Piloto bom é assim…

Tenho pra mim que as antigas gerações de pilotos eram mais completas que as atuais, mais versáteis. Afinal, em finais de semana seguidos o sujeito saltava de um F-1 para um protótipo, dele para um GT e então um carro de turismo. Corria o GP de Mônaco e logo estava nas Mille Miglia ou na Targa Florio, fazia ralis e subidas de montanha, sempre com a mesma competência e brigando pelos primeiros lugares. Claro que a especialização (e as cláusulas nos contratos) diminuíram bastante o fenômeno, mas ainda tem quem mereça ser citado, até não são poucos os exemplos.

 

Um deles, bastante interessante, é o de Stephane Sarrazin. Quando corria na F-3000, pela Prost Junior, parecia “apenas mais algum”, que teve a chance de acrescentar no currículo uma largada na F-1, em Interlagos’1999, com uma Minardi (na vaga do machucado Luca Badoer). Eu estava lá e me lembro bem da rodada depois da Subida do Café. Parecia o fim de qualquer sonho de sucesso, até que ele ganhou a chance de mostrar o que sabia no comando dos protótipos LMP1 e GTs, com direito a quatro pódios nas 24h de Le Mans, correndo por Oreca, Pescarolo e Peugeot. Ano passado, fez jornada dupla, ajudando a Starworks a se sagrar campeã mundial de endurance na LMP2 e defendendo o esquadrão oficial Toyota, no comando de um TS030 HY.

Só que não para por aí. Filho de um piloto amador de rali, ele sempre teve um fraco pela modalidade e não demorou a mostrar que também era bom de serviço nas estradas abertas. Sagrou-se campeão francês e, em 2004, se transformou em integrante do time oficial Subaru, ao lado de ninguém menos que Petter Solberg, com direito a um quarto lugar. E, enquanto se prepara novamente para a maratona da Sarthe, quando tentará pela primeira vez subir ao degrau mais alto do pódio, mostrou que não esqueceu como se faz, ficando em terceiro no Tour de Corse, válido pelo Europeu, a bordo de um Mini S2000. Ano passado, nas 6h de Interlagos, perguntei qual era o segredo para se adaptar tão fácil, e a resposta do simpático e sorridente francês foi interessante. “É como se minha cabeça tivesse guardadas as condições necessárias para cada tipo de prova. Basta entrar em ação e os automatismos aparecem, felizmente não me confundo ou troco de categoria. Me divirto tanto nas pistas quanto nos ralis…” De tirar o chapéu…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s