Kubica vai ter que derrapar…

A grande notícia envolvendo a definição do futuro próximo de Robert Kubica não é a notícia em si: a do acordo antecipado por várias publicações e sites com a Citroen, que pode ser o prenúncio para um ataque ao Mundial de Turismo de 2014 ao lado de Sebastien Loeb e Yvan Muller. O mais interessante na história é decifrar a escolha feita pelo polonês e pelo time francês de rali. Vão encarar o WRC2, que não é um Mundial de Segunda Divisão, como o nome poderia sugerir, mas a categoria para carros algo menos exclusivos que os WRC, que só podem correr… no WRC. Nela há os R5, R4, S2000 (eu gastaria um post inteiro para explicar o motivo de tantas siglas e da mistureba delas), além dos RRC, como é o caso do Citroën DS3 do piloto de Cracóvia. Basicamente um WRC (chassi e suspensão são os mesmos, mas os aerofólios são menores e o restritor de ar no motor 1.600cc turbo maior, o que significa alguns cavalos a menos). Sempre deixando claro que estamos falando de modelos 4×4.

Kubica recebeu o aval da FIA para ter no carro um câmbio por borboletas, algo banido nas regras mais recentes, já que o braço direito ainda não tem força suficiente para acionar a alavanca tradicional. Para deixar as coisas mais justas, a marca francesa garante que atrasará o tempo de resposta do sistema para deixá-lo semelhante aos dos rivais. A grande questão é como ele se sairá na terra, já que todas as suas participações na modalidade, com direito a vitórias, se deram no asfalto. E uma coisa é completamente diferente da outra, modestamente eu posso atestar.

Nas provas em asfalto, o curso da suspensão é muito menor, rodas e pneus maiores (e slicks). O grande desafio é ser absurdamente rápido desenhando trajetórias, tentando manter o carro sobre um trilho, muito raramente se preocupando com a qualidade do piso (as maiores armadilhas estão fora da estrada, próximos a ela, como valetas escondidas, muretas, postes e casas). Pisar na terra exige também a habilidade de, por vezes, usar o excesso de potência e a aderência menor para ganhar tempo, derrapando. Cá como lá vence quem tem a tocada mais limpa, mas por vezes é possível provocar certos comportamentos na máquina para ser ajudado pelo terreno. Sem contar pedras, buracos, valas que não estavam no levantamento da véspera, mas que são abertas pela chuva ou pela passagem dos outros carros.

Talvez seja esta a principal diferença entre Kubica e Kimi Raikkonen que, por ter vindo do gelo, sempre se sentiu mais à vontade quando a aderência era precária, tanto assim que seu melhor resultado foi um quinto lugar na Turquia’2010. Lógico que o polonês tem talento para dar e vender e contará com os conselhos pródigos de um “certo” Sebastien Loeb para acelerar a adaptação, mas não deixará de ser uma surpresa agradável se ele andar no ritmo dos mais rápidos. No WRC2, só para esclarecer, cada inscrito pode escolher sete ralis para pontuar, e apenas três dos restantes (Alemanha, França e Espanha, que mesmo assim começa com um dia na terra) são do piso predileto do vencedor do GP do Canadá de 2007. É esperar para ver…

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