Festa mais que merecida – Coluna Sexta Marcha (GP do Brasil)

*** Um GP do Brasil de “mais do mesmo”, em que o protagonista principal não foi apenas o de sempre, agora recordista de vitórias numa temporada (e principalmente de triunfos consecutivos num mesmo ano). Felipe Massa e Mark Webber também tiveram seus momentos de emoção, como a coluna comenta. Boa leitura…

Festa mais que merecida

Dois alemães, duas histórias de supremacia no Mundial de Fórmula 1, dois comportamentos diferentes de quem é fã do circo. Porque, se havia uma torcida anti-Schumacher clara já quando o piloto de Huerth-Hermuelheim conquistava pela quarta vez a condição de número 1, não dá para imaginar o mesmo do prodígio de Heppenheim.

O único defeito de Sebastian Vettel talvez seja o de estragar qualquer disputa, mandar o suspense passear longe, desafiar prognósticos, especialmente o de que a categoria, com as regras atuais, seria mais competitiva do que nunca. E enquanto o heptacampeão tentava transparecer alguma emoção com suas expressões faciais por vezes indecifráveis, não pensava duas vezes ao mostrar o lado “Dick Vigarista”; adotava a lógica maquiavélica de que os fins justificam os meios, seu sucessor mantém o sorriso rasgado, a simpatia e uma alegria que não se esgota a cada nova vitória ou título.

Sim, a gente tem a tendência de preferir os mais fracos, de torcer pelos azarões, de querer que o circo pegue fogo (não literalmente), mas é difícil não tirar o chapéu e nutrir admiração pelos feitos deste moleque. Bastou ver o asfalto de Interlagos molhado e a tranquilidade com que Vettel conduzia sua Red Bull; uma pilotagem que beira a perfeição, para ter a enésima prova de que ele merece cada novo feito, e tem tudo para reescrever todos os recordes da categoria. E dificilmente vai enjoar das poles, das vitórias, do penta, do hexa, do que mais vier.

Não dá para deixar de pensar também numa manhã do fim de 2004, quando Dietrich Mateschitz entrou num galpão em Milton Keynes e levantou lágrimas de vários pais de família ao garantir que nenhum deles perderia o emprego com o fechamento da Jaguar, já que todos fariam parte de uma aventura chamada Red Bull. Tudo bem, para chegar ao que é hoje foi necessário deixar muito da descontração pelo caminho, mas valeu a pena, já que a farra passou a ser constante no alto do pódio, como era o objetivo.

Como também não dá para deixar de curtir os últimos momentos de Mark Webber na F-1. Tudo bem, ele não foi pelo menos vice, como o equipamento poderia fazer supor, mas pense num cara que saiu de uma cidadezinha australiana, teve o incentivo decisivo de David Campese, lenda do rúgbi e seu compatriota, que garantiu o dinheiro necessário para um ano na F-Ford britânica. E que pontuou na estreia, em casa, comandando uma Minardi. Webbo é dos poucos pilotos que não perdeu a humildade e a simpatia a cada passo rumo ao topo do grid. Gente finíssima, capaz de gastar bons minutos com os jornalistas seja para falar de seu trabalho, seja para recomendar um bom point de surfe ou um restaurante em sua terra natal. E que felizmente tem muita lenha para queimar em seu novo desafio, o Mundial de Endurance, com a Porsche. Tudo bem que as cenas em Interlagos não foram muito diferentes das que se viram desde o começo da temporada mas, que atire a primeira pedra quem acha que não é merecido. Os rivais que se virem para mudar o panorama em 2014, algo que nem as novas regras devem fazer.

Recordes

Atualizadas as estatísticas no fim de mais um Mundial, Vettel ostenta 39 vitórias, 45 poles e, em 2013, venceu 13 de 19 GPs, igualando feito de Schumacher, os últimos nove consecutivos, mais um recorde. Que, a bem da verdade (e aqui me perdoem os italianos, que pensam o contrário), vale mais que o de Alberto Ascari, em 1952/1953. Nada de comparações entre eras diferentes, mas de uma constatação: como eram consideradas um evento à parte, as 500 Milhas de Indianápolis de 1953 não entram na conta, embora valessem igualmente pelo campeonato. Que os europeus não atravessavam o Atlântico para correr no oval é outra história, mas a prova está nos arquivos da categoria…

Massa

Comentei no blog e, para quem não leu, repito aqui: a mudança para a Williams é o que poderia ocorrer de melhor para Felipe Massa, que ganha a chance de comandar uma retomada da escuderia de Grove rumo a novos tempos de bonança. Na Lotus, além da incômoda concorrência de Romain Grosjean, ele já começaria com a pressão de manter os resultados do time em 2014. Na nova casa, tudo que fizer de bom será lucro – e o suporte de Pat Symonds e do fiel escudeiro Rob Smedley é algo que não pode ser ignorado.

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