Agenda que invade dezembro…

Não adianta procurar lá fora: tirando alguns eventos festivos, como a Corrida dos Campeões, agora em Bangcoc ou o Motorshow de Bolonha, competições internacionais na TV agora só em 2013, depois de mais um ano repleto delas. Felizmente o calendário verde e amarelo ainda reserva a reta final de seus campeonatos para esta época da temporada, o que garante emoção na tela por mais algumas semanas. Brasileiro de Marcas e GT Brasil puxam a fila, ambos no Paraná. Pena que, além de Cascavel e Curitiba, o calendário tenha reservado para Londrina uma prova nacional, os 500km, válidos pelo que foi Top Series e virou Brasileiro de Endurance, como nunca deveria deixar de ter sido. Com três eventos de tanto peso num mesmo fim de semana, pilotos e equipes se dividem e a possibilidade de grids maiores, em alguns casos, não se concretiza. Coisas das nossas pistas, tão maltratadas recentemente…

Domingo

12h          GT Brasil (etapa de Cascavel)                                     Rede TV

13h20      Brasileiro de Marcas (etapa de Curitiba)                      Rede TV

14h30      Mercedes Benz Grand Challenge (etapa de Cascavel)  Rede TV

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Nelsinho Piquet: hoosier ou redneck?

Era dificil imaginar que Nelsinho Piquet se sentiria tão à vontade no universo norte-americano da velocidade quando de sua saída do Mundial de F-1. Nem tanto por ele, mas pela mudança radical de cultura – de um piloto blindado por assessores, mimado como pode ser alguém na principal categoria do esporte, ele passou a encarar pistas no meio do nada, adversários capazes de resolver diferenças no punho, a dura lei dos ovais e a desconfiança natural dos nativos com alguém que não subiu a ladeira como eles, mas chegou de repente de outro mundo, outra realidade.

Três anos depois, ele já pode escolher se se considera hoosier (os nativos do estado de Indiana) ou redneck (os sulistas, de pescoço vermelho devido ao sol – e nesta região está Charlotte, a meca da Nascar). Não apenas venceu corridas em duas divisões do campeonato como colocou o #30 constantemente nas primeiras posições, ganhou respeito na marra e cada vez mais se sente confortável no novo universo, a ponto de se aguardar uma subida para a Nationwide e a preparação para o salto que o levará à Sprint Cup nos próximos anos.

Pois se a temporada oficial da categoria chegou ao fim e Nelsinho poderia perfeitamente se divertir fazendo outra coisa, mas resolveu fazer o que sabe e vai encarar o Snowball Derby. Sabe o que é? Confesso que nem eu sabia. Uma espécie de corrida dos campeões dos Superlate Models, no oval de apenas meia milha de Five Flags, em Pensacola, Flórida. Passagem obrigatória para os principais nomes da Stock e um desafio que reúne mais de 80 pilotos brigando pelas 38 vagas no grid para uma corrida de 300 voltas.

Diz o próprio: “Tenho comentado sempre o tanto que a cultura americana do automobilismo me fascinou nos últimos três anos. Agora tenho a chance de conhecer mais um aspecto dessa cultura no Snowball Derby, fechando com chave de ouro um ano de boas conquistas”. Então, olho no Ford Fusion #5 e boa diversão para Nelsinho…

Curvelo no mapa da velocidade – agora é oficial…

Quando tomei conhecimento da ideia de se construir um complexo da velocidade em Curvelo, a 170 quilômetros de Belo Horizonte, para quem não sabe, confesso que fiquei surpreso, porque tudo o que havia era um sonho e muita vontade de concretizá-lo – e foram o currículo e a experiência de quem estava por trás da iniciativa que me fizeram acreditar, imaginar que finalmente não seria como os tantos traçados, terrenos, possibilidades cogitadas desde que me entendo por gente no esporte. Já vi tantos esboços, mapas, pseudoprojetos e sempre me frustrei por não ver a coisa ir adiante. Por essas e outras é que sou fã de carteirinha do Mega Space. Era o que se podia fazer no terreno, é simples e funcional e atende às exigências de boa parte das categorias nacionais. Tudo muito bom…

Mas, a perspectiva de um autódromo internacional, homologado FIA e FIM, valendo-se de tudo o que funcionou e deu certo em traçados modernos da Europa, é mais do que tentadora. E não é segredo para ninguém que Interlagos é um oásis em meio a diversos circuitos incapacitados de receber eventos de grande porte. Melhor ainda quando toda a programação prevê investimentos privados e apenas incentivos públicos. E que os prazos são condizentes e o caminho seguido tem tudo para vingar. Num evento prestigiado até mesmo pelo presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), Cleyton Pinteiro, a sensação geral nas conversas era de que, se não sair agora, nunca mais sairá.

Mas tudo está bem amarrado, e o sonho cresceu de tal forma que a bola de neve começou a rolar e vai se tornar uma avalanche. Eu acreditava desde o início, continuo acreditando e espero que ainda mais gente se junte a este esforço, curta, invista, dê sugestões, empreste prestígio e conhecimento. Como tive a possibilidade de comentar durante a cerimônia, espero que essa foto aí embaixo seja o emblema, a lembrança de um momento que proporcionou uma nova era para nossas pistas, especialmente quando Jacarepaguá morreu dinamitada, sobre os olhos risonhos dos políticos, que acreditam ser possível transformar um pântano em Deodoro num complexo à altura (e eu quero ver de onde vai surgir dinheiro com tantas obras para Copa do Mundo e Olimpíada). Todo sucesso ao projeto, a seus criadores e a quem acreditou, o blog continuará dando notícias e de olho na difícil empreitada. E doido para chegar o momento em que será possível despencar a reta de mais de 900m a toda, acelerar neste mundo de asfalto e concreto. Que venha o fim de 2014, quando o brinquedo estará preparado para receber qualquer categoria. E vamos todos nos lembrar deste 28 de novembro de 2012, quando a saudável loucura ganhou forma, contorno, nomes, e o rumo do sucesso…

Bandeira amarela, será? Sei não…

Antes de falar da apresentação oficial do Autódromo Internacional de Curvelo e o que se espera seja o começo de uma nova era para o automobilismo mineiro e brasileiro – estou entre os que não acreditam que o terreno pantanoso de Deodoro vai se tornar um circuito à altura do finado Jacarepaguá, ao menos nos próximos quatro anos, voltemos à F-1 e seu fim de temporada sensacional.

Desde o fim do GP, na coletiva dos pilotos, surgiu a conversa de que Sebastian Vettel teria sido flagrado ultrapassando um adversário sob bandeira amarela. Um colega perguntou a Fernando Alonso e ele disse não saber de nada; a própria imprensa italiana não deu muita pelota e o assessor de imprensa da FIA fez questão de anunciar, a quem quisesse ouvir, que o resultado oficial da prova estava publicado, por volta das 18h30 – com ele, qualquer tipo de suspeita estaria sepultada. Agora aparecem vários internautas, sites e blogs querendo provar que o alemão superou um adversário em condição irregular. Sinceramente, diante do dilúvio e das condições de visibilidade precárias (e eu posso falar com alguma autoridade), qualquer piloto seria perdoado se incorresse num erro de avaliação do tipo. E, se houvesse tanta certeza assim, podem contar que a Ferrari teria recorrido, para que tudo fosse esclarecido a tempo e hora (pode até ter recorrido, não se sabe).

Muito pior foi o que ocorreu com Kimi Raikkonen, motivo de aplausos e risadas na sala de imprensa e piadinhas nas redes sociais. Tudo bem que em 2001 ele escapou no mesmo ponto e encontrou um portão aberto mas, desta vez, se virou ao contrário para retornar à pista. Sendo assim, estava indo de encontro aos rivais, que poderiam perfeitamente escapar no mesmo ponto e pegá-lo de frente. Valia sem a menor dúvida uma punição, um drive-through que fosse.

Momento histórico

A imagem fala mais do que mil palavras, literalmente. Quem acompanha o blog há mais tempo teve novidades deste projeto desde o estágio de sonho, de uma maluquice que parecia não levar a nada de concreto. Felizmente a persistência e o trabalho levam ao sucesso, e uma etapa importante do que será um dos mais modernos e completos complexos de velocidade do país será superada amanhã, quando o empreendimento será apresentado oficialmente. Estaremos lá para acompanhar, e muita gente mais ligada ao mundo da velocidade vai dar seu aval à iniciativa, que nasce com as melhores perspectivas…

Esse moleque vai longe – Coluna Sexta Marcha

*** Ainda vou falar muito do GP do Brasil – não se espante se eu aparecer lá adiante com uma das várias histórias que o fim de semana proporcionou, e o que a gente mais vê são coisas diferentes, conversas que pareciam impossíveis, encontros que só o circo tem condição de provocar. De propósito, a coluna escrita em Interlagos não fala do que foram as 71 voltas impróprias para cardíacos (e não tem ninguém que comece o comentário sobre o GP com outra frase que não “puxa, que corrida sensacional” e isso vale mesmo para quem não tem sido espectador fiel da F-1. Preferi falar de um episódio que ilustra bem quem é o mais novo tricampeão mundial e derruba a tese de que Sebastian Vettel não tem carisma ou é produto do melhor carro. O cara é bom, muito bom e bastava ver as trajetórias que ele seguia quando buscava se recuperar para ter noção de seu controle do carro e do talento ao volante. O autógrafo do meu filhote agora está ainda mais valioso…

Esse moleque vai longe…

– Pai, você traz um autógrafo do Vettel para mim?

– Filho, a gente mal consegue falar com os pilotos, eles vivem correndo e são cheios de compromissos, ainda mais o Vettel, que é o campeão. Mas eu vou tentar.

Não que o mundo fosse cair se a missão que me foi repassada pelo meu filhote na simplicidade de seus (então) sete anos não fosse cumprida, ele se contentaria com bem menos. E eu confesso que não fiquei de papel e caneta na mão o tempo todo em busca da preciosa assinatura simplesmente porque falei a ele a verdade. Não sei se quem acompanha à distância o mundo do automobilismo tem a noção do status de um campeão mundial de Fórmula 1, dos compromissos, da vida esmiuçada, das palavras medidas, do peso que tal condição impõe.

Mas eis que… última conferência de imprensa do ano terminada, quando tudo indicava que o alemão desapareceria tão rápido quanto é nas pistas e ele resolve alongar o papo. Estava eu ali, na cara do gol, sem goleiro, com a chance de marcar um de placa.

– Sebastian…

 – G-U-I-L-H-E-R-M-E

“To Guilherme, Sebastian Vettel”

Acho que não preciso explicar o sucesso que aquele pedaço de papel rabiscado fez, especialmente quando o pequeno viu, numa latinha de Red Bull, que a assinatura era a mesma que estava em suas mãos, com dedicatória – o episódio ocorreu no GP do Brasil do ano passado. E não preciso ir mais longe para justificar a admiração pelo moleque de Heppenheim, agora o mais jovem tricampeão da história da F-1, com muito de sua trajetória ainda por escrever, com certeza. Já era quase noite de quinta-feira, os adversários já haviam deixado Interlagos e ele, de macacão, ainda dava palpites até sobre a decoração da parede dos boxes do time do touro vermelho. E pensar que Bernie Ecclestone o considera sem carisma. E pensar que muitos creditam seus feitos ao carro, teoria que o próprio interessado derruba. “Que eu me lembre Michael (Schumacher) começou na Jordan, Fernando (Alonso) na Minardi, e não foram campeões por elas. O campeonato costuma premiar o melhor conjunto.”

O tri não teria ficado em mãos erradas se fosse para Alonso – aliás, é interessante ver um duelo entre  pilotos que não nasceram em berço de ouro, surgiram de pequenas cidades e carregaram o talento como principal virtude. O espanhol é um piloto fora de série e o jeito que beira a arrogância é uma força de autoproteção, de resposta à pressão – assim ele demoliu companheiros e rivais, com exceção de Vettel (por enquanto) e Lewis Hamilton, quando da coexistência na McLaren. Não custa lembrar que a corrida de ontem marcou o fim de uma era. Sabe-se lá quando será possível juntar novamente num grid seis campeões mundiais (alguma aposta além dos cinco que seguem para vencer em breve?). O que dá sim para desejar é longa vida a esta F-1 de emoção até a última bandeirada, novos visitantes do pódio e um (tri) campeão digno do posto que ostenta.

 Bronca pelo rádio (quebrado)

“Christian (Horner) foi listando pelo rádio todos os pilotos a quem eu me igualei com o título. E eu respondi, “caramba, você esqueceu do Prost, você falou todos menos o Prost”. Só que o rádio estava quebrado e ele não ouviu.” Sebastian Vettel

Autódromo Quarta-feira acontece, em Belo Horizonte, o lançamento oficial do Autódromo Internacional de Curvelo. Um projeto que o Estado de Minas acompanhou desde a fase de sonho, e que agora entra num caminho sem volta. Será questão de tempo e trabalho para que o Brasil tenha mais uma pista de padrão internacional homologada.É bater na madeira para tudo saia como o previsto.

Ecos de Interlagos 2…

Por falar no GP do Brasil, deu pena quando a assessora de imprensa da Marussia passou distribuindo o comunicado mostrando que a equipe teve um fim de temporada “cruel”, e, como as pessoas acabam se apegando ao trabalho, ao esforço do time que representa. O 12º lugar de Timo Glock em Cingapura parecia garantido o suficiente para que a condição de 10ª escuderia no Mundial de Construtores e os cerca de US$ 10 milhões proporcionados pelo posto seguissem o caminho de Banbury. Ainda mais quando Glock chegou a andar em sétimo em Interlagos e Charles Pic marcava Vitaly Petrov de perto – tão de perto que acabou passando do ponto na pista molhada, mas ainda assim seguia com a Caterham do russo na alça de mira.

Tudo caminhava bem, até que o toque de Nico Hulkenberg em Lewis Hamilton e a pancada de Paul di Resta fizeram Petrov subir duas posições e cruzar a linha em 11º. Nada contra, mas a Caterham tem estrutura melhor e consegue se virar bem sem o cheque extra – fará bem menos diferença do que no orçamento da Marussia. Que viu o doce tirado da boca aos 45 do segundo tempo. Tristeza compreensível…

Falando em Caterham, a equipe é uma das analisadas pela Petrobras para o retorno à F-1 como fornecedora de combustíveis. O engenheiro Rogério Gonçalves, que comandava o programa de parceria com a Williams e Claudio Thompson, que supervisiona a área de motorsport da petroleira foram vistos batendo papo com o time verde e amarelo que surgiu como Lotus, e também conversavam animadamente com Claire Williams, filha de Frank e atual timoneira da equipe de Grove. Onde há fumaça há… gasolina brasileira, com duas boas chances de reaparecer no circo. Aliás, tem um particular na história que me orgulha muito. Em 1998, quando os carros de Jacques Villeneuve e Heinz-Harald Frentzen foram apresentados, um certo jornalista descobriu ao fundo um logotipo BR meio escondido. E fez com que a parceria acabasse confirmada oficialmente um dia antes do previsto… Foi assim…

Ecos de Interlagos…

Em primeiro lugar, pelo desculpas pela demora para falar sobre o que foi o GP do Brasil, mas o retorno a BH foi imediato, e até pegar as malas, voltar para casa, e tudo o mais, o cansaço acabou pesando depois de quatro dias intensos. Como foram intensas as 71 voltas pelos 4.309m que acabaram, por linhas tortas, proporcionando o resultado justo. Não é o caso de comparar aqui a pilotagem de Fernando Alonso e Sebastian Vettel, mas, como bem lembrou o próprio alemão, com status de lenda já aos 25 anos, o Mundial de Fórmula 1 costuma premiar o melhor conjunto – e neste aspecto a Ferrari reagiu, fez milagres, mas deveria ter começado mais cedo.

Antes de qualquer outra coisa, tiro o chapéu para Nelson Piquet no papel de mestre de cerimônias. Muito bacana, emocionante mesmo, sem deixar de lado a ironia típica (Jenson Button não falou quando provocado para comentar sobre a saída de Lewis Hamilton da McLaren, se estava feliz com a novidade). O mesmo Nelson que tantas vezes foi considerado ácido, mal-educado quando ouvia perguntas imbecis, foi certeiro ao encontrar as palavras certas para consolar Fernando Alonso e tirar palavras do espanhol. “Sei como você se sente, perdi duas vezes o título na última corrida, mas sua temporada foi sensacional”. E bateu bola com Felipe Massa em grande estilo, alegrando a torcida diante dos boxes.

E eu que não acreditava que ele aceitasse a nova função, mas Bernie Ecclestone realmente é um homem de visão e encontrou a pessoa certa no ex-funcionário e duas vezes campeão pela Brabham. O domingo foi surpreendente em todos os aspectos… Não teria sido nada absurda uma vitória da Force India, por exemplo…

Errei feio…

Eu não acreditava que fosse o caso, e escrevi isso há pouco tempo, mas Bernie Ecclestone e seu time resolveram me contrariar. O escolhido para ser mestre de cerimônia e entrevistador no pódio foi Nelson Piquet. Ainda não tive a chance de perguntar se ele, a exemplo dos pilotos em atividade, recebeu uma cartinha da FIA recomendando bons modos. De todo modo, será divertido…

Interlagos está assim…

O tempo está encoberto, alguns lugares ainda guardam umidade da chuva insistente da noite, mas neste exato momento começam a aparecer alguns claros no céu. Fosse agora e largariam todos com pneus slicks para uma prova absolutamente normal. Mas continua a previsão de mais água, suficiente para criar dúvidas sobre a escolha da borracha em algum ponto durante as 71 voltas do GP do Brasil. O que não muda é a temperatura bem mais baixa, o que com certeza favorece McLaren (está parecido com Austin) e Red Bull. Duas imagens de Interlagos há 10 minutos, momento em que público e mesmo os pilotos ainda chegam ao Autódromo Internacional José Carlos Pace.