Guarde esta data…

Ainda faltam três semanas, mas, como a imagem chegou pelo e-mail vinda da American Le Mans Series, sempre vale publicar. Ela cria o clima para o anúncio do nome da categoria que unificará ALMS e Grand-Am em 2014, deixando as coisas na endurance norte-americana como sempre deveriam ter sido. O processo contou com a colaboração de internautas dos EUA, por meio do canal Speed e a novidade será revelada no fim de semana das 12h de Sebring, que voltarão a contar pelo mesmo campeonato que as 24h de Daytona depois de longo e tenebroso inverno. E o processo já está em franca execução, como revelou o mineiro Bruno Junqueira, que disputa mais uma temporada com o protótipo Oreca-Chevrolet da equipe RSR Racing, pela categoria LMPC. Depois de um ano correndo calçado com os pneus Michelin, ele terá de se adaptar aos Continental, que já equipam os Daytona Prototypes – a lista de inscritos ainda aponta os pneus como TBD (to be defined), mas na prática a escolha foi confirmada. Uma pista de que os protótipos do campeonato unificado devem andar com borracha alemã, enquanto é bem provável que a Michelin se responsabilize pelos GTs. É esperar para ver…

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Uma Ferrari quase na garagem

Um passarinho muito bem informado me contou que Felipe Massa está apenas em busca de um lugar em casa para guardar um presente e tanto: a Ferrari F10 pilotada por ele no Mundial de 2010. Muito provavelmente – carece de confirmação –, o carro que será usado na exibição anunciada para o Aterro do Flamengo, turbinada pelo energético brasileiro que se tornou parceiro da Scuderia. O bólido está guardado em um galpão de São Paulo e apenas confirma uma tradição dos pilotos verde e amarelos. Rubens Barrichello ganhou uma Jordan e Nelson Piquet tem, numa parede de casa, a Williams com que conquistou o tricampeonato em 1987. Como não se trata de um monoposto e de uma temporada de grandes lembranças para o ferrarista, fica a torcida para que ele faça por merecer outro pedaço de história, ainda que fique mais complicado achar lugar para deixar o “objeto de decoração”.

Em tempo, a Scuderia valoriza, e muito, a tradição e a força de seu nome. Em 2009, este que vos escreve esteve em Maranello e conheceu, bem ao lado da pista de Fiorano, o departamento Corse Clienti, que guarda os chassis vendidos a quem possa pagar; além daqueles que ainda procuram por proprietários. Cada um tem uma identificação, uma plaquinha com detalhes como o número de série, que permite determinar quando e quanto foi usado, que GPs venceu, e por aí vai. Os sobrenomes dos ocupantes originais estão lá, como foram postos: Berger, Alboreto, Prost, Mansell, Raikkonen, Irvine, Schumacher, Massa e agora Alonso. Digo agora porque, por questões de confidencialidade, somente depois de dois anos de uso eles são oferecidos a endinheirados candidatos. E lógico que, quanto maior o pedigree, mais alto o preço. A brincadeira começava em algo como 300 mil euros (quase R$ 800 mil).

O Carioca sobrevive em Minas

Para quem não leu na edição impressa do Estado de Minas, aí vai a matéria publicada domingo sobre a vinda do Carioca de Automobilismo para o circuito do Mega Space, em Santa Luzia, dando origem à Copa Minas-Rio, duas décadas depois do Torneio Rio-Minas, em Jacarepaguá. Tudo bem que o motivo da mudança não é nada agradável – o fim melancólico do Autódromo Internacional Nelson Piquet, que sucumbe à discutível decisão de ali construir parte do Parque Olímpico para 2016. Mas como Deodoro é apenas um sonho distante, tanto melhor se o tradicional automobilismo do Rio não morrer, ainda que de forma provisória…

Já que o Rio
não tem pista…

Na última década do século passado a falta de um circuito em Minas fez

com que os pilotos do estado optassem pelo Autódromo Internacional

Nelson Piquet, em Jacarepaguá, para competir, o que deu origem ao Troféu

Rio-Minas de Marcas e Pilotos. Em ação estavam feras como Toninho da

Matta, Roberto Mourão, José Junqueira, Huéber Cimini Jr., o Juninho,

Eduardo Cunha, Ivan Mendes e Miguel Mallaco, medindo forças com adver-

sários como Andreas Mattheis, Jorge Schuback e Frank Guerra , a bordo de

Chevettes, Voyages e Passats.

O que era difícil imaginar é que, tanto tempo depois, a situação se invert-

eria e fossem os cariocas a encontrar refúgio em terras mineiras. Com a

destruição do que foi o palco de provas memoráveis da F-1 e da Moto GP e a

incerteza envolvendo um novo traçado previsto para Deodoro, em área

cedida pelo Exército – a pista não deve sair do papel antes de 2015 –, o reno-

vado circuito do Mega Space, em Santa Luzia se transformará no palco do

Torneio Rio-Minas. Nos dias 23 e 24, pilotos dos dois estados e também do

Espírito Santo prometem um espetáculo à altura da primeira versão da dis-

puta. Especialmente porque o trecho em montanha constitui um desafio

único no país.

“Das alternativas que tínhamos, esta é certamente a melhor. Fico muito

feliz com a possibilidade de manter o automobilismo carioca em ação em

Minas, onde sempre fomos muito bem acolhidos e nos sentimos em casa. E

vamos retomar os pegas da década de 1990”, explica o presidente da

Federação de Automobilismo do Estado do Rio (Faerj), Djalma de Faria

Neves. Ele terá um encontro esta semana com o prefeito do Rio, Eduardo

Paes (PMDB), para fechar o apoio prometido pelo poder público para trans-

porte dos carros e a logística de pilotos e equipes. “Seria leviano falar em

número de pilotos antes de acertarmos os detalhes, mas lugar de carro de

corrida é na pista, e há vários profissionais que dependem da competição

para sobreviver”, lembra.

Regulamento

A ideia é adotar regulamentos técnico e desportivo semelhantes, com a

mesma divisão por categorias – Super, para os graduados e mais experi-

entes; Light, para novatos e Master (acima dos 50 anos). O calendário prevê

seis etapas em sistema de rodada dupla – depois do evento de abertura, 27 e

28 de abril; 22 e 23 de junho; 27 e 28 de julho; 7 e 8 de setembro e 26 e 27 de

outubro, sempre com treinos livres e oficiais aos sábados e provas aos

domingos. Com o limite de 30 vagas no grid do Mega Space, não está descar-

tada a divisão da categorias em corridas separadas, a exemplo do que ocor-

ria nos tempos do saudoso Jacarepaguá.

Muito barulho por quase nada…

William Shakespeare que me perdoe a brincadeira com o título de uma de suas obras, mas era a melhor forma de definir o tal mistério da Nissan. Depois de provocar com vídeos e sugestões de que estaria abrindo novas fronteiras no automobilismo, a montadora japonesa se limitou a mudar o departamento de competições (Nismo) da sede histórica de Omori para outra mais ampla e moderna em Tsurumi. E quando se esperava anúncios bombásticos ou o envolvimento em novas categorias, o que se viu foi mais do mesmo. Tudo bem que não é pouco investir no Super GT japonês em suas duas categorias (GT500 e GT300), vender seu GT-R para competições como a Blancpain Endurance Series e tentar, de forma tímida, se impor nos V8 Supercars da Austrália, além de fornecer seu V8 para os protótipos LMP2, ou mesmo decidir encarar as 24h de Le Mans com um protótipo 100% movido a eletricidade, desafio para 2014 (a única novidade anunciada), mas, sinceramente, se esperava muito mais.

Dizer que a Nismo é agora uma estrutura global é muito bacana, mas não prever investimentos em competição em mercados como os Estados Unidos e o Brasil beira o imperdoável. E ainda por cima não custa lembrar que a fábrica deu as costas para o projeto Delta Wing, das poucas coisas realmente criativas surgidas no cenário internacional nos últimos anos. E a decisão de reviver a marca Datsun servia como uma luva para justificar novos projetos. Mas, pelo visto, fica tudo quase como está. Nada contra vender picapes apostando na simpatia dos “pôneis malditos”, mas volto a insistir: para uma marca que bate no peito para lembrar que tem a competição no DNA, não preparar um Sentra ou March sequer para enfrentar os ralis ou provas de endurance e turismo é uma tremenda bola fora…

Mistério da Nissan

Mistério da Nissan, que promete para as próximas horas, quando da inauguração da nova sede de seu departamento de competições,a Nismo, próximo a Yokohama, apresentar uma mudança de foco (o slogan Performance Redefinida), com direito à presença do presidente mundial da marca, o brasileiro Carlos Ghosn. Muita gente palpitou, fez suas apostas, eu sinceramente acredito numa implicação em categorias de turismo (o WTCC ou mesmo o DTM, que terá regulamento aproximado ao do Super GT Series do Japão). O rali até seria uma possibilidade com o feioso Juke – para quem não se lembra a marca fez bonito no fim dos anos 1980 e começo dos 1990, com o Sunny e o 200SX, lançando inclusive para o estrelato um “certo” Tommi Makkinen.

Maior implicação na F-1 depois de dar à divisão Infiniti a condição de title sponsor da Red Bull não me parece plausível, assim como dar nome aos motores Renault V6. Um protótipo para desafiar Audi e Toyota como nos tempos áureos da IMSA e do australiano Geoff Brabham? Já teria vazado, sem contar que a fábrica hoje é a maior fornecedora de motores para a categoria LMP2. Se bem que a escolha de dois pilotos de GT (Ronnie Quintarelli e Tsugio Matsuda) e o som de um motor de alta performance (V6 ou V8) no “teaser” jogam a favor da hipótese. Onde será que veremos o 23 (para quem não sabe, Nissan, em japonês, é 23…)? Aliás, já que perguntar não ofende, quando é que veremos o 23 em ação nas pistas brasileiras? Não faltariam categorias (Stock, GT, Rali, Brasileiro de Marcas, uma Copa March não seria mau negócio).

Curta o vídeo feito pela fábrica japonesa para resumir sua trajetória nas pistas. É daqueles de arrepiar…

Dor de cabeça na Nascar

Sim, a cena do fim de semana em Daytona foi o impressionante acidente nos metros finais da corrida da Nationwide Series, sábado, em que a parte dianteira do Chevrolet de Kyle Larson se desprendeu totalmente do restante do carro – motor, rodas e outros componentes conseguiram destruir o gradil de proteção que, diga-se de passagem, mostrou-se bastante robusto e adequado, embora tenha ficado claro que algo mais terá de ser feito para que ninguém se machuque, mesmo no pior dos cenários.

Isto posto, o que ficou claro na prova principal, as 500 Milhas, é que o esforço de técnicos e engenheiros para desenvolver uma nova geração de carros mais próximos com os que estão à venda não trouxe o resultado esperado num superspeedway. Havia uma linha ideal (a superior) e sair dela significava perder velocidade (como os norte-americanos chamam, “momento”). Enquanto na Nationwide houve 20 líderes diferentes e momentos em que os carros estiveram dispostos em quatro filas, os Gen 6, modelos de sexta geração, proporcionaram uma corrida insossa. Os pilotos lamentaram, mas acreditam que é questão de tempo para que a situação se modifique – nos ovais pequenos e médios o cenário não deve se repetir.

A grande dor de cabeça dos oficiais da Nascar é não voltar atrás no esforço de tornar a categoria mais próxima do torcedor. Porque não é complicado mudar as formas da carroceria, instalar flaps e defletores ou mesmo pequenas asas capazes de diminuir a instabilidade. Só que aí voltaremos aos tempos em que as 43 máquinas eram absolutamente iguais – mudava apenas o simulacro de grade na dianteira e o desenho dos falsos faróis. E a famosa história do “win on sunday, sell on monday” iria naufragar, o que não é nada bom em tempos de crise – Chevrolet, Ford e Toyota contam muito com os resultados das pistas para vender seus carros…

Olha quem voltou: a agenda!!!!!

Bem que eu queria que ela fosse presença constante no blog durante os 365 dias do ano, mas ninguém é de ferro, nem mesmo a agenda. Passada a entressafra da velocidade na telinha, a última semana de fevereiro traz de volta, de forma nada tímida, motivos para você não tirar os olhos da TV no fim de semana. Começa com o grande espetáculo da Nascar, no asfalto sagrado de Daytona e a torcida por Nelsinho Piquet na Nationwide Series. Quanto à torcida por Danica Patrick, aí depende do leitor – claro que não seria nada mau ver a baixinha ensinando o caminho aos 42 adversários, mas com certeza haverá quem torcerá contra (não são poucos os que a consideram arrogante ou confiante em excesso). No mais, para quem tem a emissora no pacote da TV por assinatura, boas corridas…

Sábado (23)

15h   Nascar Nationwide Series (etapa de Daytona)                    Fox Sports

Domingo (24)

15h   Nascar Sprint Cup: 500 Milhas de Daytona                        Fox Sports

Enquanto isso, na África do Sul…

Enquanto a endurance brasileira busca um rumo, depois de ter esnobado os carros mais simples e baratos em nome dos GTs e supermáquinas – bons tempos em que as Mil Milhas (aliás, onde andam as Mil Milhas?) reuniam de Ferraris a Fuscas, em total harmonia e mobilizavam Interlagos – um “vizinho de hemisfério” mostra que este deveria ser o caminho adotado por estas bandas. O fim de semana que é também de 500 Milhas de Daytona, e do retorno da agendinha da TV, será marcado ainda pela “The African 6 Hour”, prova no Phakisa Raceway, em Welkom, traçado que já recebeu a etapa sul-africana da Moto GP. Sim, estamos falando da África do Sul, país figurinha fácil aqui no blog pelos bons exemplos, automobilismo ativo e histórias interessantes.

A ideia é retomar os tempos de glória em que os principais times do automobilismo internacional faziam questão de acelerar na terra de Nelson Mandela, que já se deu ao luxo de ter um campeonato próprio de F-1, pena que nos tempos de apartheid. Hoje o cenário político e social felizmente é outro, já existem pistas também no Senegal e em Angola e, num futuro não muito distante, é de se hipotizar uma série continental, talvez não no regulamento ACO/Le Mans, mas aberta mesmo aos protótipos e GTs de última geração, sem abrir mão das raízes.

A festa não se dará apenas na pista – há 36 times inscritos, com direito a protótipo Pilbeam MP98, um Panoz Esperante GTLM, vários Porsches 911 novos e menos novos, alguns VW Golf e BMW, réplicas de Ford GT40 e esportivos domésticos, como o Back Draft 4000 – mas haverá também concerto da banda Prime Circle, hoje uma das principais do cenário sul-africano. Inveja dos vizinhos de hemisfério, especialmente se considerarmos que há, no Brasil, máquinas, pilotos, equipes e profissionais bons o suficiente para fazer um espetáculo no mínimo igual. Esperemos…

Autódromo de Curvelo, a quantas anda…

O blog é parceiro de primeira hora do projeto que pretende dotar Curvelo, na região Central de Minas, de um autódromo homologado para provas internacionais sobre duas e quatro rodas, algo que falta não só ao estado, mas ao país – há muito não temos eventos de ponta no motociclismo e Interlagos é o último bastião quando se trata das provas sobre quatro rodas, com Curitiba funcionando como “Plano B”.

Pois a iniciativa foi apresentada à nova gestão municipal e aos vereadores da cidade e recebeu suporte total, dentro da proposta de não depender de recursos públicos para sua execução. O imenso terreno, que chega a 5 milhões de metros quadrados, só não foi tocado ainda por conta da necessidade do licenciamento ambiental, como preza qualquer intervenção de tal natureza. Mas como a questão do respeito ao ecossistema regional e às leis de uso do solo fez parte do projeto desde seu nascimento, trata-se de um trâmite burocrático que, espera-se, até o fim de março esteja solucionado, para que o sonho comece a se tornar realidade.

Enquanto isso, a ideia é aproveitar a área gigantesca para eventos que dependam apenas do licenciamento municipal, e aí entram o motocross (com perspectivas de Campeonato Brasileiro e, mais tarde, do Mundial), rali de velocidade, cross-country e Baja), valendo-se da infraestrutura que a cidade já dispõe. E o mais interessante é que o Masterplan, o documento que reunirá as principais diretrizes do projeto, pode ser apresentado já depois de as primeiras máquinas começarem o trabalho, mesmo porque diversas configurações de traçado estão sendo estudadas. O importante é que está saindo, mineiramente, mas saindo…

Quando é assim…

“Temos que andar muito para entender melhor o carro. As vezes ele é veloz, em outras perdemos o terreno sem compreender o motivo e não conseguimos trabalhar no acerto”.

Palavras surpreendentes de Jenson Button depois do terceiro dia de testes extraoficiais em Barcelona. Surpreendentes porque, a esta altura do campeonato – na verdade, sem trocadilhos, antes do campeonato, o otimismo é quase obrigação e, na pior das hipóteses, adota-se um realismo “em alta” – fosse o caso de levar em conta os releases de imprensa das equipes no período e o campeonato terminaria com 11 escuderias no alto do pódio.

Justamente por isso é de se questionar se as dificuldades apontadas pelo campeão mundial de 2009 são fruto da falta de capacidade técnica para comandar um time – coisa difícil para quem trabalhou com Patrick Head e Ross Brawn – e sente a ausência de outra cabeça talentosa e pensante como Lewis Hamilton; ou se a encrenca é realmente grande e todos em Woking estão perdidos (nunca é demais lembrar que a McLaren chegou a Melbourne em 2012 com um carro que sobrava em relação aos adversários. Que os pneus se desgastam mais que o previsto é fato comprovado, e pelo visto generalizado, e é o caso de saber quem conseguirá lidar com o fenômeno da melhor forma. Mas o fato de Button ter conseguido sua melhor volta, 1s mais lenta que a de Alonso, com pneus duros e supostamente tanque cheio, não deixa de ser um bom indício…