Fenômeno de Massa

Passam as etapas do Mundial de Fórmula 1 e a falta de resultados de Felipe Massa, que segue sem marcar pontos enquanto Fernando Alonso, aos trancos e barrancos, soma 37, só aumenta a munição da imprensa italiana, que passou do estágio de pedir a cabeça do brasileiro da Ferrari para apostar no bom humor – sobram piadas em veículos mais ou menos sérios afirmando que a escuderia de Maranello é o único time de um só piloto, ou que mantê-lo no comando do carro 6 é desperdício de gasolina – a nota atribuída ao vice-campeão do mundo em 2008 despenca a cada GP, e não são poucos a lembrar que, fora ele, apenas os pilotos das três equipes mais fracas (Caterham, Marussia e Hispania) não saíram do zero.

Lógico que Massa, por menos competitivo que possa ser, é o primeiro a se pressionar – isso é máxima que vale para qualquer piloto de competição, especialmente quando se vão dois anos dos últimos rasgos de competitividade (não é possível que ele não sinta a obrigação de mostrar o talento dos bons tempos, que não sinta saudades dos tempos de poles e vitórias, que não queira mexer em suas estatísticas, há tanto tempo paradas).

Só que… só que mesmo o maior vencedor da categoria em todos os tempos não conseguiu, sozinho, fazer da Mercedes um carro vencedor. Para que isso ocorresse, passaram três anos, Ross Brawn precisou reunir um time competente nos bastidores e a fábrica alemã investiu a fundo perdido até colher os frutos. Felipe sentiu particularmente a proibição dos testes extra-oficiais e não consegue se encontrar numa era em que é fundamental ser bom no simulador. As exigências da F-1 não combinaram com seu estilo, a falta de carga aerodinâmica especialmente na dianteira comprometeu sua pilotagem. Os pneus Pirelli mudaram bastante as reações das máquinas e o brasileiro continua perdido. De quem não conseguia aquecer os pneus rapidamente, passou a destruí-los em poucas voltas, e lógico que o F2012 não ajuda.

Mas não há como imaginar, por enquanto, uma estratégia a la…Sergio Pérez (a comparação não é proposital, mas assim o mexicano fez a Sauber dar um salto ano passado), com uma parada só e um ritmo constante. Lógico que ele, o fiel engenheiro Rob Smedley e as demais cabeças pensantes da Scuderia estão queimando fosfato para encontrar uma solução, mas não podem deixar de lado o programa de desenvolvimento do carro, que não nasceu bem como se previa e está distante de ser uma máquina capaz de brigar por vitórias. Continuo acreditando que é como a bola de neve: quando a maré virar, o aspecto psicológico se encarrega de estabilizar as coisas, mas a cobrança é cada vez maior, o tempo urge e fica a certeza incômoda de que Felipe hoje, numa eventual volta à ponta, será obrigado a lidar com o comentário “Fernando é mais rápido que você” e abrir caminho. Ele continua acreditando num quadro semelhante ao de 2008, quando começou mal, iniciou a recuperação no Barein e terminou o ano acariciando a taça, mas Alonso não é irregular como Raikkonen, e uma série de coincidências digna de última rodada de Copa Libertadores teria de ocorrer para deixar o brasileiro numa situação mais confortável. Torcida não falta, tomara que ainda seja tempo…

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