Que em 2014…

Chega ao fim um ano que, em termos de automobilismo teve muita coisa boa, mas também motivos de tristeza e preocupação. Nada de retrospectivas ou balanços, o post apenas divide o desejo de que 2014 traga muitas coisas boas – mais e melhores autódromos no país; segurança e nada de fatalidades nas pistas; emoção nas mais diversas categorias espalhadas pelo planeta; patrocínio para quem merece e a chance de ver surgir novos talentos num cenário que, para nós brasileiros, não tem sido motivo de orgulho ultimamente. Que, acima de tudo, a politicagem e os interesses não se sobreponham ao esporte e, quando chegar o próximo 31 de dezembro, tenhamos muito a comemorar. Ficam os votos meus e do blog, com direito ao cartão que expressa os votos de um ano positivo, a começar pela experiência deste que vos escreve nos ralis – o trabalho para acelerar é muito, se alguém souber de alguma forma de apoio, o que não falta é espaço no carro. E que tenhamos todos, nas pistas e fora delas, 365 dias de felicidade, saúde, paz e harmonia.

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Lugar num muro de respeito…

Taí uma promoção diferente, e bastante interessante. Tradicional fabricante de veículos de luxo agora pertencente ao Grupo VW, a Bentley andava afastada das pistas desde 2003, quando tomou emprestado o conhecimento e a tecnologia da “irmã” Audi para desenvolver um protótipo que venceria as 24h de Le Mans – aliás, uma das mais belas máquinas de competição dos últimos anos.

Com a inflação de parceiras no Mundial de Endurance (além da Audi, a Porsche está de volta), a fábrica de Crewe resolveu apostar nos GTs e desenvolveu uma versão GT3 de seu Continental, com a ajuda da Prodrive, de David Richards, e que promete ser figurinha fácil nas principais séries para estes carrões espalhadas pelo mundo. Pois para comemorar a marca de 1 milhão de fãs em sua página no Facebook, a marca inglesa vai colocar os nomes de 2.500 deles nos muros de sua sede. Como para boa parte da população mundial (eu me incluo) será a melhor oportunidade de estar próximo de um Bentley, ou de fazer parte da história de uma lenda sobre rodas, não custa tentar. O link está na foto abaixo.

Sobre Schumacher e a vida…

Não adianta muito transformar o blog em fonte de atualizações sobre o estado de saúde de Michael Schumacher depois do sério acidente sofrido numa pista de esqui da estação alpina francesa de Méribel – na internet não falta quem acompanhe a evolução do estado de saúde do heptacampeão mundial de F-1, nos mais diversos idiomas e formas (texto, rádio, etc…). O que dá pra fazer é repassar o link das transmissões ao vivo da rádio RMC Sport (http://rmcsport.bfmtv.com/player/), que monitora a situação diretamente da porta do CHU de Grenoble, onde o alemão está internado.

Mais do que qualquer coisa, penso em como a vida é irônica, considerando que o nativo mais famoso de Huerth-Hermuelheim passou a vida arriscando a própria a mais de 300 quilômetros por hora, e vê a existência em risco por conta de um “banal” passeio de esqui com o filho, ainda mais por estar usando equipamento de segurança. Nestas horas não dá para falar em risco, em irresponsabilidade, coisas que alguém haverá de ter pensado quando da primeira aposentadoria e das estrepolias sobre duas rodas.

Tudo bem que não dá para ser fã da postura de Schumacher fora das pistas – há adversários que ganharam quase tanto quanto e conseguem ser bem mais humanos e próximos, mas não estamos falando em campeonato de simpatia – mas não há quem goste da velocidade que seja incapaz de reconhecer a grandiosidade dos feitos deste cara, que tive a oportunidade de ver de perto pela última vez em outubro, na pista italiana de Sarno, quando acompanhava o filho Mick no Mundial de Kart. Por questão de proteção, ele não fala do rebento (nem deixa que fotografem o garoto), mas não deixa de dar autógrafos e tentar ser normal, tomando um café ou mesmo uma cerveja no bar da pista.

Vem à mente o ocorrido com o mineiro Cristiano da Matta, durante testes da F-Indy em 2006, no temido circuito de Road America. A mais de 240 km/h ele teve a infelicidade de atropelar um alce, que o atingiu com uma força que nem o capacete foi capaz de suportar. Lesão craniana séria, coma induzido, uma doída e demorada recuperação, especialmente para a família, mas que trouxe de volta a mesma pessoa de antes. Que seja o mesmo com Schumacher e fique apenas o susto, já que ele ainda tem muita lenha para queimar, sobre quatro, duas ou nenhuma roda… Os médicos prometem uma entrevista para falar das condições do piloto às11h (horário local), o que, por si só, é uma boa notícia…

Tô com Montezemolo e não abro…

Se há uma coisa que caracteriza Luca Cordero di Montezemolo, presidente da Ferrari e, como gostam de brincar os italianos, de umas 20 outras empresas e 15 entidades, é a franqueza. Talvez por saber a importância da marca que comanda no cenário da F-1 e do automobilismo, ele é dos poucos no ambiente que não se prende no politicamente correto; sabe bater quando necessário e, ao mesmo tempo, elogiar quando é o caso, de modo a não perder o prestígio.

Pois a última do dirigente italiano – e aí cabe um parêntese, já que ele parece rever o conceito de que a fábrica de Maranello não se envolveria oficialmente na endurance enquanto prosseguisse na F-1, por incapacidade de manter dois programas de ponta (esquenta cada vez mais a história de que um protótipo vermelho sangue vai ganhar as pistas do FIA WEC em 2015) – diz respeito a uma das decisões mais hipócritas da história do circo. Para conter os custos, não se faz treinos durante a temporada. Mas há quem invista US$ 30 milhões para desenvolver um simulador de ponta, capaz de contornar a proibição.

“É uma piada. Gastamos fortunas para desenvolver equipamentos artificiais, enquanto poderíamos andar em Mugello ou Fiorano, sem orçamentos exagerados. Se não há dinheiro para se testar, melhor correr de GP2, kart ou jogar basquete. Com os treinos é possível dar chances a pilotos jovens, movimentar circuitos quando não há corridas e mesmo possibilitar maior retorno publicitário aos patrocinadores. Sem contar que os problemas com os pneus não teriam ocorrido, já que seria simples identificá-los nos testes”.

Nem é preciso ir mais longe, e é difícil discordar. Mandou bem Montezemolo…

Está inventado o Motor Duathlon…

Quando a gente pensa que já viu de tudo em matéria de automobilismo, eis que, felizmente, surge alguém ou algo que nos desmente. Sempre há uma categoria a ser inventada, um novo modelo de carro a ganhar forma, mesmo que como filho único; ou mesmo algum tipo de desafio que ninguém havia pensado antes. É o caso de um evento marcado para os dias 26 e 27 de janeiro, no circuito de Mugello, ao lado de Florença (se o frio do inverno europeu deixar, que fique bem claro).

Por iniciativa da Brooks, tradicional fabricante norte-americana de calçados e roupas esportivas (rara por estas bandas, é verdade), 80 bravos vão encarar um Motor Duathlon. Sim, nada de ficar apenas no esporte a propulsão humana. Os inscritos disputarão no primeiro dia da “brincadeira” provas de kart de 15 voltas que apontarão os mais rápidos, sempre sob o comando de modelos 400cc/4 tempos, semelhantes aos usados nos indoor ou na nossa categoria F-400.

No dia seguinte, será a vez da corrida a pé, com duas voltas pelo traçado usado, entre outros, pela Moto GP. Os organizadores garantem que adotarão um coeficiente para equilibrar o desempenho nas duas modalidades e não favorecer quem é bom de braço ou bom de perna. Como eu sinceramente não sei, mas deve ser divertido. E o melhor de tudo é que 60 inscritos não pagarão um centavo sequer para participar, e outros 20 pagarão 80 euros (cerca de R$ 250), dos quais 60 servirão para pagar a hospedagem num mais que confortável hotel, além de brindes da patrocinadora. Bastante interessante, e até que poderia ganhar uma versão verde e amarela. E, só de pensar na ideia, outras aparecem: que tal um duatlo mesmo, com rallycross e asfalto; GT e turismo; monoposto ou biposto? Não seria tão maluco assim…

Agenda quase sem agenda, mas com notícia boa…

Impressionante como o clima quente e o número até razoável de categorias no cenário do automobilismo verde e amarelo – e aí o problema não é de opção, mas de base, de formação, de preocupação com o caminho a seguir, especialmente para quem sonha com um futuro em categorias de monopostos – proporciona situações como a de chegarmos à semana do Natal com corrida no calendário. A rodada dupla que decidirá o campeão da Sprint Race, a categoria que surgiu como uma Super Clio brasileira, para ser integrada ao pacote da F-Renault e da Copa Clio, nos bons tempos, e que manteve as características, apesar da tentativa de fugir de qualquer vínculo com a montadora francesa. E que movimentará Interlagos em pleno 22 de dezembro.

Não chega a ser o caso de montar uma agendinha como sempre é o caso por estas bandas, mesmo porque o evento é um só. Mas aproveito a ocasião para falar de duas notícias boas, que mostram que nem tudo está perdido. A primeira diz respeito ao Brazil Open de F-3, de 16 a 19 de janeiro. O simples fato de o evento permanecer no calendário pelo quarto ano já é, em si, uma vitória, levando-se em conta que ano passado apenas seis carros alinharam, apesar do esforço do idealizador, Roberto Mourão, piloto de turismo dos bons das Minas Gerais. Os problemas com os pneus de 2012 parecem estar resolvidos; as equipes conseguiram conter custos e apresentar pacotes interessantes e já é possível contar sete inscritos, com pelo menos quatro ou cinco pilotos em negociação, e a perspectiva que sempre existe da vinda de europeus e norte-americanos. Carros nas oficinas não faltam, são quase 30, é uma questão de acreditar. E aí é uma pena que não se faça mais os 500km de Interlagos, ou mesmo as Mil Milhas, que poderiam formar uma dobradinha sensacional. Mas, uma coisa de cada vez.

A outra boa notícia diz respeito ao Autódromo Internacional de Curvelo, projeto amplamente comentado, mostrado e apresentado no blog. Que avança silenciosamente, agora que se tornou iniciativa apoiada oficialmente (e considerada prioritária) pelo governo do estado. E por não ter compromisso (ainda) com qualquer categoria, pode se transformar em realidade sem atropelos. Talvez seja um dos bons presentes que 2014 nos reserva, e tomara que seja mesmo, diante de um 2013 que deu tão poucos motivos para satisfação a quem tem gasolina nas veias…

Anima a percorrer assim?

Conseguiu reconhecer o cenário da foto acima? Sim, parece a subida da Eau Rouge, em Spa-Francorchamps, e é. Impressionante como o inverno nem começou oficialmente e a neve cai abundante na região de Liège. Mais interessante é que o espanhol Carlos Sainz Jr., de quem eu peguei emprestada a foto no Twitter, disse que gostaria de percorrê-la ainda assim, com cravos ou corrente nos pneus. Se já não é fácil em circunstâncias normais, imagine assim, quando está mais para uma bela descida de esqui?

O Puma do João… e o Puma do Indy

Não conheço pessoalmente o João Weiller. Aliás, reconheço que só ouvi falar nele quando surgiu a notícia de que um protótipo Puma construído em casa seria inscrito nos 500 km de Londrina. Foi então que descobri que o engenheiro e construtor de Maringá tem uma longa carreira de sucesso em provas de autocross (gaiolas), além de boa experiência em competições de turismo no Paraná. Habituado a fabricar os próprios carros para as corridas na terra, ele resolveu levar a experiência adiante e conceber uma réplica de competição de um dos esportivos de maior sucesso de nossa história, o Puma. Chassi tubular, carroceria em fibra e um visual que não nega o parentesco. Mesmo concluído a tempo da prova e pouco testado – carro de corrida rende sempre melhor quando desenvolvido, andou rápido e recebeu a bandeirada. E a ideia é fazer dele presença constante nas competições do Paraná e Rio Grande do Sul, hoje o núcleo da quase moribunda endurance brasileira. Aliás, o mais curioso é que em Minas tem uma máquina semelhante no forno – obra do preparador Marcelo Indy, que se esforça para completar o trabalho e colocá-lo em ação, na pista. Com o devido crédito à colega Cíntia Azevedo, de Curitiba, aí vai uma foto do Puma de Weiller acelerando, com os devidos parabéns. E o desejo de que o outro Puma, o da segunda foto, também ganhe vida…

Thank you, Allan

Ele talvez não seja o piloto escocês mais conhecido (e reconhecido), mas soube conquistar no braço uma vaga na F-1, representou algumas das mais tradicionais fábricas nas competições de endurance e se transformou, com o parceiro Tom Kristensen, em sinônimo de sucesso nas principais provas da modalidade – foi tricampeão da American Le Mans Series, venceu o FIA WEC deste ano e dominou as 24h de Le Mans em três edições, sendo uma com a Porsche, em 1998, e duas com a Audi, que se transformou em sua casa. Depois de envolvido num acidente apavorante em 2011, nas primeiras curvas do traçado da Sarthe, soube desmentir na pista a conversa de que havia perdido o bonde do tempo e transformado coragem e talento em arrojo excessivo. E justificou a confiança com novas vitórias e troféus que completaram a já recheada galeria.

Pois Allan McNish anunciou hoje sua aposentadoria das competições, ao menos profissionalmente – é difícil acreditar que ele recusará convites para reforçar os times apoiados pela fábrica de Ingolstadt em provas de GT como as 24h de Nurburgring e Spa-Francorchamps, a exemplo do que faz o igualmente talentoso e vencedor Rinaldo “Dindo” Capello. Mas com mais tempo para a família e a diversão, sem a pressão de enfrentar corridas que se transformaram em sprints de várias horas com a obrigação de vencer, como era o caso.

McNish é daqueles caras bons de conversa, e que não recusam um papo sobre o que faz, o automobilismo em geral, a experiência complicada na Toyota, encerrada com um assustador acidente em Suzuka, no que era o primeiro ano da marca japonesa na F-1. Nenhum arrependimento, muito orgulho do que fez e de uma carreira iniciada com o time do compatriota Jackie Stewart nas fórmulas de promoção britânicas, até chegar à F-3000. Embora ainda jovem (em termos de tempo de lenha pra queimar), ele é um dos últimos de uma geração que já começa a dar saudade, não só pelo que faz na pista, mas por seu comportamento fora dela. Nada de robôs teleguiados incapazes de falarem duas frases decentes, mas de gente com personalidade, que sabe valorizar os patrocinadores e respeitar os fãs. E que vai fazer falta, ao menos nos cockpits. Que seu substituto, seja Lucas di Grassi, Edoardo Mortara ou quem for, saiba honrar o posto que foi de Allan McNish…

Agenda em dia trágico…

Não era assim que o blog gostaria de abrir o post da última agenda do ano, mas nem sempre o automobilismo é feito de boas notícias. O esporte no país voltou a ser abalado com mais uma fatalidade – o paranaense Robson Kolling, de 36 anos, morreu ao se chocar de frente com a mureta de proteção no fim do retão do Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Londrina, onde neste fim de semana ocorrem as 500 Milhas. Tudo indica que ele sofreu um mal súbito, já que não há marcas de freada ou mudança de direção, mas ainda assim é algo preocupante, que põe em dúvida a segurança das nossas pistas e do nosso equipamento. É bem verdade que os protótipos fabricados pela gaúcha Metal Moro atendem as normas da FIA e foram concebidos para resistir a este tipo de impacto, mas não foi o caso. Ficam o luto e a certeza de que muito ainda precisa ser feito e não dá para baixar a guarda, embora por vezes possa parecer exagero. Quando se trata de vidas humanas, é sempre melhor sobrar que faltar. Que seja cena cada vez menos comum em 2014, já que 2013 não foi propriamente exemplar e deixou marcas sofridas.

Isto posto, tem Corrida do Milhão em Interlagos, e com ela chegam ao fim as duas últimas categorias da velocidade verde e amarela ainda em disputa – Stock e Brasileiro de Turismo. A agendinha é curta e mais triste, mas está sempre aqui…

Nacional

Stock Car: 12ª etapa – Corrida do Milhão (Interlagos)

Brasileiro de Turismo: 8ª etapa (Interlagos)

500 Milhas de Londrina

Sertões Series: última etapa – Rali dos Amigos (Avaré-SP)

Copa das Federações de Kart: Beto Carrero World (SC)

Na telinha

Sábado (14)

16h  Stock Car: treino oficial         Sportv

Domingo (15)

11h   Stock Car: 12ª etapa – Corrida do Milhão            Globo