Parabéns a Erechim

Ainda não foi este ano que pude conhecer Erechim pessoalmente, mas confesso que fiquei de olho em tudo o que se passou na cidade gaúcha durante mais uma edição do Rally Internacional. Que, como já havia comentado, reuniu 74 duplas, um recorde na história da modalidade no país (estamos falando das provas de velocidade, bem entendido). E nem o grid elástico foi capaz de trazer problemas ou criar dificuldades. As imagens, em foto ou em vídeo, mostram um público apaixonado e numeroso, carros incríveis – de um Ford Fiesta Super 2000 que custa em torno dos R$ 700 mil a um pré-histórico Fiat 147 da turma do Simehpossivel rally, já apresentada por estas bandas, passando pelos XRC, 4×4 made in Brazil em que eu tive o privilégio de andar como passageiro. E teve diversão democrática para todos, saltos, show e uma prova de muita competência da organização. Que pleiteia, de forma merecida, o privilégio de realizar uma etapa brasileira do WRC, o Mundial. Em tempo, a vitória na classificação geral ficou com o Mitsubishi Lancer Evo X R4 dos paraguaios Saba e Aguilera, mas vencedores foram todos os que participaram.

Tomara que seja o renascimento em grande estilo do rali brazuca, tomara que tenha sido pior que o de 2013 e, como sonhar não custa (falando em sonho, já estou pedindo, via facebook, uma ajuda a quem se dispuser a quebrar o porquinho e colaborar com uma moedinha que seja, depois falo com calma neste espaço), que ano que vem eu possa falar diretamente das paragens gaúchas sobre um evento tão especial…

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Agenda que invade a rede…

Já havia algum tempo a ideia de falar sobre a oportunidade fantástica proporcionada pela internet para os fãs da velocidade vinha na listinha de prioridades para o blog. A senha foi a terceira etapa da American Le Mans Series, as 6h de Laguna Seca. Qual não foi a surpresa boa ao descobrir que o site oficial da categoria transmitiu a prova na íntegra, com o mesmo sinal exibido pela ESPN3 para o público norte-americano. E assim também foi com o Mundial de Endurance – tanto as 12h de Sebring quanto as 6h de Spa-Francorchamps podiam ser vistas mesmo por alguém com internet de banda não tão larga, e se você não domina o inglês, basta abaixar o volume e curtir as imagens, que a classificação da prova aparece em tempo real. Estou preparando a listinha dos campeonatos, sites e confederações que acordaram para os novos tempos e nos permitem acompanhar eventos até então impensáveis. Enquanto isso, trago, junto à agenda da TV do fim de semana, os links do que estará disponível na rede – e olha que as 24h de Nurburgring estão no cardápio, com seus 219 carros, baterista de banda famosa, o brasileiro Lucas di Grassi defendendo nossas cores numa McLaren MP4-12 GT e o fascínio do Nordschleife em seus 25 quilômetros.|E tem também o sensacional Rali Internacional de Erechim. Curta então, na TV ou no computador…

Sábado (19)

8h  Mundial de Moto GP: GP da França (treinos oficiais Moto 3/Moto 2/Moto GP)

Sportv

9h  24h de Nurburgring (live streaming no http://www.24h-rennen.de/LIVE.94.0.html)

15h30   500 Milhas de Indianápolis (Pole day)                                         Band Sports

20h30   Nascar Sprint Cup (All-Star Race – Charlotte)                            Fox Sports

+ Rally Internacional de Erechim (live streaming no www.rallyerechim.com.br)     

Domingo (20)

6h      Mundial de Moto GP: GP da França (Moto 2/Moto GP/Moto 3)    Sportv2

9h30  Stock Car (etapa de Ribeirão Preto)                                               Globo

12h    Mundial de Motocross: GP Brasil MX1/MX2                                  Sportv/Band Sports

15h30 Nascar Nationwide Series (etapa de Charlotte)                              Fox Sports

+ Rally Internacional de Erechim (live streaming no www.rallyerechim.com.br)   

Eu queria estar lá (ou aí…)

Não foi por falta de vontade, mas o equipamento não ficou pronto à tempo. Porque a vontade era, neste exato momento, de estar em Erechim, no Rio Grande do Sul, para a maior prova da história da modalidade no Brasil. Sim, já recebemos o Mundial, o Graciosa, em Curitiba, valeu por duas ocasiões como etapa do IRC, o Intercontinental Rally Challenge, mas nunca antes na história deste país um grid reuniu 74 duplas. E feras da Argentina, Uruguai, Paraguai e Bolívia, além de 46 carros verde e amarelos, número que não se via por estas bandas há muito tempo. E será ainda a estreia do XRC, o projeto comandado por Maurício Neves e Armando Miranda que transformou um carro de rua numa máquina 4×4 capaz de rivalizar com o que de melhor existe no planeta, com um olho nos custos. A voltinha nos treinos em Curitiba foi de arrepiar, imagino como será em condições de competição, rasgando as belas estradas de terra da capital nacional do rali.

Já que o Palio com as cores da bandeira da Itália ainda não está em condições de encarar o tipo de desaforo que provas como esta proporcionam – estamos falando de uma etapa do Sul-Americano (Codasur), reconhecido pela FIA – fica daqui, de Belo Horizonte, a torcida para que a competentíssima equipe do EAEC, capitaneada por Cláudio Pagliosa, Dirceu Cabral e o folclórico Tenebro (que já acelerou um Vectra nas etapas do Gaúcho), dê mais uma vez um show. E que pilotos e navegadores proporcionem um espetáculo que represente a volta do rali brasileiro a seus melhores momentos – e quem acompanha este que vos escreve e suas aventuras no esporte promete fazer de tudo para estar na segunda prova, em Passo Fundo, de preferência com um grid tão animador quanto. Está mais do que na hora do coração do Brasil bater por este esporte…

É grave a crise…

Que a situação econômica pelas bandas da Europa não anda das melhores não é propriamente novidade. Mas que uma das mais tradicionais fabricantes de veículos de competição andava novamente mal das pernas é uma surpresa. Criada em 1958 por Eric Broadley, a Lola fez história tanto nas categorias de fórmula quanto entre protótipos de carros GT, viveu um namoro conturbado com a Fórmula 1, em várias fases, e parecia ter saído do fundo do poço quando o empresário irlandês Martin Birrane a salvou da falência no começo da década passada. Na ocasião, havia perdido o fornecimento de chassis para a Indy e a GP2 (ambos para a Dallara) e resolveu direcionar o foco para os protótipos. Manda na American Le Mans Series (acabou de entregar um B12/80 LMP2 Coupé ao time do ator Patrick Dempsey), tem cinco carros no Mundial de Endurance, sem contar os que aceleram na European Le Mans Series. E é parceira de várias montadoras, desenvolve projetos paralelos, domina a arte dos materiais compostos a ponto de se transformar em fornecedora das forças armadas britânicas. Agora chega a notícia de que a divisão Motorsport (a Lola Cars) encontra-se sob administração judicial (está em concordata, para usar outras palavras). Tomara que resolva as pendências e se mantenha na ativa. Não é saudosismo, mas diante do desaparecimento de concorrentes como Ralt, Reynard e March, seria bom que tanta tradição não fosse desperdiçada…

De carona, em Sebring

A aula de pilotagem de Bruno Junqueira na terceira etapa da American Le Mans Series, as 6h de Laguna Seca, serve como ótimo pretexto para postar este vídeo. Para quem não viu, ele herdou o protótipo Oreca Chevrolet da equipe RSR a uma volta de distância dos primeiros na categoria LMPC, recuperou o terreno perdido e, mesmo obrigado a cumprir duas punições nos boxes por irregularidades nos pitstops (do time, não dele), liderou e cruzou a linha em segundo a 0s3 do vencedor, com direito à quarta posição geral entre os 34 carros que largaram. Nestes 4min10 de imagens, estão algumas voltas pelo lendário circuito de Sebring, sensacionais para entender o que é comandar um carro leve, ágil e movido por um V8 Chevy (aliás, o barulho é uma atração à parte). Clique na foto e curta então. Vale ver…

O chato da vez? Que chato que nada… (Coluna Sexta Marcha)

*** Aí está a coluna publicada no Estado de Minas desta segunda-feira sobre um GP que, sem trocadilhos, promoveu uma revolução no circo e trouxe a mais um piloto, depois de Nico Rosberg, na China, a sensação extasiante de ocupar o alto do pódio pela primeira vez. O mais curioso é que tudo ocorreu numa pista que, por uma série de circunstâncias que eu explico abaixo, é a mais chata do calendário, para pilotos, equipes e espectadores. E felizmente a festa não se transformou em drama – ainda bem que o trabalho nos boxes é cada vez mais seguro e cenas como as de ontem são coisa rara nos tempos atuais. O que nos reservam Mônaco e o restante da temporada? Eu já não apostava, agora menos ainda…

Isso é que dá querer encaminhar a coluna antes de os sinais vermelhos se apagarem e a linha de chegada ser cruzada 66 vezes. Sim, porque a ideia era falar da condição atual dos 4.655m de Montmeló no calendário do Mundial de Fórmula 1. Houve um tempo, nem tão distante assim, em que pensar no GP da França era imaginar uma corrida sem sal, sem atrativos, aquele domingo em que ligar a TV não era, por assim dizer, tão interessante. E olha que começou em Paul Ricard (talvez pelo fato de nenhum brasileiro nunca ter vencido por aquelas bandas e a grande emoção em um longo tempo ter sido o voo de Maurício Gugelmin na largada do GP de 1988) e continuou em Magny-Cours, que deixou o calendário com direito a Felipe Massa no alto do pódio, mas não deixou saudades.

Mas, falava eu sobre Barcelona. Como o traçado mudou muito pouco desde sua inauguração (tempos em que Nigel Mansell e Ayrton Senna desciam o retão emparelhados e deixando para frear muito além do ideal), herdou das vizinhas pistas francesas a condição de circuito mais sem sal do ano. Senão vejamos: são só curvas de média, em que os carros mais equilibrados levam a melhor. Não há aquele ponto em que pilotos e espectadores prendam a respiração, em que um pouquinho a mais de coragem e habilidade façam a diferença, em que seja possivel esperar o inesperado. Os pedaços de borracha criam um trilho, o principal desafio é manter precisão milimétrica nas trajetórias, já que qualquer passeio pelas áreas de escape é pago cash, com a perda de posições que costumam não voltar por mais que se tente.

Conjunções adversativas à parte, eu seria apedrejado em praça pública se dissesse que o que ocorreu ontem não fugiu à regra. O amigo leitor certamente diria que o colunista assistiu outra corrida ou tentou desvendar os mistérios da quinta etapa do Mundial no idioma pátrio de Vitaly Petrov ou Narain Karthikeyan. Realmente o GP foi sensacional, e é de se imaginar quanta gente não foi obrigada a engolir o que disse ou escreveu sobre um piloto nascido em Maracay, que desembarcou no circo com a mala lotada de petrodólares (ele não tem culpa de o país comandado por Hugo Chávez ser um dos maiores produtores do planeta). Aliás, não queria estar na pele dos donos de casas de apostas, pois deve ter gente ganhando fortunas, na base dos 200 dólares por um. Merecidíssima a vitória de Pastor Maldonado, como a da Williams, que até ano passado caminhava a passos trôpegos na segunda metade do pelotão. Muitos latinos começaram assim, com dificuldade para domar o talento até que, uma vez domesticado, passou a causar estrago nos adversários (um certo Felipe Massa entre eles, que, como bem diz o patrão Luca di Montezemolo, ontem mandou para a pista o irmão gêmeo, bem pior de volante).

Ok, não faltaram ultrapassagens, o suspense durou até a bandeirada, mas o que realmente decidiu o desfecho da prova não foi qualquer manobra. Foram, por exemplo, o excesso de soberba (ou o erro infantil) da McLaren, que com 10 litros de gasolina a mais no tanque daria a pole a Lewis Hamilton do mesmo jeito, com sobras. Ou o trabalho nos boxes, a capacidade de poupar os pneus, se desvencilhar do tráfego com pitstops feitos na hora certa. Tanto assim que primeiro e segundo no grid terminaram na mesma ordem, enquanto terceiro e quarto trocaram de posição sem se encontrar na pista. Melhor que linhas muito tortas ajudaram a escrever as linhas certas do que foi o fim de semana.

E, como este é, depois do campeonato ganho a passos de elefante pela Red Bull, tempo do trabalho de formiguinha, sabe-se lá se o esforço de Hamilton, Vettel e Webber para somar alguns pontinhos não fará a diferença lá na frente. Porque prever qualquer desfecho diante de um começo de ano com cinco pilotos e igual número de times a ocupar o degrau mais alto do pódio não é aposta, é salto do penhasco sem paraquedas. E tudo indica que a vez de Lotus e Sauber ainda vai chegar. Pensar que este tem tudo para ficar marcado como o GP chato do ano. Então, que Mônaco chegue logo, que a coisa tá boa…

Adeus a uma lenda

Ainda bem que a carreira como instrutor e piloto de caça na 2ª Guerra Mundial, a tentativa de comandar um depósito de entulho ou de virar criador de galinhas não deram certo. Fosse o contrário e o mundo do automobilismo teria perdido a genialidade discreta de um texano que, depois de viver intensamente por 89 anos (duas décadas deles com um coração transplantado), resolveu trocar as pistas terrestres pelas celestes. O nome talvez não diga muito, mas, falar em Shelby é evocar uma geração de máquinas especiais respeitadas pela qualidade e eficiência. O que dizer do único homem no planeta a conquistar as 24h de Le Mans como piloto (em 1959, com o inglês Roy Salvadori, no comando de uma Aston Martin), construtor (Shelby Cobra) e chefe de equipe (o lendário esquadrão Ford que ousou desafiar a Ferrari e triunfou com o GT40)? O problema cardíaco congênito afastou Carroll Shelby do volante, mas não das pistas. E nelas fez história. Descanse em paz, grande Shelby. Suas criaturas e feitos são eternos…

Agenda curta, mas veloz…

Eis que, se a semana passada foi pródiga em corridas ao vivo pela telinha, a atual é, digamos, mais modesta, o que não quer dizer que não haja o que assistir. Claro que as atenções estarão voltadas especialmente para o que se passará em Montmeló, seja na irmã maior F-1, seja na irmã menor GP2. Mas (e atendendo a pedidos) também tem velocidade da boa do outro lado do Atlântico, seja com a Nascar, que bate ponto em Darlington, seja com a Grand-American Series e seus protótipos e GTs em Nova Jersey.

Sábado (12)

6h Fórmula 1: GP da Espanha – terceiro treino livre Sportv

9h Fórmula 1: GP da Espanha – treino oficial Globo

10h40 GP2: etapa de Barcelona Sportv

20h Nascar (etapa de Darlington) Fox Sports

Domingo (13)

5h35 GP2: etapa de Barcelona Sportv

9h Fórmula 1: GP da Espanha Globo

14h Grand-American Series (etapa de Nova Jersey) Fox Sports

O baterista veloz e as 24h de Nurburgring

Bem que eu gostaria estar em Nurburgring neste exato momento, para curtir de perto a atmosfera de uma prova tantas vezes comentada pelo blog, de tão interessante. Dos números gigantescos eu falei em outro post, mês passado: serão 219 carros batendo rodas pelos 25.297m do traçado longo da pista alemã, esparramado por um monte de pequenas cidades que mais parecem saídas de contos de fadas. E a tradição das 24h, que chegam à edição 40, se confirma: no mesmo pelotão estarão McLaren MP4-12, BMW Z4, Ferrari 458, Aston Martin Vantage, Corvette, Porsche 911 (muitas), o protótipo P4/5 (de inspiração ferrarista e mecânica idem)  e… VW Golf, Mini Cooper ou outros brinquedos mais modestos.

Pois uma olhada mais atenta na lista de inscritos proporcionou descobertas interessantes, outras menos. Uma interessante? Um dos pilotos do BMW 135D GTR de nº 184 é o britanico Neil Primrose. Sim, e daí, você deve estar perguntando… E daí que Mr.Primrose é mais conhecido nos palcos e pelos fãs da música na terra da rainha, já que é o baterista da bastante conhecida banda Travis. E a paixão pela velocidade não é de hoje. Tudo começou nos ralis, no comando de um modesto Ford Ka, quando havia um troféu para os pequenos no Inglês de Rali. E não dá para falar que, como piloto, ele é um ótimo baterista, porque andou melhor do que a expectativa. E certamente vai se divertir no fim de semana ao pisar no asfalto sagrado do lendário circuito alemão. Vai dar rock, com certeza…

Imagens de um dia histórico

Maranello parou, e voltou no tempo três décadas. O tempo exato desde aquele triste 8 de maio de 1982, quando a Ferrari encontrou a March de Jochen Mass a baixa velocidade em um trecho de visibilidade prejudicada do traçado belga de Zolder. Morria o piloto, nascia o mito chamado Gilles Villeneuve. Capaz de emocionar e interessar mesmo àqueles que não eram nascidos na ocasião, mas que, graças às imagens, podem ter uma ideia da habilidade, da grinta (raça) do canadense, o que justifica seu lugar especial no coração dos ferraristas. E para marcar a data, além da exposição do post logo abaixo, a equipe do Cavallino quis mostrar todo o seu reconhecimento. E convidou o filho, Jacques, que nunca conseguiu comandar um carro vermelho na F-1, para percorrer emotivas voltas no comando do 312 T4 que um dia foi do pai. Felipe Massa e Fernando Alonso estavam lá, mas principalmente vários reminescentes daquele período, a começar por Luca di Montezemolo. Com algumas imagens do evento, o blog presta também sua homenagem a um gênio, que nem precisou ser campeão para ser ídolo, lenda…