Vettel Style – Coluna Sexta Marcha

*** Aqui vai a íntegra da coluna Sexta Marcha publicada na edição de hoje do Estado de Minas sobre o GP da Coreia do Sul. Como não poderia deixar de ser, o texto pega carona no grande sucesso do país asiático no momento, que não é nenhum carro de qualquer montadora ou eletrônico de última geração. Porque a corrida em si, por mais que tenha passado a impressão de emoção, valeu mesmo pela primeira volta e pelas ultrapassagens que só ocorreram graças ao DRS. Nem mesmo o desgaste de pneus acabou fazendo a diferença. E, só para reafirmar, a coluna tira merecidas férias, mas o blog segue na ativa, rumo ao post 900, que está quase chegando…

Vettel Style

Disse uma vez o falecido artista plástico norte-americano Andy Warhol que todo ser humano teria direito, um dia na vida, a seus 15 minutos de fama. Parece ser o caso do rapper sul-coreano Psy e seu sucesso Gangnam Style, que por um daqueles fenômenos que só o advento da internet pode explicar, ganhou o mundo, foi visto por centenas de milhões de pessoas pelo globo. Coincidência ou não, e ainda que o circuito de Yeongam tenha alma de concreto e asfalto, também ele ganha seus 15 minutos de notoriedade assim que o circo da F-1 desembarca com caixas e bagagens na longinqua cidade.

Eu explico: por mais que seja uma potência consolidada, um tigre asiático, o país tem tradição quase nula no automobilismo de competição, ainda que reúna diversas montadoras, algumas das quais representadas em campeonatos internacionais (a Hyundai, por exemplo, volta ao Mundial de Rali depois de uma primeira tentativa não muito bem-sucedida). Não se ouve falar em kartistas de potencial, em pilotos desembarcando na Europa para fazer carreira ou mesmo em séries de sucesso – tanto assim que somente agora os sul-coreanos ganharão um segundo circuito internacional, com o sugestivo nome de Autopia (auto + utopia).

O problema do GP sul-coreano nem tanto é a localização remota (no primeiro ano houve quem, por falta de hotel, fosse obrigado a dormir em quartos com espelho no teto e banheira de hidromassagem, mais usados para outro tipo de esporte) ou a falta de tradição do país. Tudo é muito bem feito (vá lá, quase, pois demoraram uma eternidade para tirar o carro de Nico Rosberg do retão, justamente quando o pelotão estava mais próximo), os pilotos até que gostam da atmosfera, mas…

Mas, o traçado, um dos tantos que levam a assinatura de Hermann Tilke e seus comandados, foi concebido em dia pouco inspirado. Dois retões e uma sequência infinita de curvas de média e baixa velocidade e retinhas curtas (no jargão da F-1, uma pista “Mickey Mouse”). Se há locais em que o uso do DRS é totalmente dispensável, como Monza ou Spa, em Yeongam, região de Mokpo, província de South Jeolla, não fosse ele e teríamos uma procissão interminável. Não foi assim em 2010 porque choveu o tempo todo e, ano passado, já havia ficado claro.

Imagine os carros descendo a reta mais longa, de 1.050m, com velocidades iguais e um ponto de freada inquestionável. No fim das contas teríamos Sebastian Vettel vencendo com Webber em segundo, Alonso em terceiro e Massa em quarto, do mesmo modo, mas com emoção ainda menor. Nico Hulkenberg foi o único a desafiar a lógica e ultrapassar (e logo dois ao mesmo tempo) onde na teoria não dava. Felizmente o circuito de Buddh, palco do GP da Índia, foi desenhado por Tilke em momento bem mais inspirado, e pode proporcionar outro tipo de corrida. Está claro, no entanto, que a Red Bull vem em fase ascendente, nem tanto por conta de dispositivos milagrosos, mas pela atenção aos detalhes, enquanto a Ferrari vive tendência oposta. E o pior é que as McLarens, que poderiam arbitrar a luta, ficam pelo caminho. No mínimo curioso o fato de que, por duas provas seguidas, Lewis Hamilton tenha problemas sérios, inadmissíveis para um time de tamanha competência. É torcer para as coisas se embaralharem a tal ponto que o alemão não chegue novamente a Interlagos com a taça na mão.

Bem que eu falei

Não é o caso de ser mais verdadeiro que a verdade, ou de ter chutado em algo que parecia lógico, mas eu disse e reafirmo. Felipe Massa já estava com a renovação do contrato acertada quando desembarcou na Coreia do Sul, apesar dos desmentidos tímidos (e que não convenciam) da Ferrari. É de se descobrir o que mudou tanto no acerto do carro para que ele tenha feito a prova que fez, pois justamente quem mais consumia os pneus terminou com os seus em melhor condição, empurrando o companheiro e mostrando que passaria se e quando quisesse. É esse piloto que a escuderia, quem gosta da F-1 e especialmente nós, brasileiros, mais queremos.

Férias

A coluna e seu titular saem de férias a partir de hoje e passam de passagem pelos GPs da Índia e dos Emirados Árabes. Mas voltam para a reta final do campeonato, nos EUA e em Interlagos. Até…

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