Agenda, antes das férias…

Sim, como o blog é feito de alguém de carne e osso, ainda que por vezes a impressão seja de que corre gasolina nas veias, é sempre bom um descanso uma vez por ano. Nem por isso o amigo leitor vai ficar livre da agendinha de um fim de semana que consagrará mais campeões – pelo menos dois, os da GP2 e GP3 que, depois de longo e tenebroso inverno, voltam à ativa em Abu Dhabi. E tem mais coisa acontecendo, a começar por Yas Marina, onde Sebastian Vettel pode, agora totalmente relaxado, alcançar a incrível sétima vitória consecutiva com seu touro alado. A aguardar…  E semana que vem já tem agenda, a toda velocidade…

Internacional

Mundial de F-1: 17ª etapa – GP de Abu Dhabi (Yas Marina)

GP2: última etapa (Abu Dhabi)

GP3: última etapa (Abu Dhabi)

Porsche Supercup: última etapa (Abu Dhabi)

Mundial de Turismo: 11ª etapa – Xangai (China)

Nascar Sprint Cup: 34ª etapa – Texas Motor Speedway

Nascar Nationwide Series: 31ª etapa – – Texas Motor Speedway

Nascar Camping World Truck Series: 20ª etapa – Texas Motor Speedway

Brasileiro/Sul-americano de GT: penúltima etapa – Buenos Aires

Nacional

Mercedes-Benz Grand Challenge: 7ª etapa – Tarumã

Olho neles, antes que a fonte seque…

Pode ter passado meio batido mas, justamente quando o automobilismo brasileiro vive um preocupante momento no que diz respeito à renovação, é sempre bom ressaltar uma iniciativa que chegou à 15ª edição e é o mais importante que se faz para tentar seguir revelando campeões nas pistas. Falo da Seletiva Petrobras de Kart, vencida por Olin Galli, piloto carioca de 17 anos. O prêmio de R$ 123 mil e o teste nos EUA são um tremendo incentivo, na verdade dos poucos que se consegue acelerando no país (vale um parêntese para elogiar o que vem sendo feito por Rafael Cançado da RBC Preparações, cujas competições oferecem prêmios e participação em eventos do kart internacional, como a final do Challenge Iame X30, vencida em 2012 pelo mineiro Sérgio Sette Câmara).

Isso posto, e como um evento de dois dias não é o suficiente para determinar quem tem talento e quem não – muito pelo contrário, todos os finalistas merecem elogio, e entre quem não se classificou também há gente boa de braço – fica o desejo de que não apenas Galli, mas seus adversários, casos de Bruno Bertoncello, Vítor Baptista, Matheus Leist, Pietro Rimbano e o mineiro Paulo Victor, um dos caçulas da seleção deste ano recebam todo o apoio de quem pode fazer alguma coisa. Não custa lembrar que “nunca antes na história deste país” a fonte esteve tão vazia, quase seca. E melhor do que qualquer coisa é ter para quem torcer nas pistas do mundo como protagonistas em brigas de cachorro grande. Ainda está em tempo…

Ode a um tetra, mas não só a ele…

Pilotos não precisam ser simpáticos, humildes, disponíveis, sorridentes, muito menos encarar o que fazem como a concretização do sonho de criança, de quando, em muitos casos, não tinham o devido suporte, ou eram apenas alguns numa multidão, sempre com mais candidatos do que vagas a cada novo degrau da escada rumo ao topo. Podem até ser vistos como pouco carismáticos, sem personalidade, isso quando não se perdem no discurso vazio e incapaz de discutir polêmicas, ou fazem de tudo para esconder as emoções.

Imagine então alguém que, além de ser tudo isso, se especializou em estragar a festa e os sonhos dos outros simplesmente vivendo os seus. Que continua, e não apenas por marketing, a achar que chegou mais longe do que poderia um dia imaginar e, por isso, curte cada pole, cada volta mais rápida, e cada vitória. E se a medida do talento de um piloto e um time pode ser dada pelo nível dos adversários, aí é que a conversa fica séria. Bater Alonso, Räikkönen, Hamilton e Button, só para ficar nos campeões, é coisa de gente absurdamente grande.

Que poderia perder a paciência a cada nova insinuação de que seu carro tem algo fora das regras, um controle de tração, por exemplo. Mas que responde com um bom humor inabalável. “Sim, nós temos um dispositivo secreto, e ele vai ficar melhor a cada GP”. Tudo indica que a genialidade de Adrian Newey e a competência da Renault fizeram o V8 francês trabalhar com a metade dos cilindros nas curvas de média e baixa velocidade, para reduzir o torque e o patinamento das rodas, mas até aí, é algo que não foi contestado por qualquer adversário.

Por essas e por outras é que tem mesmo que tirar o chapéu – e olha que já são quatro diferentes – para Sebastian Vettel. “Não sabe o que é correr num time pequeno”? E a Toro Rosso 2008? “Não sabe largar do fundo e recuperar posições?” E Interlagos 2012, quando saiu do fundo do grid com a Red Bull danificada na lateral esquerda? Tem o melhor carro? Volto a questionar: que campeão mundial nos últimos anos carregou a máquina nas costas? Pode até ficar chato um só vencedor; o campeonato decidido três corridas antes do fim, mas o moleque de Heppenheim não tem a menor culpa. E se hoje ele é mimado, recebe atenção especial da equipe, nada mais justo, pois paga com juros e correção tudo o que foi apostado desde os tempos do kart, quando o filho do carpinteiro suava para tentar ir mais longe, e encontrou no touro vermelho quem acreditasse em seu potencial.

E olha que começa a ficar complicado pensar em mudanças no panorama mesmo ano que vem, quando os V6 turbo passam a equipar as máquinas do circo. Se há alguém com tecnologia em motores sobrealimentados é a marca francesa, e Newey já cansou de dizer que prefere os momentos em que as regras trazem novos desafios. Vai mudar praticamente tudo em 2014 mas, se a confiabilidade mecânica do carro 1 prosseguir, vai ser difícil impedir o penta, os recordes quebrados, a perda de brilho de um certo Michael Schumacher junto aos compatriotas. Vettel continuará sorrindo, festejando, com o olhar de criança – se o leitor não chegou a acompanhar em 2011, meu filho, Guilherme, ganhou autógrafo com dedicatória especial de alguém que teve a paciência de me pedir: “soletra o nome dele por favor”. O que, a esta altura, virou troféu, lenda. Dizem que jornalista não deve torcer, e eu concordo. Mas o mínimo que eu posso dizer é que o tetracampeonato é mais do que justo e merecido e está nas devidas mãos. Bom para o esporte, que ganha uma oxigenada com um campeão de carne e osso, ruim apenas para quem sonha superá-lo… Vettel über alles…

Outros dois

Mesmo com tamanha conquista do piloto da Red Bull, não dá para ignorar duas outras façanhas do fim de semana, que quase poderiam passar despercebidas. Robert Kubica, no ano (integral) de seu retorno às competições depois do grave acidente em 2011, sagrou-se campeão mundial na categoria WRC2 (carros 4×4 turbo 2.000cc derivados de produção, os antigos Grupo N), com um Citroën DS3. Olha que o polonês nunca havia, até o começo da temporada, feito um treino sequer numa estrada de terra, e foi tão bom nelas quanto se mostrou no asfalto. Passou algumas vezes do limite, é verdade, mas virou nome cobiçado no WRC, capaz de fazer muito mais que um certo Kimi Räikkönen, que também andou um bocado.

E em Paul Ricard, Fabien Barthez sagrou-se campeão francês de GT. Sim, o carequinha goleiro da seleção que sapecou os 3 a 0 no Brasil na final da Copa de 1998 se transformou em bem mais que um simples gentleman driver. Andou rápido com a Ferrari 458 GT3 da equipe Sofrev ASP ao lado de Morgan Moulin-Traffort e leva mais um troféu para casa. É sempre legal quando uma personalidade de outra área resolve se aventurar no automobilismo e faz bonito. Diferentemente daquela decisão desgraçadamente triste (para nós), desta vez tem mais é que bater palmas e destacar a façanha…

Agenda… de campeões?

Como eu falava semana passada, a cada vez que se aproxima o fim da temporada nas principais categorias do automobilismo e do motociclismo, começam a surgir campeões, seja por antecipação, seja com o encerramento dos campeonatos. E nestes próximos dias a chance de termos coroados ilustres é grande, ainda que na maioria dos casos antes da hora. Sebastian Vettel pode se dar ao luxo de escolher o GP em que quer se sagrar tetra (o mais jovem tanto a conquistar a marca quanto a fazê-lo de forma consecutiva), mas, depois do que passou em 2010, no primeiro título, certamente não pretende esperar um segundo sequer, e tem tudo para assegurar o número 1 na Índia. Na Moto GP, tanto o novato Marc Márquez, na categoria principal, quanto o compatriota Pol Espargaró, na Moto 2, vivem situação semelhante. E o francês Sebastien Ogier (ê nome, impressionante como é sinônimo de troféus, escrito com A ou com E) corre sem qualquer pressão no Rali da Espanha, campeão que já é. O bom é que tem corridas de sobra, mesmo com alguns pilotos e equipes já de férias, ou trabalhando para o ano que vem…

Internacional

Mundial de F-1: 16ª etapa – GP da Índia (Nova Delhi)

Mundial de Motociclismo: 17ª etapa – GP do Japão (Motegi)

Mundial de Rali: penúltima etapa – Rali da Espanha

Nascar Sprint Cup: 33ª etapa – Martinsville

Nascar Camping World Truck Series: 19ª etapa – Martinsville

Nacional

Brasileiro de Marcas: 6ª etapa – Tarumã

Sul-Americano de F-3: 7ª etapa – Tarumã

Na telinha

Sábado (26)

1h30   Mundial de Moto GP: GP do Japão (treinos oficiais)             Sportv2

3h25   Mundial de F-1: GP da Índia (terceiro treino livre)                 Sportv

6h30   Mundial de F-1: GP da Índia (treino oficial)                           Globo

Domingo

0h       Mundial de Moto GP: GP do Japão              Sportv2

7h30   Mundial de F-1: GP da Índia                         Globo

12h35 Brasileiro de Marcas                                     Band

Hollywood reencontrou o caminho…

Pelo visto a onda de péssimos filmes com o automobilismo como pano de fundo está cada vez mais distante, e Hollywood demonstra estar atenta ao fascínio das boas histórias com as corridas como pano de fundo. De Rush nem é preciso mais comentar, tamanhos os elogios e o sucesso alcançado nos quatro cantos do mundo pelo trabalho de Ron Howard, que veio na esteira das divertidas animações Carros/Carros 2 e Turbo.

Pois eis que a respeitada Vanity afirma que os estúdios 20th Century Fox estão muito próximos do sinal verde para a produção “Go like hell”, título da obra sobre uma das maiores sagas da velocidade nas décadas passadas, que tem como personagem principal ninguém menos que Carroll Shelby, piloto de sucesso e inventor de carros de sonho, como o Cobra. Pois o livro descreve justamente a luta da Ford para dominar as 24h de Le Mans nos anos 1960, que se tornou mais feroz quando Henry Ford viu negada pelo comendador uma proposta de compra da Ferrari, que de adversária passou a ser inimiga, e acabou determinando a criação da dinastia dos GT40.

E Shelby, que vencera a principal maratona do automobilismo anos antes, com Roy Salvadori, no comando de uma Aston Martin, tem tudo para ser interpretado por um ator em condições de fazer as pazes com as pistas: o baixinho Tom Cruise, o herói de Dias de Trovão, que só deve ter agradado quem é muito fã do ator. Como eu disse, é torcer para que o filme, com direção prevista de Joseph Kosinski, saia do papel e ganhe as telas, o que ocorreria até o fim de 2015. Seria mais um daqueles para aguardar salivando e deixar sem fala mesmo quem nunca ouviu falar da história. Fingers crossed…

Novo exemplo do vizinho

Se há algo que não se pode dizer do automobilismo praticado na Argentina é que faltam criatividade, garra e capacidade de responder às expectativas do apaixonado público “fierrero”. Não bastasse o fato de contarem com vários autódromos (bem verdade que apenas três, os de Buenos Aires – que quase foi transformado em depósito de lixo, segundo projeto recente do prefeito Mauricio Macri, que não foi adiante –, Termas de Rio Hondo e o de Santiago del Estero estão em condições de receber eventos internacionais), fizeram do bairro nobre de Palermo pista de corrida e agora resolveram aproveitar o Estádio Unico Ciudad de La Plata, sede da final da última Copa América (não, o Brasil não chegou até ela, caso você não se lembre do vexame).

Agora equipados com motores V8 de origem inglesa (quem diria…), os carros da STC2000 invadiram o gramado transformado em pista asfaltada, evidentemente curta e estreita, para a alegria de cerca de 20 mil pessoas, público mais que razoável. Ideia ótima, não fosse por um detalhe: valeu pontos para o campeonato, e um prova estilo Race of Champions é completamente diferente de qualquer outra coisa, mesmo porque avançar às fases decisivas depende dos cruzamentos, de quem você enfrenta, e aí por diante. E isso o torcedor não gostou muito. Aliás, nada mais justo que um filho de jogador de futebol, Leonel Pernía, levasse a melhor na peleja.

Lógico que não seria o caso de colocar nossos Stock V8 (os carros do Brasileiro de Turismo seriam mais adequados) num estádio para brigar pelo título mas, com tantas arenas à espera da Copa do Mundo e obrigadas a se bancar, talvez fosse o caso de pensarmos em algo parecido por aqui. Nada daquele arremedo desastroso de rali que Rubens Barrichello inventou no Parque São Jorge, para meia dúzia de espectadores. Pegando carona na música, os artistas do volante podem, perfeitamente, ir aonde o povo está. E se funciona com a ROC, no DTM ou na Argentina, por que não seria o caso por estas bandas?

Mais uma da Toro Rosso…

Deveria ser uma das escuderias mais descontraídas do circo da F-1, mas se transformou numa máquina de triturar carreiras promissoras ou arruinar (ao menos para a categoria) as ambições de muita gente boa julgada prematuramente – ou será que alguém duvida que Sebastien Bourdais merecia ter feito mais e andado mais? Foi assim com Scott Speed, Vitantonio Liuzzi, Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi, e olha que Alguersuari venceu tudo o que podia pelo caminho e não fez feio no comando de um dos carros fabricados em Faenza. Desde então, mergulhou no esquecimento total e só lida com a categoria como comentarista de TV.

Sim, falo da Toro Rosso, que só não fez mais vítimas porque Daniel Ricciardo teve a chance (até certo ponto discutível) de substituir Mark Webber na irmã maior Red Bull. Do contrário, dançaria Jean-Eric Vergne, que ganhou uma sobrevida. O objetivo original, aliás, era exatamente este: nutrir a tricampeã mundial de Construtores (graças a um piloto que subiu todos os degraus da ladeira com a ajuda do touro alado, um tal de Sebastian Vettel) de novos campeões saídos do programa de talentos da fabricante de latinhas “que dão aaasas”. O problema reside justamente no fato de que Vettel não nasce em árvore, e a cobrança da dupla Helmut Marko/Franz Tost (há quem diga que o segundo é muito mais severo que o primeiro) fica cada vez mais implacável. A ex-Minardi venceu seu GP na Itália’2008, mas a chance de que isso se repetisse desde então foi nula.

 Só que chegamos a 2013 com a perspectiva de mudança sem traumas, já que um dos alunos aplicados foi promovido, e todas as atenções se voltavam para o português Antonio Félix da Costa. Que ganhou GP de Macau de F-3, fez bonito na Renault World Series 3.5, testou Red Bull e Toro Rosso e foi bem em ambas. Tudo bem que foi “apenas” o terceiro na temporada da 3.5, mas em boa parte devido à escolha feita pelos superiores, que o colocaram num time sem estrutura digna para sonhar com o título. Ainda assim, o “tuga” tinha todo o direito de sonhar com a chance tão esperada, e tudo levava a crer que seria assim…

…mas eis que os rumores começam rápidos (mais do que uma Toro Rosso), gente que nada tinha a ver com a marca das latinhas começou a negociar e surgiu mais um nebuloso grupo russo de investidores capaz de empurrar um compatriota. Por sorte (da equipe), havia um na fila do programa da Red Bull, mas que deveria ter amadurecido um pouco mais até ser galgado o topo. Se você ainda não leu em outro lugar, Daniil Kyvat, de 19 anos, será o companheiro de Vergne em 2014, talvez o pior ano para se estrear na categoria, por conta da quantidade de mudanças e da exigência técnica que elas trarão. Desnecessário dizer que o talento, que o levou a ainda brigar pelo título da GP3, não pesou sozinho (olha que ele tem uma carreira sólida desde o kart, mas longe de ser brilhante).

Fosse por isso e o espanhol Carlos Sainz Junior (filho do bicampeão mundial de rali) teria tanto direito ao cockpit quanto o russo, ou quanto o português AFC. Só pra lembrar, Valterri Bottas, outro que subiu da GP3, era considerado um campeão mundial em potencial, passou um ano aprendendo as pistas ao tomar a vaga de Bruno Senna na primeira sessão livre das sextas-feiras e faz um ano insosso com a Williams. Ou Kyvat segura a vaga com muitos rublos, ou terá de fazer uma temporada irretocável para não sofrer o mesmo fim de colegas ilustres. O mais incrível é que até a Minardi, em sua versão original, era mais ética e transparente ao justificar suas escolhas, pois não sobreviveria sem alguém que pagasse as contas. Se bem que realmente a possibilidade de vender energético na Rússia é bem mais tentadora do que em Portugal…

Agenda em tempos de decisão…

Chega esta época do ano e, em se tratando da velocidade, não tem jeito: ou está decidido ou próximo da decisão. Praticamente todas as categorias sobre duas ou quatro rodas vivem a expectativa de conhecer seus campeões, consagrar os melhores, em muitos casos já tem gente pensando no ano que vem. E é justamente o momento que faz do final de semana algo ainda mais especial, já que número 1 haverá na certa, na Indy. A californiana Fontana determinará quem, entre Scott Dixon ou Helio Castroneves, herdará o trono de Ryan Hunter-Reay, no que pode ser o único título internacional verde e amarelo da temporada (tempos difíceis…). O mesmo ocorre na Renault World Series 3.5 e no Europeu de F-Renault. Na Moto GP, na Nascar e na Stock Car ainda demora um bocadinho, mas o clima já é de reta final. No Europeu de F-3 também é momento de passar a régua, em conjunto com o DTM, que já coroou Mike Rockenfeller. E não dá para esquecer que a Petit Le Mans, em Road Atlanta, encerra uma era nos EUA, marcando o fim da American Le Mans Series e o surgimento oficial do Tudor USCC, o campeonato unificado (sabe lá Deus como) de endurance. Curte aí, que emoção não falta…

Internacional

Fórmula Indy: última etapa – 500 Milhas de Fontana

Mundial de Endurance: 6ª etapa – 6h de Fuji (JAP)

Mundial de Moto GP: 16ª etapa – GP da Austrália (Philip Island)

Mundial de Superbikes: última etapa – Jerez (ESP)

DTM: ultima etapa – Hockenheim (ALE)

Europeu de F-3: última etapa – Hockenheim (ALE)

American Le Mans Series: última etapa – Petit Le Mans (Road Atlanta)

Renault 3.5 World Series: última etapa – Barcelona

Europeu de F-Renault: última etapa – Barcelona

Nascar Sprint Cup: 32ª etapa – Talladega

Nascar Nationwide Series: 31ª etapa – Talladega

Nascar Camping World Truck Series: 18ª etapa – Talladega

Nacional

Brasileiro de Stock Car: 10ª etapa – Curitiba

Brasileiro de Turismo: 6ª etapa – Curitiba

Gaúcho de F-Júnior: 7ª etapa – Tarumã

Na telinha

Sexta (18)

23h35    Mundial de Moto GP (GP da Austrália): treinos oficiais    Sportv2

Sábado (19)

16h         Brasileiro de Stock Car (Curitiba): treino oficial                Sportv

17h45     Nascar Camping World: etapa de Talladega                     Fox Sports

21h30     Fórmula Indy: 500 Milhas de Fontana                               Band/Bandsports

23h         Mundial de Endurance (6h de Fuji): live streaming em www.fiawec.com

23h         Mundial de Moto GP: GP da Austrália                             Sportv

Domingo (20)

10h         DTM: etapa de Hockenheim                                             Bandsports

11h         Brasileiro de Stock Car (Curitiba)                                     Sportv

Presente e futuro da Indy…

Comecemos pelo mais triste e que apenas confirmou o que já se esperava: São Paulo perde a etapa da F-Indy depois de quatro anos de um evento que se consolidou, ganhou platéia cativa e superou mesmo a descrença deste que vos escreve, que não conseguia imaginar como um traçado em torno do Anhembi se tornasse interessante. Foi só ver de perto, em 2011, e sair maravilhado com a capacidade de reunir toda a estrutura (traçado, boxes, hotel dos pilotos, sala de imprensa) em um espaço mínimo, causando um prejuízo nada pesado ao trânsito da Marginal Tietê. Bem verdade que, a exemplo da F-1, estamos falando de um evento que não se paga apenas com os patrocinadores, que exige um belo cachê à organização, bem como arcar com todo o custo de trazer o circo dos EUA, o que não fica barato. Que o Grupo Bandeirantes não seguraria a peteca de bancar a quinta edição da SP Indy 300 era algo que já se comentava, e acabou confirmado tão logo a Indycar divulgou o calendário para 2014. E olha que, tirando a confusão do primeiro ano, quando foi necessário reasfaltar em cima da hora a Passarela do Samba, pilotos e equipes eram só elogios para uma corrida bem mais interessante do que muitas do lado de lá do Equador. Um campeonato que se pretendia mais internacional a cada ano vive fenômeno oposto, e volta a ficar confinado nos EUA e Canadá – só espero que a cobertura pela TV não se ressinta disso…

Por outro lado, o campeonato deste ano chega à decisão em Fontana, com Scott Dixon mais bem cotado do que Hélio Castroneves, distante 25 pontos da ponta. Possível ainda é, agradável perder o título depois de ter liderado por quase todo o campeonato não será nada bom, mas “carreras son carreras”, já dizia Juan Manuel Fangio. O que sinceramente me preocupa é a ideia de fechar a temporada em Fontana, de volta à categoria, muito em função do que ocorreu há dois anos em Las Vegas com o saudoso Dan Wheldon: por mais que os pilotos se respeitem, por mais que os Dallara DW12 sejam bem mais resistentes, o acidente de Dario Franchitti em Houston serviu como um senhor alerta. E a monstruosa pista californiana não é lugar dos mais tranquilos – ouvi, da própria boca, de alguém que correu lá com resultados mais do que bons, que não via a hora de receber a bandeirada e descer do carro, tamanha a tensão e o temor de que algo desse errado. Tomara que os protagonistas pensem duas vezes antes de tentarem manobras mais arrojadas; tenho certeza de que vale a pena perder um pouco da emoção para ganhar em segurança. E que o sábado/domingo seja apenas de festa…

O WRC a caminho de Erechim…

Diz o ditado que “onde há vontade há um caminho”, e felizmente os apaixonados e devotados integrantes do Erechim Auto Esporte Clube, a começar por seu presidente, Roland Koller, piloto dos bons (e pai de piloto), também pensam assim. Em meio ao descrédito geral, muito embora façam hoje uma das principais manifestações automobilísticas da América do Sul, o Rally Internacional de Erechim – que trouxe ao interior gaúcho uma centena de duplas, do Skoda Fabia S2000 ao Lada Laika montado na base da pura garra – resolveram apostar no sonho de receber o WRC.

O leitor do blog acompanhou, aqui, a saga das candidaturas brasileiras defendidas com afinco junto à FIA para que uma das mais sensacionais modalidades do esporte aportasse por estas bandas, mas tanto a ideia de recriar o Rali da Graciosa, em Curitiba, quanto a de criar uma prova nova, entre Rio e São Paulo, esbarraram em dificuldades e não passaram do primeiro estágio. Tanto assim que nem se pensou em incluir o país no calendário, apesar da manifestada vontade daqueles que mandam em incluir o Brasil. Coincidência ou não, tanto o presidente da FIA, Jean Todt, quanto a francesa Michele Mouton, hoje uma das principais autoridades do WRC, aceleraram por aqui quando da primeira passagem do Mundial, nos anos 1980. E VW, Citroën, Ford e a estreante Hyundai enxergam com ótimos olhos a chegada a um mercado tão importante.

Erechim se movimentava silenciosamente, sob a “acusação” de estar distante demais de um grande centro, ou de não contar com a estrutura necessária para um evento de tamanho porte. Pura balela. O próprio ministro do Esporte, Aldo Rebelo, teve a chance de acompanhar a largada da prova válida pelo Sul-Americano e Brasileiro deste ano e ficou maravilhado com o que viu. Na Austrália, Itália ou Suécia, corre-se em locais muito mais inóspitos, fora de mão, e ninguém reclama. Sem contar que o formato do rali gaúcho é um dos mais enxutos que se tem notícia. Deslocamentos curtos, público próximo da ação e uma programação perfeita, que favorece inclusive a TV.

Depois de tanto ouvir, de deixar que outras candidaturas tentassem, a turma do EAEC agora joga sua cartada. Contratou a empresa de marketing de José Carlos Brunoro para assessorá-la no projeto e vai usar todo o capital de simpatia angariado com a Federação Gaúcha, a CBA, a FIA e as autoridades, municipais, estaduais e nacionais. E pretende transformar a edição 2014 num Pré-Mundial para aí sim, em 2015, fazer parte do WRC. Diante do que essa turma já fez, construiu e promoveu, eu diria que o caminho é mais do que certo, e a chance de sucesso muito maior que a das tentativas anteriores. Que tudo saia conforme o planejado; o Brasil tenha mais um Mundial e, já que sonhar não custa, que de repente um certo blogueiro, jornalista e piloto tenha então a chance de participar do que há de melhor em termos de rali. Dedos cruzados…