Uma pista que faz valer qualquer GP (Coluna Sexta Marcha)

*** Então é isso: Sebastian Vettel caminha a passos largos (ou será aceleradas decididas) rumo ao tetracampeonato, mas nem o domínio incontestável no fim de semana em Spa – não fosse a chuva e certamente o alemão sairia da pole – foi capaz de estragar a magia de um evento único, com atrativos muito maiores que os de várias outras “pseudopistas” do circo. Saiu exatamente assim no Estado de Minas, e você agora lê por estas bandas…

Uma pista que faz valer qualquer GP Não dá para conceber o Mundial de Fórmula 1 sem seu palco mais sensacional. Que Monza e Silverstone são dois templos que resistem ao tempo e conseguem conservar o charme apesar de tantas mudanças ao longo dos anos é fato, mas a extensão de terra do que um dia foi apenas a ligação viária entre Spa e Francorchamps tem um algo a mais, que nem mesmo a mania de asseptizar e a capacidade de tirar o que há de mais característico em cada circuito conseguiram prejudicar. Ok, a Eau Rouge já foi curva que separava os homens dos meninos e hoje, ao menos em termos de pilotagem, se transformou em “mais uma”, mas é nas cercanias de Liége que a F-1 faz as pazes com o passado, sai do lugar comum, oferece tantos fatores quantos sejam possíveis para definir um GP.

Longe vão os tempos brilhantemente trazidos de volta pela patrocinadora da corrida de ontem, num vídeo de meia hora que mostra o que era acelerar por aquelas bandas no remoto 1955 (que, aliás, está no blog, para quem quiser curtir). Quando a extensão do circuito era dobrada, e os riscos multiplicados à enésima potência. Tempos em que uma rodada poderia levar uma máquina descontrolada ao jardim de uma das casas do entorno, quando não a um poste, uma mureta, ou coisa pior. E em que brilhar exigia mais do que muitas pitadas de coragem insana e amplo controle do equipamento, mas também uma capacidade de memorização insana para não se confundir em meio a tantas curvas cegas; subidas e descidas, freadas e mergulhos em total apneia rumo a um carrossel de velocidade e desafio.

Por estas e outras que não dá para sair em defesa de Cingapura, Abu Dhabi, Barein ou Sepang, é simplesmente covardia. E nem mesmo uma corrida com desfecho escrito desde a sexta-feira, que o treino oficial quis brincar de desmentir, é capaz de estragar o espetáculo. Porque a F-1 na Bélgica são arquibancadas novamente lotadas; é a visão aérea do sobe e desce único na temporada; a velocidade absurda com que se percorre algumas sequências de curvas. São 7.004m que aguçam o instinto de quem realmente sabe, convidam a tentar, a ser agressivo, não a se contentar com alguns pontos a mais. Mesmo que não acabe bem, o que muitas vezes é o caso.

Não deixa de ser irônico que o carro com a menor velocidade de reta entre as máquinas de ponta leve a melhor também em Spa. E mais uma vez o fato de ser sob o comando de um tal piloto de Heppenheim, a cada dia com mais dificuldades para encontrar estantes que caibam tantos troféus, o que mostra, no mínimo, que Sebastian Vettel merece o RB9, e vice-versa. Que o talento, sozinho, não basta para vencer corridas e campeonatos, salvo raras exceções, não é algo novo, o que Fernando Alonso deveria saber há tempos. Pena que ele faça questão de não lembrar que boa parte do sucesso em seus dois títulos se deveu á eficiência dos pneus Michelin, em época de guerra de trincheiras com a Bridgestone. Que diferença ver o prazer com que Lewis Hamilton e Kimi Räikkönen encaram cada metro de pista, cada resultado acima da expectativa – e não será a cara amarrada do asturiano que lhe dará a chance de reverter o cenário. Teorias da conspiração à parte, se num regulamento tão estável e restritivo alguém consegue fazer a diferença com inspiração e transpiração, merece mesmo deixar a concorrência falando sozinha. E que venha Monza, onde a história e a atmosfera também são capazes de tornar um GP comum numa prova, digamos, diferente.

Altos e baixos Na era dos simuladores que quase fariam de um campeão de videogames um bom piloto (olha que a Nissan lançou uma academia em conjunto com a Sony – Playstation – e os resultados têm sido surpreendentes em competições de GT), Spa serviu ainda para lembrar que o buraco, as vezes, é bem mais embaixo. Chega a ser impiedosa a comparação entre os dois mexicanos do circo – Sergio Perez e Esteban Gutierrez – e seus respectivos companheiros. E pensar que houve gente que se apressou ao considerá-los as novas joias do circo, assim como o finlandês Valterri Bottas, outro que continua devendo. Os mesmos que saíram em campanha desenfreada contra Bruno Senna, como se o trabalho honesto do brasileiro com uma Williams pífia não fosse digno de nota. Coisas do “Piranha’s Club”, como sempre bem definiu Eddie Jordan: um mundo em que todos estão com os dentes afiados à espera da próxima presa, sem perdão…

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