Olha que o sujeito é rápido…

Claro que não dava para começar a semana sem falar do que houve na primeira etapa do Europeu de Rali, o Jänner Rally, na Áustria. Num cenário de asfalto, muito frio, gelo pelo caminho e sujeira (pedras, lama) deixadas ao longo da passagem dos carros, um certo Robert Kubica foi o grande vencedor, fazendo o relógio voltar aos tempos em que sobrenomes como Elford, Pescarolo, Attwood, Larrousse e Ragnotti eram tão eficientes nos autódromos quanto nas estradas abertas, e não havia especialistas nesta ou naquela modalidade.

Tudo bem que, para alguém que já tem um título de campeão mundial de rali (na categoria WRC2, para modelos 4×4 turbo 1.600cc com especificação R5 ou Regional Rally Car – RRC – o que, para não ir muito longe, é o penúltimo passo antes das máquinas de ponta do WRC), vencer uma etapa do Europeu poderia até ser simples. Acontece que RK teve apenas um treino para se adaptar ao Fiesta (andou todo o ano de 2013 com um Citroën DS3), trocou de navegador e, ainda por cima, encarou um piso traiçoeiro, que costuma derrubar gente bem mais experiente. E se tem algo que o polonês ainda paga em relação aos pilotos nascidos no rali é essa capacidade de improvisação e de adaptar o ritmo de guiar às mudanças constantes de aderência. Não custa lembrar que, diferentemente das pistas, no rali não há treino, o que antes estava seco pode estar com traços de neve, lama, galhos e outras coisas pelo caminho. E há que escolher os compostos de pneus certos para cada condição. Algo que só chega com muita sensibilidade e talento. E o que ele fez na última especial, ao limar 23 segundos do tcheco Vaclav Pech e transformar uma desvantagem de quatro numa vantagem de 19 é coisa de gente grande.

          FIA ERC/divulgação

Kubica teve um aprendizado complicado ano passado, mas venceu mais que bateu, tanto assim que disputará, a partir do próximo fim de semana, o Mundial, começando por nada menos que o Rali de Monte-Carlo. Ok, é bem verdade que o buraco será bem mais embaixo; que teremos Ogier, Latvala, Sordo, Hirvonen, Neuville, Ostberg, Meeke, Mikkelsen, Hanninen e outras feras pelo caminho, mas não será nada absurdo ver o nativo de Cracóvia brigando constantemente pelos Top 5 e fazendo mais que um certo Kimi Räikkönen que, volto a dizer, esteve longe de fazer feio. Ótimo para o esporte, e para um cara que merece um desafio à altura de seu talento, sem precisar remoer o que poderia ter sido na F-1 caso aquele triste acidente na Itália não tivesse ocorrido… Pé embaixo, RK…

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