Autorama de luxo – Coluna Sexta Marcha

*** Diante da insolente dominação de Sebastian Vettel e seu touro alado, fica até complicado sair do óbvio e procurar por explicações. Tudo indica que o fim da temporada, especialmente nas pistas menos interessantes (e a Coreia é uma delas) será de um sono tremendo – e não só por conta do fuso horário. O grande ponto de interrogação até Interlagos será saber até onde vai o menino de Heppenheim ao se aproximar dos maiores  (ao menos em termos de quantidade de vitórias, poles, títulos, já que a discussão daria pano para a manga. Espero estar enganado e torço para que o que resta de 2013 não seja digno de autorama, como diz a coluna, mas traga alguns motivos para emoção, enquanto a revolução do ano que vem não chega…

Autorama de luxo

A turma do século passado (especialmente quem nasceu da penúltima década para trás) com certeza se lembra dos autoramas, o mais próximo que existia de uma pista de corrida antes que os computadores e simuladores ganhassem as casas e fosse possível viver uma experiência quase tão real quanto a de pilotar num GP. Duas ou várias pistas paralelas e o desafio de dosar a aceleração na mão, sem poder desenhar trajetórias e contando com a sensibilidade (e a potência dos carros, claro) para chegar na frente. O brinquedo pode ter ficado raro, coisa de aficcionado, mas ainda resiste – e quem já viu os Scalextric, ingleses, sabe como o barato ficou ainda maior do que os tempos em que os Ralts de Ayrton Senna e Martin Brundle mediam forças nos quartos de muitos meninos (eu entre eles).

Fica difícil não comparar as 61 voltas do GP de Cingapura a um autorama em tamanho natural, dos mais antigos mesmo. Quase não havia como mudar a trajetória; quem largou na frente chegou na frente com sobras e a única coisa capaz de trazer alguma disputa foi a diferença entre os estado dos pneus nas últimas voltas. O problema é que o carrinho azul com o touro vermelho e o número 1 é muito superior aos demais, e ainda arranjaram para comandá-lo um moleque que sabe apertar o gatilho (ou o acelerador, que dá no mesmo) como ninguém.

Os bons autoramas, os mais completos, costumavam pelo menos trazer a possibilidade de montar vários circuitos diferentes, quando a brincadeira cansasse. O problema é que não é este o caso nas ruas de Marina Bay. Lógico que a perspectiva de uma corrida noturna, quando se começou a cogitar a possibilidade, era fantástica, que o cenário ajuda, mas nem é preciso ir longe para constatar que Cingapura está mais para Phoenix ou Las Vegas (duas pistas que não deixaram a menor saudade) do que para Montreal ou Mônaco.

E o pior é que Bernie Ecclestone, embora capaz de quase tudo no circo, não tem na manga do colete nada para tornar as seis corridas restantes dignas de maior emoção. Interlagos vai ver novamente um piloto mais do que relaxado (como em 2011, não como ano passado) e todos os outros aliviados por poderem enfim se concentrar em 2014 quando, esperam, terão a chance de desafiar o tetracampeão de Heppenheim. Ou o leitor ainda duvida que o desfecho do Mundial está escrito e definido?

Eu não queria estar na pele dos diretores de Ferrari e Mercedes, obrigados a escolher entre jogar as remotas chances ou apostar todas as fichas no ano que vem, quando a mudança radical no regulamento pode embaralhar um pouco as cartas. Só que aí vem à mente um pensamento de Adrian Newey, para quem “é muito melhor quando há regras novas, ou elas são menos restritivas, pois há liberdade para criar, inovar”. Ou seja: corre-se o risco de o alemão e seu touro vermelho dominarem a brincadeira com facilidade ainda mais desarmante. O que não seria nem um pouco bom para o espetáculo, especialmente considerando que há outros quatro campeões mundiais na pista, e só o quinto vence. Como Vettel e a Red Bull não têm nada com isso, cabe à concorrência dar seu jeito, já que autorama bom é o menor, não o de verdade.

Calendário

Por estas e outras é que o desejo de expandir ainda mais o calendário do circo preocupa. Uma temporada com 21, 22 etapas vai estar mais para Nascar do que qualquer outra coisa. E um dos grandes baratos da F-1 ainda é o fato de não ser disputada todo domingo. Tudo bem que sobra quem queira (e tenha caixa para bancar) um GP, mas está mais do que claro que Coreia do Sul, Índia ou Barein, sem qualquer desrespeito aos países, não fariam a menor falta, enquanto México e Áustria merecem voltar. A Rússia sim é a grande incógnita, se é que teremos corrida nas ruas de Sochi.

Reconhecimento

“Obrigado por tudo. Isso sim é que é um trabalho de equipe”

Sebastian Vettel, depois de sobrar na pista, sem esquecer que não domina sozinho

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