Pobre esporte brasileiro…

Quando se pensa que o fundo do poço chegou, eis que é possível descobrir que a queda continua. Imagine a situação, caro leitor: o país vai sediar a Copa do Mundo e, durante o aquecimento para uma partida, descobre-se que o gramado está tão comprometido que não há como fazer a bola rolar nele, muito menos plano B. É mais ou menos o que ocorre com a segunda fase do 48º Brasileiro de Kart, no Kartódromo Júlio Ventura, em Eusébio, Grande Fortaleza.

Se você não acompanhou a história, eu explico: na terça-feira os pilotos das categorias Graduados, Novatos, Sênior A, Sênior B, Super Sênior, Super F-400 ganharam a pista para os primeiros treinos livres. Esperava-se que uma sede escolhida há mais de seis meses estivesse 100% pronta e em condições de receber um evento do gênero, mas não foi o caso. Um recapeamento de última hora foi feito, mas mesmo quem não é especialista sabe que o asfalto novo precisa de tempo para ser “curado”, para assentar no solo e ganhar a consistência definitiva.

Lógico que o tempo necessário não foi aguardado e a força dos karts literalmente arrancou pedaços do traçado, provocando inicialmente o cancelamento dos treinos livres da tarde de ontem e, em seguida, de toda a atividade de hoje (quarta-feira). Uma solução foi tentada com cimento, mas não há garantia de que resista. Ou que os pilotos mais rápidos serão os vencedores – pode se dar bem quem tiver a sorte de escapar de um buraco ou de uma ondulação capaz de torcer um chassi. (como meu xará Rodrigo Mattar, tomei a liberdade de “roubartilhar” uma imagem do colega Flávio Quick para mostrar que não é exagero).

Fosse por um fenômeno natural, um terremoto, enchente ou nevasca, e seria possível entender e aceitar o que se passa no Ceará. Mas estava claro que um problema ocorreria, e quem de direito não fez o que deveria. Donde eu modestamente pergunto: e os gastos de passagem, hospedagem, as despesas com mecânicos, com o envio do equipamento em caminhões, carretas e furgões atravessando o país? Pensar que o mesmo ocorreu em Brasília na Stock Car, e apenas muito jogo de cintura foi capaz de evitar um episódio de comédia pastelão. Não adianta cobrar profissionalismo de pilotos, equipes, imprensa e demais envolvidos se quem organiza não faz sua parte. Nada contra levar o esporte a todo o Brasil, por mais que estejamos em um país continental, mas há vários outros kartódromos em melhores condições, inclusive no Nordeste. Depois ainda vai aparecer gente dizendo que não entende o motivo de não revelarmos tantos campeões quanto no passado. Pobre automobilismo brasileiro…

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