Um carro e suas duas vidas…

Não faltam histórias de carros de competição que se tornaram mitos pela versatilidade, pela capacidade de vencer o tempo não apenas na pista, mas o dos calendários também; sobreviver por meio de várias encarnações – dois casos que vêm a cabeça são o Ford GT40 e o Lotus Seven, hoje Caterham (e Donkervoort, e outras marcas mais). Mas a história deste é totalmente singular. Corria o fim da década de 1980 quando Carroll Shelby, um dos mais sensacionais personagens da história do automobilismo, falecido este ano, recebeu a missão de desenvolver um carro barato e rápido para as provas do Sports Car Club of America (SCCA), verdadeira febre que mistura amadores e profissionais e serve de nascedouro para carreiras em campeonatos de turismo e GT.

Desafio tirado de letra com o Can-Am, de nítida inspiração nas máquinas que varreram as pistas norte-americanas nos anos 1960 e 1970, talvez o que de mais extremo já se tenha feito em termos de liberdade de regulamento. Valia tudo, de F-1 carenados a protótipos que já eram fortes e ganhavam mais alguns Kgms de pressão na turbina para beirar os 1.000cv. O modelo de Shelby era mais modesto, mesmo porque correria em categorias específicas. Nasceu com o motor Chrysler que viria a equipar o Viper e, se a meta era chegar aos 500, 76 saíram da fábrica, por “modestos” US$ 35 mil o rolling chassis.

Bem verdade que ele não era propriamente bonito, mas eficiente e rápido o suficiente para encher grids sem arrancar os fundos dos bolsos dos proprietários. Assim foi até a segunda metade da década de 1990, quando começou a escassear e a categoria perdeu força. Era apenas o começo da segunda parte da aventura: um cidadão chamado Walter Gerhardt resolveu arrematar o que havia na fábrica e encontrou, no movimentado automobilismo sul-africano (de que eu já falei aqui) uma nova vida para o Can-Am, que nem precisou mudar de nome. Trocou o motor Chrysler por um V6 Nissan, ganhou um belo tapa no visual e hoje, depois de uma categoria própria (a VSP) divide as corridas com os V8 Supercars, parentes da nossa Stock com chassis tubulares e cara de Corvette, Mustang ou Jaguar. E ganhou faróis e novos ajustes aerodinâmicos para enfrentar provas de longa duração, a primeira delas as 6h Africanas, em fevereiro, no Phakisa Speedway. Já se vão mais de duas décadas de longevidade, e não há motivos para imaginar que a história vá acabar por aqui. Aproveitando, clique a segunda foto para curtir uma volta no lendário traçado de Kyalami como passageiro do holandês Jeroen Bleekemolen, a bordo de um Can-Am. Sensacional…

Eu era assim…

E fiquei assim…

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