treinos necessários para se famiarizar com a cavalaria e o desempenho de uma máquina cujo preço supera R$ 1 milhão (pode ser um Mini ou um Fiesta), já tem intimidade com as condições da maioria das etapas e muita margem para evoluir. E o mais bacana da história é que sempre teve a seu lado o navegador Edu Paula, que, no Paulista, troca de cadeira e pilota um Peugeot 206, com a filha Marcella a auxiliá-lo.

O mais curioso é que, embora atraia milhares de fãs pelo mundo e volte a ter este ano o Rali de Montecarlo como prova de abertura, o WRC parece o rali brasileiro e vive momentos de incerteza. A North One Sport, que era dona dos direitos comerciais da competição, praticamente ruiu depois que seu proprietário, Vladimir Antonov, foi preso sob suspeita de corrupção. Não há um promotor definido e a Mini (BMW) aguarda uma solução para confirmar presença, depois da ótima primeira temporada. Há muitos planos, muitas especulações, mas poucos assinaram o cheque e a ficha de inscrição. Tanto assim que o prazo-limite se esgota em 27 de março, dois meses depois da primeira prova. Se o catariano Nasser Al-Attiyah e o belga Thierry Neuville estão confirmados no Junior Team da Citroën, Kris Meeke, Dani Sordo, Armindo Araújo, Ken Block, Henning Solberg, Ott Tanak, Matthew Wilson e o argentino Federico Villagra, protagonistas em 2011, ainda são simples asteriscos, sem nada fechado. Tomara que todos, ou pelo menos a grande maioria, consigam marcar presença, num ano em que, sinceramente, a saída de Kimi Raikkonen não fará a menor diferença…

Rali de São Paulo – algumas considerações

Antes de que me acusem de torcer contra, de não observar o lado positivo dos fatos, todos os méritos Rubens Barrichello e os que o assessoraram no planejamento do “Rali de São Paulo/Desafio dos Campeões”. O simples fato de trabalhar para dar, ao calendário brasileiro, mais um evento do gênero, é digno de elogios. O problema é que a teoria, na prática, foi bem diferente. Não adianta ter as melhores intenções se não se consegue aplicá-las para fazer um espetáculo digno do nome. E o que se viu sábado e domingo no Parque São Jorge esteve, sem exageros, entre o ridículo e o risível.

Vamos por partes: alinhar numa pista de terra modelos com acerto de chassi e suspensão, rodas e pneus de autódromo já seria uma insanidade em condições normais. O que dizer então de um traçado que, com tantas ondulações e lombadas, parecia mais adaptado ao motocross? Passaram da conta, e muito, e acelerar nestas circunstâncias não se tornou questão de talento e habilidade, mas de sorte e versatilidade. Para piorar, choveu (e realmente em São Paulo isso quase não acontece, especialmente nesta época do ano…) e a exigência da TV transformou a final num dérbi de demolição – foram quatro carros para a pista, quando deveriam ter sido apenas dois.

E quem acompanhou pela TV não deve ter visto, porque as câmeras não mostraram, mas o público foi nulo. Fruto da combinação entre o salgado preço dos ingressos, a desconfiança com um evento inédito por estas bandas e a cidade escolhida para recebê-lo – o que não falta são coisas para fazer na Paulicéia num fim de semana. Num palco sem autódromo ou mais receptivo – e aí eu penso em Curitiba, Florianópolis ou mesmo Belo Horizonte, com certeza bem mais gente prestigiaria. Quem sabe até numa arena coberta.

Moral da história é que se desperdiçou uma oportunidade de ouro para popularizar ainda mais o automobilismo – que ninguém chame aquilo de rali, porque não foi em momento algum, melhor seria adotar outro nome. E simplesmente seguir o exemplo da Race of Champions (ROC), que monta seu circo com um piso que reproduz asfalto e consegue, com perfeição, aproveitar o espaço restrito à disposição. E, se houver uma segunda edição, que se aprenda com os erros e as derrapadas, não dos carros, mas dos organizadores. Como os pilotos não tem nada a ver com isso, parabéns a João Paulo de Oliveira, que aliás apareceu bastante nos últimos posts do blog. Mesmo porque as condições, precárias, eram iguais para todos.

O macacão de US$ 1 milhão

Quanto pode valer um macacão antichama com quatro décadas de existência, ou seja, mais do que ultrapassado em termos de proteção? Se ele for impregnado de história e tradição, vale US$ 984 mil, o que, no câmbio atual, daria algo como R$ 1,81 milhão. Trata-se do valor pago em leilão feito na Califórnia ao “uniforme” usado em Le Mans por um certo Michael Delaney.

Sim, você talvez nunca tenha ouvido falar dele, a não ser que tenha paixão pelo automobilismo e cinema. Michael Delaney é ninguém menos do que o personagem encarnado por Steve McQueen em “Le Mans”, filme dirigido por Lee H.Katzin em 1971, com cenas de tirar o fôlego mesmo vendo com olhos de quatro décadas de distância. Uma película à moda antiga, com longas cenas em plano aberto, ou gravadas em meio à verdadeira movimentação no templo da velocidade. E que envolve dramas e questionamentos de um piloto chamado a defender o time da Porsche contra o esquadrão da Ferrari, envolto por seus fantasmas e culpas – não vou contar o desfecho porque merece ser visto (tenho inclusive o DVD caso alguém se interesse).

O mais interessante é que o macacão em questão, com o inconfundível patrocínio da Gulf e suas cores azul e laranja sob fundo branco não estava no museu de uma produtora. Naquele mesmo ano, o diário inglês The Observer fez um concurso entre os leitores e premiou um menino de 12 anos que morava em Wolverhampton. O tal Timothy Davies, por sua vez, já havia vendido a preciosidade, certamente por bem menos do que o valor pago agora…

A última do ano…

Bom, a menos que haja alguma corrida de trenó puxado por renas no fim de semana que vem, pelo que me consta sábado e domingo próximos são os últimos com movimentação na pista de 2011 (transmitida ao vivo pela TV, que fique bem claro). Assim sendo, esta agenda é a derradeira da temporada, à espera do que reservará o ano vindouro. E além do Rali de São Paulo idealizado por Rubens Barrichello, e da decisão do Paulista de Rali de Velocidade, em Ibaté (com dois carros do Marinelli Team brigando pelo título na categoria N2 – os de Patrick Pinzan e Chicão Vital), o destaque é a movimentação em Interlagos, com as etapas de encerramento do Itaipava GT Brasil e do Mercedes Benz Grand Challenge. O primeiro ganha destaque além-fronteira e terá, no grid, o chinês Darryl O’Young, piloto habitual do Mundial de Turismo, e uma dupla luso-espanhola (Rui Lapa e Azor Dueñas).

Domingo

12h20    Rali de São Paulo/Desafio dos Campeões           Sportv

12h30    Itaipava GT Brasil (etapa de Interlagos)              Band

14h20    Mercedes Benz Grand Challenge (etapa de Interlagos)       Rede TV

Adeus, ‘Chief Speedstar’

Num tempo em que se celebra a vida, o nascimento, qualquer perda se torna especialmente dolorosa, ainda que se trate de alguém que vivia a milhares de quilômetros de distância, mas unido por uma mesma paixão. E é engraçado como certos pilotos se tornam carismáticos, seguidos, ídolos, mesmo sem um currículo cheio de vitórias, mas pelo que mostram dentro e fora das pistas. Era o caso do neozelandês Jason Richards, o “Chief Speedstar”, que venceu muitas batalhas, mas não conseguiu superar a mais difícil delas. Astro da V8 Supercar australiana, ele lutou por 14 meses contra um câncer raro e agressivo, fez nascerem várias iniciativas de solidariedade pelo mundo, mas se foi aos 35 anos ao lado da esposa, Charlotte (deixa também as filhas Sienna e Olivia). Não serve de consolo, mas, numa temporada em que as pistas provocaram várias casualidades, mostra que risco é uma questão bastante relativa. Como bem disse João Guimarães Rosa, “viver é arriscado, viver é muito perigoso”… Descanse em paz, Chief

Presença de espírito…

Sobre o post logo abaixo, que versa (essa é antiga…), o espanhol Jaime Alguersuari divulgou um comunicado sobre a inesperada dispensa – e ele demonstra ter sido tão surpreendido quanto o restante do circo, ao afirmar que, tão logo venceu o Desafio das Estrelas organizado por Felipe Massa, em Florianópolis, recebeu, de Helmut Marko e Franz Tost, a garantia de que era imprescindível para os planos da Toro Rosso em 2012. E, elegantemente, bateu na equipe que, até o começo da semana, o incluía nos planos, pelo menos no discurso…

“Eles me convidaram inclusive para um evento da Cepsa (a petroleira espanhola) em Madri, quando voltaram a insistir no nosso projeto conjunto. Por isso, ao me dar conta da situação, pensei em três coisas: primeira, que não devo julgar a decisão, pois as mesmas pessoas que proporcionaram esta incompreensão no melhor momento da carreira me deram tudo desportivamente desde os 15 anos, e me permitiram ser um piloto de F-1 completo com apenas 21. Tive o privilégio de fazer parte da melhor equipe do mundo, com eles fui campeão inglês de F-3. Não me sinto vítima  e não é um drama, porque tenho muitos planos, profissionais e desportivos. A surpresa durou um par de horas, as necessárias para falar com a família e me dar conta de que a vida está cheia de oportunidades e desafios. Voltando no AVE (o trem espanhol de alta velocidade) e lendo as manchetes dos jornais, me dei conta de que há cinco milhões de desempregados na Espanha, e que só podemos devolver ao país a confiança e o otimismo se pensarmos em lutar e melhorar a cada dia. E é isso o que farei a partir de amanhã, por mim e todos os que torcem e acreditam”.