Teste dos novatos: inspiração ou transpiração?

Terminado o teste para os novatos que passou a fazer parte do cenário da F-1 desde que qualquer atividade durante a temporada foi proibida (exceção às simulações aerodinâmicas em linha reta, num total de oito por escuderia), logo vem a dúvida: o mais rápido ao longo dos três dias foi um piloto de sobrenome conhecido, mas que nunca havia sentado o traseiro no banco de um carro do circo. Tudo bem que ganhar a pista de Abu Dhabi com uma McLaren é boa parte do caminho andado, mas Kevin Magnussen foi rápido o suficiente para superar o Q3 da corrida de domingo passado, embora a prioridade da equipe fosse acumular informações e aproveitar a rara ocasião. É, Jan Magnussen, o dinamarquês que bateu outro dia o recorde de vitórias na F-3 inglesa que pertencia a Ayrton Senna e foi companheiro de Rubens Barrichello na Stewart foi pai cedo, e pelo visto o talento é genético.

Mas não foi só ele. O português Antônio Felix da Costa, para quem eu chamei a atenção há algum tempo, e o holandês Robin Frinjs, apontado por quem é do meio como a grande revelação das categorias de formação (levou, de forma controversa, o título da F-Renault 3.5 World Series) também se comportaram como veteranos. E me veio à cabeça uma frase do agora falastrão Niki Lauda que, no auge dos auxílios à pilotagem (controles de tração e largada) chegou a dizer que um macaco seria capaz de fazer bonito no circo (sem trocadilho).

Não chegamos a tanto, como também não parece o caso de haver nenhum gênio a caminho. Se Senna (o tio) bateu o recorde de Donington Park ao acelerar uma Williams pela primeira vez, em 1983, tratava-se de tempo em que o piloto fazia diferença bem maior. Pode ter certeza de que Magnussen, Felix da Costa, Frinjs e outros que se destacaram passaram incontáveis horas nos simuladores, tiveram acesso à telemetria, aos dados dos pilotos titulares e chegaram a Yas Marina sabendo exatamente o quê e como fazer. E ainda que os tempos mudem, a sensação é sempre a mesma: vive-se a surpresa de descobrir o quanto o carro freia, o tamanho da aderência nas curvas, mas, assimiladas as novidades, a adaptação é natural, e os 28 ou 30 botões e controles no volante não são obstáculo. Andar rápido na F-1 atual é coisa para vários, o problema é conseguir ou o dinheiro ou a oportunidade justa que sejam para deslanchar e fazer história. Alguns vão exibir com orgulho a experiência no currículo. Outros vão lamentar um dia não terem tido “a” chance…

 

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