Aventura que foi parar na revista

Ficou faltando um relato digno da experiência deste que vos escreve como aluno do Toni Gardemeister Driving Academy, em Córdoba, quando o jornalista ficou de lado e o piloto procurou aprender segredos de quem realmente entende para fazer melhor e mais rápido nos próximos ralis. Como surgiu o convite para transformar a experiência em matéria para a edição 5 da Revista MotorMachine, da qual me tornei orgulhoso colaborador, melhor não falar duas vezes do mesmo assunto e reproduzir o que está nas páginas, com fotos. E passar um pouco do que foi um dia inesquecível, de um aprendizado imenso, com direito à chance de acelerar um verdadeiro carro de corrida: o Subaru Impreza 4×4 turbo, ainda com o adesivo com numeral do Rali da Argentina (WRC) no teto… Confiram…

 

Rodrigo Gini

“Não tentem repetir isto em casa”. A provocação do italiano Luca

Pregliasco, diretor de uma das mais respeitadas equipes do rali

europeu, a Astra Racing, tem lá seu fundo de verdade. Estamos no

Parque Temático de Córdoba, onde se disputa a prime da etapa argentina

do Mundial de Rali, o WRC, e um Palio acelera no caminho estreito de

terra como se estivesse sobre trilhos. No comando, está a principal

razão de 60 pilotos argentinos, uruguaios, paraguaios, equatorianos,

chilenos, bolivianos e um brasileiro (eu) estarmos ali ao longo de uma

semana, divididos em grupos diários de 10: o finlandês Toni

Gardemeister, que foi piloto oficial de Mitsubishi e Suzuki, além de

ter pódios em provas míticas como o Rali de Montecarlo.

Sim, foi apenas um dia, mas a experiência de ver de perto toda a

perícia e as dicas de uma lenda do esporte valeu por muitos. Ainda

mais com a presença de outros instrutores de currículo respeitável,

como Gabriel Pozzo, campeão mundial de Produção (Grupo N4) em 2001, ou

os navegadores Jose Maria Volta (diretor-técnico do Argentino de Rali)

e Rubén Garcia, ambos com larga trajetória internacional. Não faltaram

conselhos, dicas, conversas animadas em torno da mesa ou diante da

prancheta, sempre com os dois Palios e os dois Subaru Impreza 4×4 à

espera. Em cada grupo, desde gente que sentava num carro de rali pela

primeira vez a outros que se preparam para competir na Europa e já

mostram muito serviço. E nada de discriminação. “Vocês estão aqui para

aprender, não para impressionar alguém”, era o recado.

E a primeira volta com o finlandês, ainda no Palio, é de impressionar.

Movimentos firmes e ao mesmo tempo contidos, ele faz questão de

mostrar, com a mão direita, cada ação. “Agora estou freando com o pé

esquerdo. Agora, apenas usando a transferência de peso para deixar o

carro deslizar”. Passa rápido, muito rápido, com gosto de quero mais.

Depois é a vez de assumir o volante e, ao lado de García, fazer o

levantamento para os 6 quilômetros do circuito. Na cabeça, em meio à

diversão, o mantra: “vocês estão aqui para aprender”. Longe de mim

querer chegar sequer perto do que vivi momentos antes. Sigo as

referências, erro uma freada e passo reto numa curva à direita, mas

faz parte. Pensei que ouviria mais do navegador, mas nada de broncas,

apenas alguns conselhos para ser mais eficiente.

Podia ter completado a programação com o valente Fiat, mas a chance de

acelerar pela primeira vez os 200… e tantos cavalos e a tração

integral do japonês é tentadora. Volto a dar uma de passageiro e a

força da frenagem ou a capacidade de aceitar desaforos do Impreza nas

mãos de Pozzo é impressionante. O inconsciente acha que não vai dar

para frear a tempo, mas logo o lado racional mostra que sim. Com ele

ou Toni no volante, a paisagem anda ainda mais veloz. Antes que alguém

pergunte, “vai encarar?”, lá estou eu no banco da esquerda, levando

Pozzo para passear. Até mesmo pela falta total de familiaridade com

tanto carro, logo brinco: “vamos andar e você vai dizer para eu mudar

de esporte, jogar xadrez, por exemplo”. Completamos a brincadeira

intactos e ele me responde: “está muito bom, piloto, não esqueça que

tem pelo menos 15 anos que estou acostumado a andar nos 4×4″. É

verdade. E o comentário vale tanto ou mais que o diploma, as

conversas, a troca de experiências. Quem não foi certamente perdeu.

Mas tem uma nova turma do Toni Gardemeister Driving Academy prevista

para fevereiro.

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