Teste secreto? Sei não… pegou mal…

Esqueçamos o resultado do GP de Mônaco e qualquer influência que ter completado 1.000 quilômetros com um carro 2013 e todo o suporte da fabricante de pneus em Barcelona possam ter representado. Desde o momento em que foi confirmada fornecedora única para o Mundial de F-1, a Pirelli demonstrava uma preocupação até exagerada com o equilíbrio e a competitividade, para não dar espaço a críticas de qualquer espécie. Comprou um carro antigo da Toyota (então já fora do circo) e montou um time próprio de testes. Como era um modelo defasado em relação aos atuais, sem Kers, asa traseira móvel, a solução foi apelar para outro carro: o Renault R30, última máquina do time de Enstone antes de se tornar definitivamente Lotus. Na época, houve algumas reclamações, um ou outro sinal de desaprovação, mas ficou claro que era a forma mais justa de desenvolver os novos produtos. E todo teste era estritamente controlado pelos times ou pela FIA. Cada exibição, como a de Felipe Massa nas ruas do Rio, é feita com pneus duros como pedra, específicos para este tipo de situação.

O discurso se mantinha ao longo das temporadas: poderia haver o recurso a algum dos 11 times com um carro novo, desde que todos fossem informados, consultados e dessem seu OK, o que parecia improvável. Tão improvável que, passado o GP da Espanha, e bastante tempo depois, descobriu-se que a Mercedes, sabe-se lá a razão, foi a ungida para avaliar as mudanças pedidas pelas adversárias diante dos pneus-muçarela, como bem chama a imprensa italiana.

Ora, onde fabricante de pneus e time estavam com a cabeça ao imaginar que não seriam desmascarados? Até me impressiona que ninguém tivesse notado a movimentação antes pelos lados de Montmeló. E se fosse um trabalho despretensioso e com contornos de justiça, seria executado por pilotos de teste, não por Nico Rosberg e Lewis Hamilton, que ganharam a chance de brincar por dois dias enquanto todos os adversários se limitavam aos simuladores.

Felizmente o episódio veio à tona e vai parar no Tribunal Internacional de Apelação da FIA. Exclusão do Mundial sinceramente eu não acredito, mas que vem uma pesada multa, com certeza, e pode ser que Bernie Ecclestone aproveite a desculpa para passar a régua na Pirelli e negociar com uma substituta. A justificativa adotada é de que o teste foi oferecido a todas as outras escuderias, mas apenas a de Ross Brawn (do difusor duplo e de outras manobras eticamente condenáveis) aceitou. Claro que as rivais vão dizer que não fazem a menor ideia do que se tratava, tanto assim que a Ferrari já gritou em Mônaco. O ideal seria dar fim à hipocrisia, marcar uma meia-dúzia de testes abertos a todos durante o ano e acabar com a guerra de bastidores que não leva a lugar algum. E tomara que uma das Flechas de Prata não se torne campeã mundial (nada contra a marca, a equipe ou os pilotos, que fique bem claro…), ou a temporada será mais uma marcada por uma polêmica absurda…

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