Falou Jean Alesi…

Ele é um dos melhores exemplos de que, para o apaixonado torcedor italiano, vencer nem sempre é o mais importante. Foi ao alto do pódio apenas uma vez em 202 grandes prêmios, mas com o cavalinho empinado no macacão, e num momento em que a Ferrari vivia uma de suas piores crises (Canadá’1995). Este francês com origens sicilianas nunca economizou grinta (raça), ainda que nem sempre os resultados tenham vindo.

E, com 49 anos, passou a viver o papel de pai de piloto, no sentido figurado como no literal. Jean Alesi se transformou em consultor da Federação Francesa de Automobilismo (FFSA) para identificar e treinar jovens talentos. E tem um deles (ou ao menos candidato), dentro de casa: Giuliano, de 14 anos, que compete pela equipe Babyrace no Mundial da categoria KF Júnior. Com um currículo que a cada dia ganha páginas mais nobres, ele faz questão de ganhar a pista com o mesmo capacete prateado com as cores da bandeira francesa tornado célebre pelo pai.

“Pensei muito antes de que ele começasse. Queria ter a certeza de que era vontade do Giuliano, para que ele um dia não me falasse: ‘pai, quero jogar tênis, ou futebol’. Como ele encarou a coisa de um modo sério, dou todo o incentivo. Mas não faço do tipo de pai que se envolve tanto. Lógico que tenho toda a minha experiência no automobilismo, que vivi tudo isso e sei alguma coisa, mas o kart é algo muito específico, e eu prefiro que os engenheiros e mecânicos o orientem. E estou aqui para dar conselhos, acompanhar, sem pressão extra além da que ele já tem por conta do sobrenome. A experiência na Federação Francesa me ajudou a ser ainda mais didático”, diz o sempre simpático ex-piloto.

Alesi fez questão de que o mais novo filho do casamento com a japonesa Kumiko Goto limasse muito asfalto para se preparar. E diz que vê-lo enfrentando adversários mais experientes (terá ainda um segundo ano como júnior) é uma boa forma de forjar o seu caráter. “Ele precisa lidar com isso, com a experiência de largar atrás, de receber toques, lutar por posições, é o que dá a força mental ao piloto. Se realmente tiver talento e fizer por onde, chegará a hora de vencer”.

O francês de Avignon, que chamou a atenção do circo da F-1 ao estrear com um quarto lugar no GP de seu pais em 1988 com a então modesta Tyrrell, garante que não pretende tirar a poeira do macacão e do capacete – nos últimos anos correu de GT, pela Ferrari e, em 2012, tentou disputar as 500 Milhas de Indianápolis (percorreu milhares de quilômetros de bicicleta para ganhar condicionamento físico), mas acabou prejudicado pela lentidão do motor Lotus (que deixou a Indy na ocasião), o que fez com que os comissários o chamassem para os boxes, já que não teria condições de acompanhar os adversários. “Foi uma pena, pois era um sonho e sabia que poderia ser competitivo se tivesse um equipamento decente. Mas era uma prova isolada, e é um capítulo encerrado”. E como ex-piloto da Ferrari, não dá para escapar da pergunta: Alonso e Räikkönen juntos, será uma boa, ou um desastre? “Tem tudo para funcionar, já que são temperamentos opostos, e dois pilotos de muito talento. Algo como Alesi e Berger? “É diferente, éramos amigos e não tínhamos um carro que nos permitia lutar constantemente por vitórias como tem sido o caso nos últimos anos.”

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s