Hispania/HRT: fim da linha?

O ponto de interrogação é de propósito. É bem verdade que a divulgação da lista dos times inscritos no Mundial de Fórmula 1 de 2013 pela FIA inclui apenas 11 equipes, que em matéria publicada no Estado de Minas de terça-feira eu falei da complicada situação da Hispania (ou HRT, como queiram…), e que a grande maioria da imprensa especializada dá o fechamento da escuderia como irreversível, mas não é bem assim. Há brechas e caminhos nas regras da categoria máxima do automobilismo mundial que permitem que uma nova estrutura que tenha como base a pequena armada sediada em Madri encontre seu lugar nos grid ano que vem. Para começo de conversa, ainda que ela mude de nome, de sede ou mesmo de fornecedor de motor, dependeria da aprovação unânime das adversárias, o que não é obstáculo, mesmo no “Piranha’s Club” que é o circo, como bem definiu uma vez Eddie Jordan.

Acontece que a HRT foi a última entre os Construtores e, assim, não ameaça o dinheiro ou a posição de ninguém. E embora Tio Bernie não tenha compaixão ou piedade entre seus sentimentos mais corriqueiros, todos sabem que o espetáculo fica mais pobre, empregos são perdidos, assim como uma porta de entrada no circo em situação mais favorável. Basta lembrar, no caso mais recente, de Daniel Ricciardo, que se beneficiou da experiência extra na Hispania para mostrar a Helmut Marko que merecia um posto na Toro Rosso. Sem contar Bruno Senna, que precisava mostrar ser capaz de pilotar à altura da categoria, mesmo que seu carro fosse, em média, três ou quatro segundos mais lento que os demais.

Perde o público, que vê ainda menos carros na pista. Perdem os fornecedores (Cosworth, Pirelli; perde a própria credibilidade da categoria, que depois de ver os grids diminuírem de modo preocupante, resolveu dar uma chance a novas equipes; perde todo o esquema de formação rumo à F-1. De que adianta ter casa cheia na GP2 e na GP3 se as duas vão revelar campeões para ninguém? Toda a engrenagem que movimenta o circo sai fragilizada caso não haja volta. Imagine só você distribuir pontos a quase metade de quem larga? Seria uma banalização perigosa de uma categoria tão especial.

E o mais interessante na história toda é que, mesmo em seus dias de maior penúria, a HRT conseguiu se manter na casa dos 107%, a confusão da chuva em Interlagos fez com que seus pilotos aparecessem, ainda que por instantes, na metade de cima da classificação e o carro mostrasse um potencial impressionante para um time com tão pouco no bolso. Era visível a decepção de Luis Pérez-Sala, que correu pela Minardi nos anos 1990, quando o time de Faenza, no melhor estilo Davi, incomodava os gigantes. Nem tanto pelo fracasso do projeto de uma escuderia 100% espanhola (o país foi duramente golpeado pela crise econômica europeia), mas pelo risco de se perder todo um trabalho, uma base que está ali, disponível. Junte um ou dois bons engenheiros e projetistas, traga alguns mecânicos experientes, mantenha o motor Cosworth com o câmbio Williams e é possível fazer bonito.

A esta altura, não acredito que o grupo financeiro Thesan Capital tenha desistido da venda. Por outro lado, potenciais interessados querem arrematar o que sobrou pelo menor preço possível. E, com dois pilotos capazes de trazer, digamos, US$ 5 milhões cada, metade do financiamento para um ano digno está garantido. Pérez-Sala bem lembrou que, por mais que muito se fale da entrada de grandes montadoras ou conglomerados multinacionais, a coisa não é tão fácil assim. A chance de partir do que hoje é a HRT, até por aspectos contratuais, é a mais animadora e simples. Se ela vai se chamar HRT, Banana Racing, Germania, Super Wurz ou Toro Rojo (só faltava a Red Bull comprá-la também…), é o que menos importa. Até por ter “perdido” um bom tempo no último box do paddock de Interlagos, eu pude ver de perto como as coisas são difíceis na parte de baixo da tabela, mas isso só aumentou a minha simpatia pela pequena armada espanhola. Qualquer que seja seu futuro, vou dar um jeito de comprar uma camisa de recordação. E torcer para alguém seja hábil o suficiente para evitar o pior. Aupa, Hispania!!!!

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