Cuidado com que anda lendo…

Se o amigo leitor gosta de se aventurar em busca das últimas notícias sobre automobilismo, vai um lembrete: cuidado com o que aparecer publicado nas próximas 24 horas, especialmente se envolver o nome de Felipe Massa. Não se trata de nenhum hacker, ou ameaça virtual, longe disso. Mas amanhã, também conhecido como domingo, é … 1º de abril, dia da mentira, e a brincadeira é levada a sério na Europa, principalmente. Assim sendo, publicação que se preze tem que ter seu “Poisson d’Avril”, em francês, ou “Pesce d’Aprile”, em italiano, o peixe de abril, como é conhecido (pode ser o April fool’s day também). Ao longo dos últimos anos, já se criou histórias das mais fantasiosas, e sempre tem quem acredite – até equipe de F-1 nova já surgiu – e confesso que algumas vezes é preciso ler tudo para desmontar a “farsa”. Assim sendo, cuidado redobrado. Vale se divertir procurando o que é que vai ser inventado desta vez…

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Era uma vez uma agenda…

Temporada finalmente e felizmente a plenos motores, o que é sinônimo de corridas na TV, no plural mesmo. Pena que o futebol empurra a segunda etapa da Indy, o GP do Alabama, para um canal fechado, mas há também F-Truck em Jacarepaguá e Mundial de Superbike, em Imola, sem contar o DTCC, com seus Audi A3 envenenados, em Brasília…

Domingo

7h      Mundial de Superbikes: etapa de Imola  Bandsports

13h    Audi DTCC: etapa de Brasília                Rede TV

14h    F-Truck: etapa de Jacarepaguá              Band

15h    IndyCar: GP do Alabama                      Bandsports

Telona agitada…

Antes de falar do que o fim de semana reserva na telinha, volto às telonas, que prometem várias atrações dignas do ingresso nos próximos meses – aqui falando sobre automobilismo, claro, já que bons filmes, felizmente, são bastantes. Embora um documentário, Senna, do britânico Asif Kapadia, parece ter mostrado o caminho e confirmado que o público amante da velocidade anseia por produções dignas de Grand Prix, Le Mans ou Winning (500 Milhas), filme que fez nascer no saudoso Paul Newman a paixão pela velocidade.

No fim de semana do GP do Brasil, em Interlagos, comentei (com direito a foto) de Rush, produção do premiado Ron Howard sobre a vida e a carreira de Niki Lauda e seus duelos com James Hunt. A película terá, como protagonista principal, o espanhol Daniel Brühl, de produções como Bastardos Inglórios.

Agora é a vez de a história de companheirismo e vitórias de Jackie Stewart e François Cèvert na Tyrrell virar filme. O francês com pinta de galã tinha, no escocês, um professor e se transformou no suporte perfeito para que o tricampeão levasse as coroas de 1971 e 1973. Venceu apenas uma prova, ironicamente no mesmo Watkins Glen que lhe tiraria a vida, mas quem acompanhou a época diz que tinha potencial para muito mais. E o acidente foi a pá de cal na decisão do escocês de abandonar as pistas. A fase é de escolha de elenco e Ewan McGregor é o mais cotado para o papel de Stewart.

Por fim, mais na linha da diversão simples que de recontar a história, a Dreamworks Pictures segue o caminho da rival Pixar, com a série Carros, e trabalha em Turbo. A história de uma lesma fã de automobilismo que tem a chance de vencer as 500 Milhas de Indianápolis – o tetracampeão da Indy Dario Franchitti, marido da atriz Ashley Judd, foi convidado para ser consultor e algumas feras da categoria devem dar voz aos personagens. Bom saber que as pistas andam em alta na telona, já que não faltam episódios e motivos de inspiração…

É de rali, pode acreditar…

Já comentei no blog o desejo do presidente da FIA, Jean Todt, de dar nova linfa aos ralis, seja criando novas categorias, seja favorecendo o acesso e unificando regulamentos, seja ampliando o número de modelos passíveis de homologação. Depois de ganhar as estradas da Europa, África e de meio mundo (tempos das Porsche 911, Berlinette Alpine, Lancia Stratus), os GT tiveram novamente sinal verde, inicialmente nas provas em asfalto, mas com a possibilidade de encarar a terra num futuro próximo. Se alguns 911 aceleram na França e Espanha, a única por enquanto a homologar uma versão específica foi a Lotus, que acumula quilômetros de testes pelas estradas europeias. O Exige R-GT foi desenvolvido com toda a experiência de Claudio Berro, que já foi diretor de comunicação da Ferrari nos tempos de Rubinho Barrichello, mas também comandou várias equipes de pista e rali em seu país natal, com a ajuda do engenheiro Andrea Adamo (pai do Fiat Punto Super2000). E quem se encarrega de testar a máquina é uma dupla de respeito: Luca Rossetti, único tetracampeão europeu de rali, e o jovem madeirense (da Ilha da Madeira), Bernardo Sousa. Além de tudo ficou bonito, como você pode constatar na foto…

Quase entrou areia no Obelisco

Imagine fazer uma corrida de rua no Rio tendo ao fundo o Pão de Açúcar e o Cristo Redentor, ou acelerar em torno da Torre Eiffel e pelo Champs Elysées, em Paris e mostrar ao mundo várias das belezas da cidade. Foi exatamente no que pensaram os organizadores do TC2000, um dos mais populares e desenvolvidos campeonatos do panorama argentino ao imaginar um traçado que tivesse por base a 9 de Julio, a mais larga avenida do mundo, como gostam de apregoar. Era para ter acontecido no fim de 2011, mas a burocracia, sempre ela, atrasou os planos, muito embora o prefeito bonaerense (boa essa…) Mauricio Macri fosse entusiasta da iniciativa. Polêmica superada (parecia), marcou-se 1º de abril, sem brincadeiras ou trocadilhos para que Corollas, Meganes, Fluences, Cruzes, Civics e Focus acelerassem pelo “Callejero de Buenos Aires”. Há dois meses a região central da capital portenha convivem com a instalação de barreiras de concreto, redes e de toda a estrutura necessária para um espetáculo com segurança.

Eis que, aos 45min do segundo tempo, a ilustre deputada Nelia Bisutti, do partido Nuevo Encuentro, resolveu questionar alguns detalhes. Pediu todos os documentos, licenciamento ambiental, autorizações, estudos de impacto e resolveu jogar pesado. Parecia que as diferenças políticas e a intransigência da parlamentar acabariam com toda a festa, até que felizmente, num programa de rádio ao vivo, a situação se esclareceu. Pablo Peón, organizador da categoria, garantiu que a documentação estará disponível e que todas as esferas do poder público farão o possível para amenizar os problemas – os planos de trânsito estão prontos há semanas e a região é eminentemente comercial. Não é o caso de achar que está certo sair montando pista em qualquer lugar, mas, se tudo foi feito conforme o figurino, que ronquem os motores e o público faça a festa. Alguma dúvida de que será um sucesso?

Professor pedal…

Cape Epic, mais tradicional e badalada prova de mountain bike por estágios do planeta. E o que diabos isso teria a ver com um blog de automobilismo. Nada, se eu não tivesse ido procurar por um dos atletas da dupla 184ª na classificação geral: o suíço Sebastien Di Pasqua você não conhece (eu muito menos), mas Alain Prost… Sim, o professor resolveu encarar o desafio sobre duas rodas, e não é novato na brincadeira. Enquanto boa parte dos contemporâneos apenas patinava na preparação física, o narigudo francês já acumulava milhares de quilômetros de pedaladas – depois viriam outros igualmente malucos pelo esporte como Cristiano da Matta, Fernando Alonso e Jarno Trulli, capazes não apenas de se defender mais do que bem em competições como saberem tudo o que se passa no mundo do ciclismo.

Olha que Prost, embora esteja se divertindo acima de tudo, não escolheu o caminho mais fácil. Se inscreveu na elite (há uma divisão Master) e quer chegar ao fim da brincadeira, domingo, em Cape Town (são mais de 770 quilômetros de trilhas, coisa para gente grande). Quem conhece a determinação do baixinho não tem dúvidas de que vai conseguir…

O Sandokan de Oviedo (Coluna Sexta Marcha)

*** Como é costume, segunda-feira depois de GP, é dia de coluna impressa Sexta Marcha. Quanto mais quando a prova da véspera deu pano pra manga. O mais impressionante é a insistência de alguns numa teoria da conspiração – como se a orientação dos boxes para que Sergio Pérez lembrasse da importância do segundo lugar para um time “modesto” como a Sauber fosse uma senha para deixar Alonso vencer. Os 18 pontos do piloto de Guadalajara têm tudo para pesar muito em dólares na conta dos suíços, não pelo desconto no fornecimento de motores para 2013, mas pela posição entre os construtores mesmo. E para quem chegou ontem ao circo, um segundo lugar com um carro de meio de pelotão vale ouro. Sobre a situação de Felipe Massa, melhor não acrescentar nada ao que está no papel e se juntar àqueles que torcem para que o piloto de um dia volte a ser…

    Sandokan era um pirata que vagava pelo Mar do Sul da China no século 19. Em suas aventuras, enfrentava as ameaças britânica e holandesa e ganhou a alcunha de “Tigre da Malásia”. Não existiu de verdade, mas foi fruto da criatividade do escritor italiano Emilio Salgari. Italiano, enfrentava a ameaça britânica, Tigre da Malásia, os pontos em comum são muitos para se traçar um paralelo com o que se viu durante as 56 voltas do GP de Sepang. Trazidas para os dias atuais, e de forma ainda mais específica para o Mundial de Fórmula 1, as histórias bem poderiam ganhar as feições de um espanhol de 30 anos, dono de uma confiança que beira a arrogância, de um talento dissecado em verso e prosa e de outras qualidades capazes de fazer com que brilhe mesmo quando as circunstâncias parecem jogar contra, quando os mares estão revoltos e os adversários, não só britânicos, mas austríacos e suíços, dispõem de armas mais eficientes.

    Não era uma corrida para Fernando Alonso, muito menos para o F2012. Que até o início da temporada, do primeiro treino livre em Melbourne, era apenas um carro inovador incompreendido, mas agora confirma ser um fiasco com poucas possibilidades de remédio. Absurdamente instável, sem aderência mecânica e aerodinâmica, fraco em condições de qualificação, como o F150 Italia, mas também nas de corrida, em que o antecessor mostrava algo mais. E dono de uma janela ideal de acerto estreita (e desconhecida) o suficiente para exaltar apenas o repertório de um piloto diferenciado. A bem da verdade, o Sandokan de Oviedo deve ter um pacto com as divindades malaias, espanholas e mesmo com a madonna (a virgem, não a cantora) venerada na terra natal de sua máquina. Foi beneficiado com a chuva, estava no lugar certo na hora certa e, com toda a sua experiência, não se intimidou diante de uma ultrapassagem que parecia inevitável. E seria, caso Sergio Perez não se deixasse surpreender pelo excesso de confiança – aliás, único senão em uma corrida irrepreensível. Eu era daqueles que viam no mexicano de apenas 22 anos muito mais o peso de seus milionários patrocinadores do que um talento em potencial, mas a capacidade de poupar pneus e apostar em estratégias arriscadas com sucesso no ano passado começou a mudar minha opinião.

    Pior para o outro integrante da nau de Maranello. Será tão absurda a grita da imprensa italiana, que, como a Ferrari, esperou três longos e intermináveis anos pelo Felipe Massa de um dia? Nós, brasileiros, quando não queremos enxergar as evidências, adoramos perguntar: “por que todos os problemas se concentram no carro de fulano?” (por fulano entenda Barrichello, Massa, ou quem mais couber na descrição). Talvez seja o caso de começar a questionar: “por que fulano não tem a mesma “sorte” de beltrano”? (e substitua beltrano por Schumacher, Alonso ou Button que vale do mesmo modo). E a resposta é cristalina como talvez não sejam os mares do Sul da China. Não se trata de sorte. Quem larga quatro posições à frente está em situação bem mais favorável para se aproveitar dos problemas alheios; ganha a preferência na estratégia de pitstops e, é lógico, está geograficamente mais próximo do alto do pódio. Perder terreno para um objeto voador branco e cinza identificado (a Sauber de Perez, notadamente o carro mais rápido em Sepang) é uma coisa. Não conseguir se desvencilhar de Petrov e Ricciardo na briga pelo 15º lugar é outra bastante diferente. Difícil discordar do diretor da Autosprint, Alberto Sabbatini, tão execrado por alguns ao dizer, num editorial que Felipe parece “a sombra pálida do piloto veloz e raçudo de outros tempos”

    Aposto que hoje, na reunião habitual das segundas-feiras pós-GP em Maranello, ninguém vai se esconder do fato de que a Ferrari também é uma sombra pálida da equipe dominadora e capaz de ditar tendências. E o presidente Luca di Montezemolo não vai mudar o discurso cauteloso para afirmar que sua escuderia voltou a ser o que era. Mas resultados como o de ontem, além de ajudar o carisma de Alonso a se afirmar ainda mais no imaginário dos tifosi, servem como ponto de partida para sair de uma espiral negativa, mostrar que é possível, dar novo ânimo e perspectivas a um trabalho que ainda promete ser árduo. Algo de que o ex-entregador de quentinhas em Interlagos também precisava. Porque artilheiro que não faz as pazes com as redes começa a ser vaiado e acaba no banco (ou mesmo negociado, nos casos mais sérios), caso não consiga se explicar a tempo.

    Por fim, palmas para o outro grande vencedor do GP malaio, que não estava no pódio, diferentemente de Alonso, Perez e Hamilton (o terceiro sem grande mérito ou virtude, a bem da verdade). Boa parte da imprensa europeia deu mais valor do que a brasileira ao fato de Bruno Senna ter tirado a vaga de Rubens Barrichello na Williams, como se fosse crime de lesa-pátria ou fruto único e exclusivo da mala cheia de dólares. Que eu saiba, o sobrinho de Ayrton nunca prometeu ser campeão mundial ou falou mais do que seus resultados. Trabalhou e trabalha quieto, tem altos e baixos, mas mostrou que está à vontade num time que começa a ver a luz no fim do túnel. Teve problemas no enrosco da largada, contou com uma estratégia inspirada dos boxes e fez sua parte com agressividade e cautela dosadas na medida certa num domingo de chuvas, trovoadas e aderência precária em Sepang. Não quis ser Senna, e foi Bruno, conseguindo muito. A continuar assim e não seria absurdo começar a conjecturar um casamento que não chegou a tempo para o tio: o do capacete verde e amarelo com o vermelho de um certo cavalinho empinado…

Bela máquina e boa notícia…

Depois de quase fechar as portas e encontrar a salvação numa parceria com a Fiat, a Chrysler começa a dar mostras de sua recuperação quando falamos no automobilismo. Bem verdade que a montadora, assim como sua divisão Dodge ficaram mais conhecidos inicialmente com a Nascar e, anos depois, com o Viper, que ganhou status de mito.

Novos tempos, novas apostas. Se o investimento na Stock Car dos EUA segue forte, apesar de a Penske ter decidido trocar as máquinas da Chrysler pela Ford – a marca revelou seu Charger 2013 e, como querem os dirigentes da Nascar e o público, ele está bem mais próximo da versão disponível nas concessionárias – outra modalidade entrou no radar. O leitor mais assíduo deve lembrar do post sobre o Global Rallycross, série norte-americana que se transformou em coqueluche dos X Games, partindo do regulamento europeu da modalidade, com alguns ajustes. O campeonato une feras consagradas como Marcus Gronholm e Ken Block a destaques de outros esportes, como os freestylers Travis Pastrana e Brian Deegan.

Pois Pastrana foi o escolhido para representar a Dodge com o recém-lançado Dart na competição. E se pode andar no GRC, pode perfeitamente se transformar numa máquina de rali também – até lembra, na versão mostrada, o Mitsubishi Lancer Evolution X. Iniciativa assim sempre merece aplausos…

Na chuva é assim…

Na onda da computação gráfica e das brincadeiras que por vezes são quase mais realistas do que a realidade, aí vai mais um vídeo da Pirelli para a temporada da F-1. Em 1min43s, tempo que mal dá para percorrer um giro em Sepang, as imagens mostram como funcionam os compostos Cinturato verde (intermediário), para condições de pista apenas úmida, ou azul, o full wet, para quando o céu resolve desabar com força total. Dá para ter uma ideia de como o desenho dos sulcos e a capacidade de escoamento da água são fundamentais. Acompanhe a brincadeira então…

É pra não sair do sofá…

Se alguém tinha alguma dúvida de que a temporada do automobilismo nacional e internacional finalmente “pegou no breu”, é só dar uma olhada na agenda da TV neste fim de semana. O longo e tenebroso inverno já havia passado, mas a coisa agora é caprichada. Tem campeonatos dos mais variados, aqui e lá fora, de um lado do mundo e de outro, que é para ninguém reclamar. Ou quase ninguém, já que o difícil vai ser convencer familiares, companheiros e amigos de que o quente é ficar de olhos e ouvidos ligados na telinha…

Sexta

23h55   GP2: etapa da Malásia (primeira corrida)               Sportv

Sábado

2h         Fórmula 1: GP da Malásia (terceiro treino livre)     Sportv

5h         Fórmula 1: GP da Malásia (treino oficial)               Globo

Domingo

5h         Fórmula 1: GP da Malásia (corrida)                       Globo

9h30     Stock Car: etapa de Interlagos                               Globo

13h       Copa Montana: etapa de Interlagos                        RedeTV

14h       IndyCar: GP de Saint Petersburg (corrida)              Band