Eldora: a esperada volta às origens da Nascar…

Eldora é uma cidadezinha do estado de Ohio, na região central dos EUA, como há tantas na terra do Tio Sam. Exceto por um detalhe: nela está o circuito oval de terra mais famoso e tradicional do país, palco de inúmeras provas de Midgets e World of Outlaws, aqueles carrinhos com aerofólios assimétricos e chassis que parecem saídos dos anos 50. Talvez o leitor não saiba, mas o caminho de muitos aspirantes ao olimpo (a Nascar) não começam no kart, ou saltam dele para as competições na terra e, ao brigar constantemente com a traseira dos carros que insiste em desgarrar a cada curva, tornam-se pilotos mais preparados, mais completos. Tony Stewart é um dos grandes exemplos. Tão grande (nenhuma menção ao tamanho do piloto, que cresceu lateralmente um bocado depois de sair da IRL) que Smokey, depois de vencer inúmeras vezes no Speedway, resolveu comprá-lo e mantê-lo em atividade constante. É até difícil enumerar o emaranhado de campeonatos, categorias – além dos midgets e dos WOO, há Late Models, ARCA, Whelen All-American, certames regionais e tudo o mais, para todos os bolsos e currículos.

Pois o leitor talvez não tenha se dado conta de que a brincadeira começou na areia de uma praia (por qual motivo Daytona Beach se tornou local de peregrinação e culto?) e que as visitas aos dirt speedways foram comuns. Mas há 42 anos um carro de uma das divisões da Nascar não colocava os pneus na terra. A ideia foi lançada e se transformou em febre, em acontecimento. E em plena semana da Brickyard 400, em Indianápolis, os olhos dos fãs, pilotos, equipes e do mundo da stock car “made in USA” se voltam para as duas curvas e duas retas de apenas 805 metros de extensão. Não por acaso, a prova foi marcada para a quarta à noite, de modo a evitar a concorrência das demais séries. E muita gente que já andava longe da Camping World Truck Series, ou especialistas em provas na terra se juntam ao grid habitual da categoria, que tem o gaúcho Miguel Paludo num truck da equipe Turner.

O mais sensacional é que apenas os times nas 20 primeiras posições do campeonato têm lugar entre os finalistas. E os demais terão de se matar a grito por um lugar na prova decisiva, por meio de repescagens (cabem 30 no grid). E não pense que os carros acostumados ao asfalto liso vão andar do mesmo modo levantando poeira – um dos motivos, aliás, para que as 100 voltas finais sejam divididas em quatro sequências de 25, para que a pista seja devidamente irrigada e a visibilidade mantida. Com a devida autorização da Nascar, fui buscar uma reportagem que mostra as diferenças entre uma Toyota Tundra para o asfalto e a que será usada em Eldora. E nem tem problema caso você não domine o inglês, as imagens mostram direitinho o que muda. Confesso que me chamou a atenção o fato de os trucks andarem com a altura do solo praticamente a mesma, o que mostra que teremos um tapete de terra, com o mínimo de ondulações possível. E será sensacional ver a turma brigando com a traseira, volantes movidos freneticamente, derrapagens constantes e inevitáveis. Quem se sairá melhor nessa? Eldora não é Daytona, Indianapolis, Sebring, Le Mans, Spa, Silverstone ou Monza, mas promete uma noite histórica… para quem sabe também se tornar circuito lendário…

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