Esse moleque vai longe – Coluna Sexta Marcha

*** Ainda vou falar muito do GP do Brasil – não se espante se eu aparecer lá adiante com uma das várias histórias que o fim de semana proporcionou, e o que a gente mais vê são coisas diferentes, conversas que pareciam impossíveis, encontros que só o circo tem condição de provocar. De propósito, a coluna escrita em Interlagos não fala do que foram as 71 voltas impróprias para cardíacos (e não tem ninguém que comece o comentário sobre o GP com outra frase que não “puxa, que corrida sensacional” e isso vale mesmo para quem não tem sido espectador fiel da F-1. Preferi falar de um episódio que ilustra bem quem é o mais novo tricampeão mundial e derruba a tese de que Sebastian Vettel não tem carisma ou é produto do melhor carro. O cara é bom, muito bom e bastava ver as trajetórias que ele seguia quando buscava se recuperar para ter noção de seu controle do carro e do talento ao volante. O autógrafo do meu filhote agora está ainda mais valioso…

Esse moleque vai longe…

– Pai, você traz um autógrafo do Vettel para mim?

– Filho, a gente mal consegue falar com os pilotos, eles vivem correndo e são cheios de compromissos, ainda mais o Vettel, que é o campeão. Mas eu vou tentar.

Não que o mundo fosse cair se a missão que me foi repassada pelo meu filhote na simplicidade de seus (então) sete anos não fosse cumprida, ele se contentaria com bem menos. E eu confesso que não fiquei de papel e caneta na mão o tempo todo em busca da preciosa assinatura simplesmente porque falei a ele a verdade. Não sei se quem acompanha à distância o mundo do automobilismo tem a noção do status de um campeão mundial de Fórmula 1, dos compromissos, da vida esmiuçada, das palavras medidas, do peso que tal condição impõe.

Mas eis que… última conferência de imprensa do ano terminada, quando tudo indicava que o alemão desapareceria tão rápido quanto é nas pistas e ele resolve alongar o papo. Estava eu ali, na cara do gol, sem goleiro, com a chance de marcar um de placa.

– Sebastian…

 – G-U-I-L-H-E-R-M-E

“To Guilherme, Sebastian Vettel”

Acho que não preciso explicar o sucesso que aquele pedaço de papel rabiscado fez, especialmente quando o pequeno viu, numa latinha de Red Bull, que a assinatura era a mesma que estava em suas mãos, com dedicatória – o episódio ocorreu no GP do Brasil do ano passado. E não preciso ir mais longe para justificar a admiração pelo moleque de Heppenheim, agora o mais jovem tricampeão da história da F-1, com muito de sua trajetória ainda por escrever, com certeza. Já era quase noite de quinta-feira, os adversários já haviam deixado Interlagos e ele, de macacão, ainda dava palpites até sobre a decoração da parede dos boxes do time do touro vermelho. E pensar que Bernie Ecclestone o considera sem carisma. E pensar que muitos creditam seus feitos ao carro, teoria que o próprio interessado derruba. “Que eu me lembre Michael (Schumacher) começou na Jordan, Fernando (Alonso) na Minardi, e não foram campeões por elas. O campeonato costuma premiar o melhor conjunto.”

O tri não teria ficado em mãos erradas se fosse para Alonso – aliás, é interessante ver um duelo entre  pilotos que não nasceram em berço de ouro, surgiram de pequenas cidades e carregaram o talento como principal virtude. O espanhol é um piloto fora de série e o jeito que beira a arrogância é uma força de autoproteção, de resposta à pressão – assim ele demoliu companheiros e rivais, com exceção de Vettel (por enquanto) e Lewis Hamilton, quando da coexistência na McLaren. Não custa lembrar que a corrida de ontem marcou o fim de uma era. Sabe-se lá quando será possível juntar novamente num grid seis campeões mundiais (alguma aposta além dos cinco que seguem para vencer em breve?). O que dá sim para desejar é longa vida a esta F-1 de emoção até a última bandeirada, novos visitantes do pódio e um (tri) campeão digno do posto que ostenta.

 Bronca pelo rádio (quebrado)

“Christian (Horner) foi listando pelo rádio todos os pilotos a quem eu me igualei com o título. E eu respondi, “caramba, você esqueceu do Prost, você falou todos menos o Prost”. Só que o rádio estava quebrado e ele não ouviu.” Sebastian Vettel

Autódromo Quarta-feira acontece, em Belo Horizonte, o lançamento oficial do Autódromo Internacional de Curvelo. Um projeto que o Estado de Minas acompanhou desde a fase de sonho, e que agora entra num caminho sem volta. Será questão de tempo e trabalho para que o Brasil tenha mais uma pista de padrão internacional homologada.É bater na madeira para tudo saia como o previsto.

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