Sardinha na brasa alheia…

É mais ou menos assim: um alemão de Heidelberg, praticamente expulso da F-1, vem fazendo bonito na Nascar (venceu uma corrida na Truck Series e outra na Nationwide). E a França pode se gabar de ter, além de Sebastien Bourdais, um bicampeão na Indy, além de vencedor das 500 Milhas de Indianápolis. O primeiro se chama Nelsinho Piquet, o segundo, Gil de Ferran.

Não entendeu nada? Pois essa é a grande mania no automobilismo em vários países, estimulada em boa parte pela imprensa e pelos patrocinadores, que não querem perder o atrativo em mercados destacados. Se o avô do primo-irmão do pai tem raízes em determinada nação, então o piloto é considerado “dos nossos”, e vira uma verdadeira salada, por mais que os macacões carreguem as bandeiras que deveriam ser as defendidas oficialmente pelo bota em questão.

A França se mostra a campeã nesse tipo de ajuste, e menos mal que Gil, filho do engenheiro Luc de Ferran, este sim francês, nunca foi incluído no time. O mais novo campeão do DTM, Bruno Spengler, realmente nasceu na Alsácia, mas foi pequeno para o Canadá e se sente canadense (está lá a bandeira na lateral da BMW para não deixar dúvidas), mas o pessoal do “bleu, blanc, rouge” não deixa de tirar sua casquinha. E o que dizer de Romain Grosjean? Natural de Genebra, suíço de carteirinha, mas, enquanto Jean-Eric Vergne e Charles Pic não eram confirmados na F-1, se tornou a grande atração, o eleito para dar fim ao incômodo jejum iniciado quando da saída de… Grosjean da Renault, em 2009.

Pois os conterrâneos de Alain Prost e Sebastien Loeb, não contentes com os 13 títulos mundiais da dupla, resolveram até “adotar” o também suíço Edoardo Mortara, que de suíço tem pouco, francês, então, muito menos. Filho de pais italianos, família italiana que atravessou a fronteira para trabalhar, ele carrega “il tricolore” em seu Audi no DTM, aí sim uma decisão natural e justificada. Curioso é que, em momento nenhum, os gauleses fazem questão de lembrar que Jules Bianchi é descendente de uma família de craques do volante… belgas – sobrinho-neto de Lucien Bianchi, destaque na F-1 e nas provas de endurance dos anos 1960.

Menos mal que ninguém resolveu mexer com os representantes verde-amarelos: ainda que Nelsinho seja filho de holandesa e tenha nascido na Alemanha, não justificaria defender as cores de qualquer dos dois países – Nico Rosberg é diferente, pois sequer sabe falar finlandês fluentemente e fez toda a sua vida na Alemanha. Com Gil é a mesma coisa. E o fã do automobilismo que se vire com essa confusão geográfica – por enquanto não parece ser o caso de precisarmos naturalizar ninguém…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s