Pobre Brasília. E tem quem brinque…

Mais uma vez a voz que se levantou primeiro foi a de Thiago Camilo, com uma constatação doída de tão verdadeira: enquanto o novo Estádio Mané Garrincha, em Brasília, consumiu R$ 1,6 bilhão dos cofres públicos, coube uma reforma mambembe ao Autódromo Internacional Nelson Piquet, que desde a inauguração, em 1974, não passa por uma remoçada. Asfalto, instalações e entorno são os mesmos, exceção feita a uma ou outra mudança cosmética, que não faz nem de longe, da pista do Autódromo Internacional Nelson Piquet, um palco digno como já foi para receber a F-1 e a defunta série BPR de endurance.

O resultado disso pôde ser visto na sexta etapa do Brasileiro de Stock Car. Impressionante como a presença de ex-pilotos na cúpula da CBA é a maior da história, e nem assim foi possível constatar que a operação tapa-buracos, daquelas de prefeitura preguiçosa, não resistiria à passagem dos V8 e seu caminhão de potência. Ora, será que organizadores e dirigentes não se deram conta da baixa qualidade do serviço ou, o que é pior, viram e gostaram do que viram? Então agora os pilotos da categoria terão que visitar cada autódromo com muita antecedência para dar seu aval, é isso? É triste constatar que, enquanto as ruas de Salvador estão aptas a receber provas homologadas, circuitos históricos como Tarumã e Brasília vivem um processo de morte lenta. Jacarepaguá acabou e chega a ser inacreditável que instalações relativamente acanhadas (estou falando do traçado) como as do Velopark, do Velo Cittá e do Mega Space são as em melhores condições.

Em meio aos atrasos, reclamações e mudanças na programação, a prova de hoje saiu, mas Deus sabe como. Como vão ficar o Brasileiro de Marcas, o GT Brasil, a F-3, o Mercedes-Benz Grand Challenge, o Sprint Race, a Spyder Race – Interlagos vai se transformar no palco de uma maratona de corridas, e o resto vai permanecer jogado às traças? Botar a culpa no governo é fácil – volto a dizer que os autódromos privados e/ou bem administrados vivem momentos de prosperidade. Mesmo com muito menos dinheiro que o destinado à Copa do Mundo, seria possível fazer bem melhor. Ninguém quer instalações principescas do Barein ou Abu Dhabi, apenas um manto de asfalto liso e bem conservado e estrutura digna de trabalho…

Por último, ainda mais triste é ver como colegas, pseudojornalistas useiros e vezeiros das redes sociais fazem piada com algo muito sério. Houve gente sugerindo que se instalasse zebras virtuais no traçado, como se fosse adiantar alguma coisa. No dia em que não houver autódromos, ou eles estiverem tão jogados às traças, não haverá categorias, sites, blogs, revistas, empregos, mercado de trabalho para muita gente boa. Aí será tarde para brincar ou tentar uma solução… Pena…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s