Pobre automobilismo brasileiro, parte 7.567.345

Não sei sinceramente o que é pior: se o estado da pista de Brasília, remendada às pressas para a Stock Car e que despertou irritação dos pilotos, preocupados com a segurança e o risco de perderem posições por irregularidades no asfalto; ou se a penúria de algumas de nossas categorias. Lógico que quem comanda tem muita responsabilidade sobre este estado de coisas, mas não só. Já tive a chance de lembrar que os circuitos brasileiros são, em sua maioria, do poder público, que não está nem aí para estas instalações tão especiais, guardadas as devidas exceções.

O Rio destruiu Jacarepaguá sem dó nem piedade e sabe-se lá quando virá, se é que virá, um autódromo à altura. De Brasília o pior é saber que as coisas estão como estão desde praticamente 1974, e nem mesmo a passagem de Nelson Piquet no comando serviu de alguma coisa, como a mostrar que muitos são os responsáveis. Tarumã sobrevive como pode, Guaporé e Santa Cruz do Sul respiram em condições algo melhores e, de Goiânia, que já foi pista de Moto GP, parece que finalmente uma reforma decente sairá, já que o traçado é mais que interessante e é sempre mais fácil consertar do que fazer um novo. Interlagos é um caso à parte, enquanto houver F-1 e Mundial de Endurance a justificar a perfeita conservação.

O problema é que não estamos padecendo apenas com as pistas. Saudade dos tempos em que os títulos internacionais se contavam nas duas mãos, nos pés e em mais alguma coisa. Desta vez, se não vier na Indy, dificilmente virá de outro lugar. Nada contra ver Hélio Castroneves, Tony Kanaan, Bruno Junqueira, Bruno Senna, Lucas di Grassi, Augusto Farfus, Allam Khodair, Ricardo Zonta, Nelsinho Piquet e João Paulo de Oliveira, só para citar os casos mais emblemáticos, carregando as cores verde e amarelas pelo asfalto do mundo. Mas, e a renovação? E o desembarque constante de brasileiros a assombrar as pistas da Europa e dos EUA? É desanimador saber que temos carros e motores sobrando e apenas seis bravos largaram na quinta etapa do Sul-Americano de F-3, a famosa prova de Brasília em que Raphael Raucci decolou com seu Dallara numa lombada na entrada do retão, e felizmente não teve nada mais sério.

Olha que a F-3 ainda é muito mais barata do que qualquer categoria de formação do lado de lá do Equador. Nem assim é possível reunir grids dignos, manter em atividade equipes tradicionais, atrair novamente mais argentinos, uruguaios, sonhar com mais eventos internacionais capazes de trazer ao Brasil um ou outro europeu disposto a acelerar por estas bandas. E pensar que um certo Robert Kubica fez bonito ao enfrentar nossa turma da F-Renault, que era absolutamente a mesma disputada na Itália, França, Inglaterra e Benelux. Era um intercâmbio positivo, que ocorria também nas provas de endurance, com as máquinas e pilotos que batiam cartão nas Mil Milhas, de saudosa lembrança.

Apontar o dedo no nariz dos culpados é como discutir o sexo dos anjos, é possível gastar posts e mais posts. Lógico que CBA e federações têm sua parcela, que donos de equipe que andaram pedindo muito e inflacionaram o mercado também, assim como as prefeituras donas ou administradoras dos autódromos também não cuidaram do patrimônio. Errados estão todos, assim como todos têm algumas virtudes. Que se veja o exemplo do rali, cujos competidores arregaçaram as mangas e transformaram um esporte adormecido numa força digna do espetáculo, com grids lotados e visitantes de outros países, além de TV e exposição de mídia. Vai pegar muito mal no currículo dos envolvidos (nas lambanças, lógico)  a alcunha de terem colaborado para acabar com o que ainda resta de um esporte sensacional. Estamos precisando é de mais pistas, mais campeonatos interessantes, mais organizadores competentes, mais futuro, e menos de viver nos louros do passado… Aliás, vale dar uma olhada no post abaixo, para descobrir como é possível fazer bem para o automobilismo, como mostram os vizinhos chilenos. E tenho dito…

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