Para não perder nada: é dia de F138 e VJM06

Não tem jeito: o assunto do momento é mesmo a F-1 – as demais categorias logo terão seu tempo assim que passar a onda de apresentações das novas máquinas do circo. Assim sendo, o blog traz os links para as apresentações da VJM06, da Force India, e da esperada Ferrari F138 que não terá degrau no bico, mas tudo indica será muito semelhante à F2012. Nos dois casos, haverá imagens ao vivo para que o internauta, em qualquer lugar do mundo, acompanhe os eventos. O carro anglo-indiano terá a capa levantada às 8h15 (de Brasília), ainda sem se saber se o segundo piloto também será revelado; no caso do mais novo monoposto “made in Maranello” (será o 80º, considerando todas as categorias), a festa ocorre às 11h30 (também pelo horário brasileiro de verão). É clicar nas logos abaixo e conferir…

Luiz Razia na F-1: e então?

Vamos por partes: Luiz Razia é um cara esforçado, gente boa, que não fez feio todas as vezes em que teve a chance de comandar um F-1 – ano passado, nos testes para novatos em Abu Dhabi, andou com a Toro Rosso em meio a uma virose insistente – e a lembrança que me vem à mente imediatamente é a do primeiro treino livre do GP do Brasil de 2011, com a Caterham, em que rapidamente pegou a mão do carro e de Interlagos, fazendo trabalho bastante decente. Além disso, vem do vice-campeonato na GP2, numa temporada que surpreendeu a muitos (este que vos escreve inclusive), sendo o único verdadeiro rival de Davide Valsecchi, que o superou.

Dito isto, não há como esconder que o baiano chegou ao circo e à Marussia empurrado por uma mala cheia de dólares – não é crime nenhum, ele não será o primeiro, muito menos o último. E a julgar pelo que fez o antecessor Charles Pic no confronto com o companheiro Timo Glock, bem mais experiente, tem tudo para não fazer feio. Não custa lembrar, no entanto, que o colega desta vez é filho do dono do time, que certamente terá todos os privilégios e novidades antes.Mas conseguiu o objetivo, embora depois de quatro anos na categoria de acesso e de sete longos anos desde o título sul-americano de F-3.

Costumo dizer que há dois tipos de pilotos na F-1 atual: os que buscam a todo custo chegar à categoria, e se sujeitam a qualquer coisa; e os que se valem do mérito e, de forma natural, acabam sendo premiados pelo empenho. Infelizmente os primeiros são maioria agora, e não há como tirar o baiano de Barreiras desta lista. Por outro lado, já que ele conseguiu superar uma peneira muitas vezes injusta e fina até não poder mais, que se imponha e faça valer apenas os aspectos positivos… O Brasil precisa se manter representado no topo da pirâmide, e tem pouca gente vindo pelo caminho…

A nova McLaren MP4/28

Pelo visto as máquinas do Mundial de F-1 deste ano serão bastante semelhantes às de 2012 – e não é economia pensando na revolução técnica de 2014, mas consequência de um regulamento cada vez mais restritivo, sem espaços para soluções radicais. Quem encontrou o caminho das pedras se mantém no mesmo rumo, quem precisava mudar aposta nas soluções dos concorrentes que deram certo.

Com a McLaren não é diferente: o MP4/27 surgiu como o bicho-papão da pré-temporada e, na Austrália, deixou os rivais falando sozinhos. Só que a confiabilidade mecânica não ajudou, o carro se mostrou frágil e Red Bull e Ferrari conseguiram evoluir bastante e aproveitar o comportamento dos pneus Pirelli. Hamilton e Button venceram bastante, mas se viram rapidamente fora da briga pelo título, e o time de Woking acabou atropelado por uma Scuderia que, por mais de meio ano, correu sozinha (Felipe Massa não vai me desmentir) e com um caminhão de pressão aerodinâmica a menos que a dos adversários.

Pois a MP 4/28 foi buscar na Ferrari o conceito para a suspensão dianteira (pull-rod) e realmente mostra um desenho da traseira inspirado na Red Bull. E adotou o degrau no bico que não havia ano passado, escondido pela “carenagem da vaidade”. O câmbio novo é uma das medidas para tornar a máquina mais confiável e, no resto de um time que estava ganhando, pouco se mexeu. Daí a sensação de que 28 e 27 são praticamente a mesma coisa. Bacana foi a tirada da McLaren para mostrar seu novo modelo – quase uma versão real de seu desenho animado Tooned, com destaque para alguns dos carros que fizeram a história da marca criada por Bruce McLaren. É briga pelo menos para três – isso se Lotus e Mercedes não se engraçarem…

Qual das duas?

A lebre quem levantou não fui eu, mas a respeitadíssima revista italiana Autosprint, com sua turma de olhos atentos – com certeza o craque Giorgio Piola não será estranho a isso. Ocorre que a comparação entre a Lotus E21 revelada no lançamento de segunda-feira em Enstone e as imagens do modelo em 3D mostram dois carros completamente diferentes. Certo, o degrau no bico está presente nos dois casos, mas o bico da versão digamos “virtual”, é mais reto. As saídas dos escapamentos também não batem, assim como as entradas de ar auxiliares ao lado da principal, na carenagem do motor. Qual das duas está valendo? Será que o E21 mostrado ao mundo ao vivo e em cores era, na verdade, um E20 maquiado? Veja as duas imagens e tire suas conclusões…

        A “real”

       A “virtual”

Maranello estragou a surpresa… com outra surpresa

Corria janeiro de 2011 quando este que vos escreve apostou em um nome para a máquina da Ferrari daquele ano. Um dos detalhes mais curiosos envolvendo as máquinas de Maranello para o Mundial de F-1 é a falta de uma sequência na numeração. Só para lembrar as mais recentes, tivemos F2003GA (homenagem a Gianni Agnelli), 649, 650, F10, e por aí vai. Sempre com uma justificativa para a escolha. Pois, voltando ao início do post, há dois anos comemorava-se os 150 anos da unificação política da Itália e, considerando as ambições de Luca di Montezemolo, não seria de se estranhar. Ninguém arriscou, eu tentei (está a prova no link abaixo) e o carro daquele ano ganhou a alcunha de F150 Italia.

Este ano estava eu a tentar imaginar qual seria a novidade saída do Reparto Corse, especialmente porque na Itália, como no Brasil, o 13 não é um número muito simpático – basta lembrar que no circo não há carro 13. Poderia ser algo ligado à idade da marca, poderia ser o nome de código do projeto (664), mas não foi uma coisa ou outra. O mistério em relação à nova máquina começou a ser desfeito dois dias antes da apresentação oficial, e de modo surpreendente: o 13 está lá, acompanhado do número de cilindros (8). É saber se se vai contrariar o senso comum e trazer sorte para Alonso, Massa e os demais integrantes do time do Cavallino.

http://www.dzai.com.br/gini/blog/sextamarcha?tv_pos_id=76163

HRT = Scorpion?

Então quer dizer que um grupo de investidores canadenses e norte-americanos estaria disposto a arrematar o espólio da HRT (ou Hispania, o que dá no mesmo) e manter uma 12ª equipe no Mundial de Fórmula 1, ainda que só a partir de 2014? Resta a poeira baixar para descobrir se estamos diante do mais novo engodo (lembram-se do projeto USF1, que tinha até piloto confirmado, o argentino Jose Maria López?) ou se, desta vez, a coisa é séria.

Não que três chassis, uma meia dúzia de motores e caixas de câmbio (made by Williams) e um galpão próximo a Silverstone (como seria o caso, segundo adianta a revista britânica Autosport) custem uma fortuna para quem tenha dinheiro, mas os três anos de insistência da pequena armada espanhola mostraram que não é tão fácil assim. Mesmo porque, em 2014, a história muda completamente, com os V6 turbo e alguns ajustes aerodinâmicos – é quase inconcebível um chassi da atual geração com os novos propulsores, sem contar que a Cosworth não deve permanecer no circo.

Dificilmente se trata de algo projetado por um dos grandes do automobilismo norte-americano, como Penske, Ganassi ou Carl Haas – é coisa de fundos de investimento, ou de corporações que não devem ter tanta experiência no automobilismo, quem sabe até de algum pai de piloto mais abastado que esteja abrindo caminho para a brincadeira do filho. E é curioso notar que Scorpion (ou o escorpião) é o símbolo da Pirelli, que assim denomina uma linha de seus pneus. Se é verdade que Bernie Ecclestone conversou com os responsáveis pela iniciativa e deu o sinal verde, que venha então – confesso que é complicado arriscar quem aceitaria pilotar um carro pouco desenvolvido, do ano passado e ainda por cima arrumado às pressas, muito embora a Hispania tenha feito milagres no último campeonato.

Sobre a Lotus…

É complicado olhar de longe e mesmo as fotos oficiais não esclarecem muita coisa sobre o E21 além do que já está fácil de ver: nada de suspensão pullrod dianteira, o bico no degrau se mantém (o diretor-técnico James Allison preferiu economizar em peso, já que a carenagem teria funções estéticas, mas não aumentaria a pressão aerodinâmica), os suportes da asa dianteira são estreitos, sem a disposição de túnel dada, por exemplo, pela Ferrari. De intrigante, por enquanto, duas coisas: as entradas de ar laterais na carenagem do motor, que podem servir para refrigerar as baterias do Kers, mas também eram usadas para alimentar o DRS passivo, agora proibido. Será o primeiro indício de drible nas regras?

Outra pulga atrás da orelha diz respeito ao desenho das saídas dos escapamentos. Parecem estar mais à frente que o habitual, e quanto mais curva os coletores têm de fazer, maior a perda de potência (vale lembrar que há um quadrado virtual dentro do qual o escape tem de sair de qualquer modo). E o time de Enstone não foi dos mais ousados ao explorar o efeito Coanda, segundo o qual o ar sob forte pressão tende a acompanhar a forma das estruturas que o cercam. Mas este ano o conceito parece ter sido abraçado com atenção, tanto assim que há um prolongamento que parece ir até as proximidades do difusor.

Sempre é bom lembrar que a configuração aerodinâmica é, literalmente, para inglês ver. A galeria de vento segue trabalhando a todo vapor e as novidades serão lançadas homeopaticamente – nem é preciso ser vidente para prever que o carro que alinhará em Melbourne estará bastante modificado em relação ao mostrado hoje. Assim é a F-1…

Pecado sobre rodas…

Sin, ou pecado em português. O nome não poderia ser mais adequado para um carro concebido para ser veloz tanto nas pistas quanto nas ruas, com direito a V8 Chevrolet LS2 de 520cv, caixa de marchas de Porsche 911, peso de 960kg e forte preocupação com a aerodinâmica. Uma verdadeira salada mista que inclui uma empresa búlgara com sede na Alemanha e clara inspiração no que se faz na Inglaterra. A promessa é por, menos de 100 mil euros (ou cerca de R$ 275 mil), oferecer a máquina em condições de disputar campeonatos para GTs ou endurance. O Sin foi mostrado em forma de protótipo no Salão Autosport International, em Birmingham e o ritmo de produção estimado é de cinco unidades/mês. Claro que o que nos interessa especificamente aqui é o modelo de pista – o projeto já levou em conta a construção da gaiola de proteção e o tanque de combustível ATL homologado pela FIA. Ficaremos de olho nos passos de mais um carro invocado nas pistas. Ginetta, Lotus Évora e outros que se cuidem…

Mil. Mil. Mil. O blog chega ao post 1.000

Sim, é exatamente isto, está no pé da página o contador implacável que não deixa dúvidas. Quase três anos depois de o que era uma coluna no site Superesportes ganhar ares mais dinâmicos e se tornar blog, chegamos ao milésimo post. O plural é mais do que nunca justificado, já que de nada adiantaria eu escrever para o vento. Se todo este tempo passou, é porque houve assunto, houve leitores, bem mais do que os seis que eu imaginava originalmente. E é sempre bom aproveitar a ocasião para lembrar que a ideia aqui não é buscar desesperadamente furos, informações bombásticas, ser polêmico por esporte (pelo esporte sim); mas trazer curiosidades, histórias vividas em primeira pessoa ou ouvidas, remexer esse universo que é a net em busca de carros, campeonatos, notícias, bastidores; procurar coisas boas nos alfarrábios – outro dia mesmo me lembrava da proposta de Bernie Ecclestone de criar um campeonato de carros de turismo de alta performance no fim dos anos 1980 com, pasme: motores V10 dos carros da F-1 (existe inclusive um esboço de uma Alfa Romeo 164 que eu trago um dia destes).

E, enquanto não incomodar, falar das aventuras e agruras do jornalista e do piloto, dividir a emoção de acompanhar de perto provas inesquecíveis, buscar sua opinião, fazer promoções, mostrar fotos, vídeos, links e a tradicional, inevitável, agendinha da velocidade na TV. Poderia dizer que o Sexta Marcha vai a Mil por Hora, mas aí é trocadilho com o blog do xará Rodrigo Mattar, uma verdadeira enciclopédia da velocidade, que merece ser visitado sempre. Então, digo que agora vamos a mais de mil, obrigado pelo privilégio da audiência e que você continue tendo todos os motivos para passar por aqui, recomendar aos amigos, reproduzir, comentar, criticar… Vamos que vamos…