Filho de Kejo, Nico é (Coluna Sexta Marcha)

Uma pista sem meios-termos. Do charme da família real às prosaicas vassouras usadas para limpar os detritos no asfalto; da menor velocidade dos carros em qualquer ponto das 19 etapas do campeonato (na curva do Loews, o grampo em descida a caminho do túnel) aos inacreditáveis 275 km/h da freada na chicane do porto, onde as principais retas são curvas e não há mais do que três segundos consecutivos para que os pilotos possam “descansar” enquanto administram as 50 mudanças de marchas e os mais de 20 botões no volante – regula-se regime de rotação do motor, balanço dos freios, barras de torção, torque, e ainda é necessário ser fiel às orientações via rádio e ter sensibilidade para ser “seis décimos mais rápido”, ou “quatro décimos mais lento”, como se isso fosse fácil, natural.

Para esses 22 homens magníficos e suas máquinas voadoras (sim, peguei emprestado o título do filme) é sim, tudo natural, quase fácil. E estamos falando de mudanças de direção intermináveis em meio aos onipresentes guard-rails, de zebras que atiram os carros à frente, de margens de erro próximas de zero. Aliás, para quase todos, já que alguns não conseguem ser tão brilhantes na arte de acelerar em Mônaco, onde erros de presunção, cálculo ou mesmo de timing são pagos cash, na hora, sem choro nem vela.

Seria mesmo uma heresia pensar em retirar o GP mais glamouroso do ano do calendário apesar de os 3.340m serem cada vez menores para tanta tecnologia, evolução, aderência aerodinâmica. E não por conta dos atores, atrizes, Loebs e Rossis que sempre marcam presença; dos iates gigantescos e das festas principescas. Mas porque não haveria senso em se acelerar em paragens como o Barein ou Cingapura (nada contra os países, só contra os circuitos) e deixar de fora um traçado em que o maior barato é ser o menos devagar, não o mais rápido. Piloto que é bom tem de mostrar serviço em Mônaco, Melbourne, Interlagos, Spa-Francorchamps, Silverstone, Nurburgring e Suzuka, vestibulares diferentes, mas igualmente reveladores do talento e da eficiência do equipamento.

E eu não iria tão longe a ponto de dizer que esta é a geração mais completa da história do circo, mas ver num mesmo pelotão Vettel, Hamilton, Alonso, Raikkonen, Button e os “sem-título” Rosberg, Webber, Sutil e Perez deu gosto. Dizer que não era o fim de semana da Ferrari é garoar no molhado do treino de sábado – os dois acidentes de Felipe Massa deixam várias pulgas atrás da orelha, pela semelhança, por algumas imagens da TV italiana (que mostravam no sábado as duas rodas dianteiras esterçadas em graus diferentes, como se algo estivesse quebrado). Pode ser apenas uma questão de acerto, de regulagens de suspensão, de altura do carro em relação ao solo, mas pode também não ser – e na corrida não foi. E o sétimo lugar do asturiano com o carro que vinha sendo o melhor em ritmo de corrida não foi bom sinal para quem sonha com o título. Em meio às polêmicas, acusações mútuas e tiroteio contra os pneus, lá se vai Sebastian Vettel sorrateiramente na frente. E uma Mercedes que muitos diziam fadada a aguardar pelo menos uma temporada para virar carro de ponta, graças ao trabalho de Lewis Hamilton, brilhando com Nico Rosberg, o filho de Kejo, ou Keke, como ficou mais conhecido. Ninguém consegue três poles e uma vitória (este ano) impunemente.

Se Mônaco é a pista de extremos, ela consagrou lendas como Ayrton Senna, Graham Hill e Michael Schumacher; mas também pilotos de uma só corrida, como Jean-Pierre Beltoise, Jarno Trulli e Olivier Panis. Rosberg Júnior não está em nenhum dos opostos, mas muito bem colocado no meio do caminho. Como o Canadá é tradicionalmente palco de GPs emocionantes, que venha Montreal então…

Carona

Já que falei em Loeb e Senna, pego carona pra fazer um marketing pessoal que tem a ver com ambos. Quem acompanha a coluna e o blog há mais tempo sabe que este que escreve encarou o desafio de ser piloto de rali, sem qualquer pretensão de ser um Loeb, claro, mas disposto a viver sensações semelhantes. E depois de uma pausa, estou aquecendo os motores para o retorno, com um apoio muito especial: o do representante brasileiro da OMP, a tradicionalíssima fábrica italiana que equipava o saudoso tricampeão. Se fosse apenas pela qualidade de macacão, sapatilha, luvas, bancos e cintos, sua majestade Loeb que se cuidasse. Não vou tão rápido, mas igualmente seguro e protegido. Valeu…

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