Momento de perdas para o rali…

Curioso como os fatos se entrelaçam e as notícias por vezes se sucedem numa direção e velocidade não esperadas. Foi o caso desta terça-feira para o rali, brasileiro e internacional. Primeiro foi a notícia da perda de um dos mais completos e competentes navegadores surgidos por estas bandas, o grande Nilo de Paula, que nos deixou pela manhã, em São Paulo. Não há quem não acompanhe a modalidade que não se lembre do Mitsubishi Lancer Evo dividido com competência com Ulysses Bertholdo, a bordo do qual veio uma enxurrada de títulos. Depois de deixar o banco da direita, ele passou a colaborar com a organização do Paulista de Rali, e foi nesta função que tive o episódio mais marcante de uma convivência curta, mas enriquecedora. Estava eu aguardando para a largada da primeira especial do segundo dia em Bragança Paulista’2010 e era o próprio Nilo, em seu jipinho, que coordenava o procedimento – já então uma célula fotoelétrica determinava o momento do sinal verde. Foi alinhar e a temperatura da água do Palio foi às alturas, bem na faixa vermelha. Largar seria cozinhar o 16V, fazer churrasco do coitado.

Carro tirado do caminho dos demais, largada de todos os outros, eis que o Nilo pacientemente pôs-se a examinar a mecânica em busca de uma solução. Por telefone a equipe dava algumas dicas, eu tentava sem sucesso enquanto meu navega havia ido buscar ajuda. De repente, um diagnóstico sem confirmação, de algum curto que travou a ventoinha. Achamos uma garrafa Pet, pacientemente enchi o recipiente do radiador e o meu “mecânico” pacientemente controlava o funcionamento do motor enquanto eu acompanhava a posição do ponteiro no painel. Uns 10 minutos e veio a garantia: “pode descer até o parque de apoio que o carro aguenta”. Dito e feito, não só aguentou como a causa suspeita era exatamente a responsável pelo superaquecimento. Só aumentou a minha estima e respeito por alguém com um currículo vencedor, que não precisava, mas fez questão de ajudar um novato em apuros. Uma perda imensa para um esporte que vive momentos de penúria, de campeonatos extintos, outros que não decolam, um cenário em que toda a competência do Nilão seria mais do que importante. Descanse em paz, campeão… Junte-se a feras como Colin McRae e Richard Burns e faça os ralis do andar de cima ficarem ainda mais sensacionais…

No WRC, a notícia do dia foi a aposentadoria forçada do último homem a bater Sebastien Loeb nas especiais pelo mundo ainda em ação. O noruguês Petter Solberg já montou equipe, comprou carro de ponta, gastou do bolso para se manter competindo, mas, com o fim do apoio oficial da Ford à equipe M-Sport, não se mostrou disposto (ou em condições) de repetir a dose. Sugeriu até mesmo que correria de graça, mas não foi o suficiente para sensibilizar quem assina os cheques. Aos 38 anos e com muito ainda por mostrar, fica agora à espera de uma nova chance – e a Hyundai bem que poderia proporcioná-la, se é que o programa da marca sul-coreana vai sair do estágio atual. Que a quarta-feira possa trazer definitivamente notícias melhores…

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