Agenda de carnaval…

O blog aproveita o carnaval (que os manuais ensinam que deve ser grafado com letra minúscula, por se tratar de festa pagã) para retomar a agenda, com o que rola pelas pistas do mundo. Ainda estamos naquela fase em que mais se testa do que se corre, mas a chegada de março começa a mudar o panorama, para o deleite de quem é alucinado com a velocidade. E já dá para se divertir em meio ao ronco das cuícas e a batida dos tamborins…

Internacional

Nascar Sprint Cup: segunda etapa – CNBC 500 (Phoenix)

Nascar Nationwide Series: segunda etapa – Blue Jeans Go Green 200 (Phoenix)

WSK Champions Cup Karting: primeira etapa (La Conca-ITA)

V8 Supercars Austrália: primeira etapa – Clipsal 500 (Adelaide)

Mundial de Motocross MX1/MX2: primeira etapa (Catar)

Na telinha

Sábado (1)

17h45               Nascar Nationwide Series: Phoenix            Fox Sports 2

Domingo (2)

17h                  Nascar Sprint Cup: Phoenix                        Fox Sports 2

Anúncios

Adesivo dedo-duro…

A eterna luta entre engenheiros e projetistas das equipes de F-1 e os responsáveis pelo cumprimento das regras da categoria (no caso, a FIA) ganha novos contornos este ano com a adoção dos motores turbo e de uma quantidade máxima de combustível que poderá ser posta nos tanques para cobrir a distância de cada GP. O que sempre acontece é que um lado tenta interpretar da melhor forma possível cada ponto duvidoso no texto ou aposta em despistar os mecanismos de controle, enquanto o outro se arma como pode para deter a criatividade acima do permitido.

Pois a partir de 2015 uma das medidas já confirmadas é a proibição dos cobertores térmicos que pré-aquecem os pneus – uma traquitana inventada pela dupla Nelson Piquet/Gordon Murray, nos áureos tempos da Brabham. A ideia é reduzir custos e obrigar os pilotos a mostrar perícia também com a borracha gelada a cada pitstop. Pois a Pirelli, que é parte diretamente interessada, resolveu colaborar e desenvolveu um adesivo térmico que “entrega” a temperatura do composto – o dedo-duro foi testado pela primeira vez hoje, no Barein, e funcionou. Bastará que os comissários de pista ao longo dos boxes chequem a marcação do adesivinho cada vez que os mecânicos tomarem seu posto para mais uma troca. Isso se não encontrarem um jeito de driblar a sacada inteligente com outra mais ainda…

O braço a torcer…

Lembram do post sobre a primeira etapa da Stock Car e a sugestão de que a prova em duplas, com convidados, valesse o milhão de reais e não contasse pontos para o campeonato? No mesmo texto falei sobre o medo de termos apenas brasileiros formando duplas com as feras habituais do campeonato, mas, felizmente, várias equipes e pilotos me desmentiram ao acertar suas parcerias. Além de Nelsinho Piquet, Augusto Farfus, Bruno Junqueira e Chico Serra, apenas para comentar os mais conhecidos, teremos os australianos Dean Canto e Mark Winterbottom, ambos craques habituais da V8 Supercars; o argentino Gabriel Ponce de León, tricampeão da TC2000/STC2000 e o português Álvaro Parente, que talvez não tenha tido as oportunidades que merecia, mas vem fazendo bonito como piloto oficial da McLaren para provas de GT. E ainda tem bastante gente sem dupla, o que faz prever uma disputa sensacional. Como está no regulamento, vai abrir o campeonato e vai somar pontos (paciência…), o jeito é dar o braço a torcer…

F-1: 2014 e a fase da Red Bull

Começo o dia lendo em alguns sites e blogs que a Red Bull, foco de todas as atenções nesta pré-temporada do Mundial de Fórmula 1, teria feito um teste irregular, a exemplo do que fez ano passado a Mercedes em Barcelona, quando usou os carros de 2013 para avaliar novos compostos da Pirelli (e lógico que levou vantagem). Considerando-se que tal teste “irregular” teria ocorrido em Idiada, na Espanha, a história é completamente privada de qualquer fundamento. Cada time tem, ao longo do ano, oito datas para treinos em linha reta – avaliações aerodinâmicas, mas que logicamente podem dizer respeito a outros componentes do carro, incluindo o motor. Idiada é uma instalação usada pela maioria das equipes para este tipo de trabalho e, pelo menos neste aspecto, Adrian Newey, Chris Horner e seus comandados não têm qualquer culpa.

Ainda sobre o time do Touro Vermelho, interessante como surgiram as teorias mais estapafúrdias possíveis para justificar os problemas nos dois testes coletivos. Houve quem dissesse que é uma estratégia proposital para esconder o verdadeiro potencial do RB10, que seria uma forma de calar quem fala que Sebastian Vettel só vence quando tem um carro infinitamente superior aos demais, e outras bobagens mais. Alguém imagina que a equipe de maior sucesso da década arriscaria sua imagem para despistar os adversários? São muitas coisas novas num ano só para correr tal risco.

O que aparenta é a infeliz coincidência entre dois problemas. Lembro-me de ter lido Remi Taffin, da Renault, ter dito numa entrevista que não acreditava nos desenhos do motor V6 de 1.600cc divulgados pela Mercedes no começo do ano passado. É bem capaz que o propulsor tenha ficado muito diferente do esboço, mas quem está mal na fita é a fábrica francesa, que levou o turbo para a F-1, no fim da década de 1970, e agora patina com o ERS, o sistema de recuperação de energia cinética.

Ao mesmo tempo, Newey, provavelmente confiando na capacidade dos franceses em desenvolver um material capaz de se ajustar perfeitamente à sua mania de miniaturização, foi novamente fundo em sua obsessão aerodinâmica. Terá que sacrificar eficiência em nome de uma melhor refrigeração e lidar com um propulsor que, de acordo com o japonês falastrão Kamui Kobayashi, faz da Caterham “um carro mais lento do que um GP2” (e olha que a Caterham superou a Red Bull no Barein). É cedo para prever fracasso total, mas 18 dias são pouco tempo para reverter o quadro de modo a brilhar em Melbourne. Se acontecer, será de tirar o chapéu.

Aliás, tem um detalhe sobre o qual ninguém, de nenhuma equipe, ainda se pronunciou abertamente: uma coisa é andar rápido, completar boas sequências de voltas, andar um ou dois GPs. Outra, que vale a partir de agora, é conseguir levar o carro da largada à bandeirada com 100 quilos de combustível no tanque. Isso só nas ruas do Albert Park mesmo para saber…

E nas 6h da África…

Se você leu o último post da semana passada, viu que foi disputada no circuito de Phakisa Raceway, próximo a Johanesburgo, a segunda edição das African 6 Hours, ou as 6h da África. E que enquanto a endurance brasileira patina – felizmente gaúchos, principalmente, e paranaenses, lutam para não deixar a peteca cair – do outro lado do Atlântico a coisa começou quente, literalmente. No fim das contas, 36 carros alinharam, divididos nas mais diversas categorias e a ausência sentida foi a do novo protótipo Pilbeam MP100 LMP2 e do MP98 da mesma equipe, que venceu a primeira edição. Como o carro apresentou problemas de embreagem, o time optou por não arriscar e preferiu fazer um shakedown em Zwartkops.

Voltando à prova, venceu quem contava com o equipamento mais confiável e ágil – o protótipo Juno SS3 de Nick Adcock e dos neozelandeses Francis Carruthers e Dean McCarroll, à frente de quatro Shelby Can-Am, o monoposto que virou protótipo já apresentado pelo blog. E um dos candidatos à vitória, o Viper GT3 da equipe Motul Vaal Fluid Systems, escapou por pouco de virar churrasco, depois de um reabastecimento de combustível que se transformou em incêndio. Não foi fácil conter as chamas, que você confere nas imagens, mas o carrão se salvou em condições de ser recuperado e voltar a acelerar. Inveja dos sul-africanos…

Endurance vai bem… na África do Sul

Enquanto a endurance brasileira respira por aparelhos – não fossem gaúchos, que vão organizar uma Copa Brasil como parte de seu estadual; e paranaenses, que marcam presença, o esporte estaria totalmente adormecido, apesar das dezenas de protótipos, GTs e outras máquinas guardadas nas oficinas – o fim de semana marca a segunda edição de uma prova apresentada pelo blog: as 6h da África, no circuito sul-africano de Phakisa Raceway.

A pista é uma das mais novas do continente africano, construída para receber o Mundial de Motociclismo que foi e não mais voltou por questões logísticas. Mas as instalações estão lá, bem conservadas, e o traçado é desafiador. E a iniciativa de juntar todo o tipo de máquina própria para corridas de longa duração deu certo, tanto assim que, mesmo com outra corrida na mesma data na edição inaugural, teve espetáculo de primeira. Desta vez, a prova será palco da estreia mundial do novo protótipo Pilbeam MP100 LMP2; conta ainda com um Viper GT3, alguns Porsche 911 GT3, os Shelby Can-Am (também já mostrados aqui, como os da foto do post), um Panoz Esperante GT, máquinas artesanais como o Backdraft 4000 (uma espécie de Cobra adaptado para competição); BMW e outras de turismo mais modestas, como Toyota Corolla, Golf. São 41 carros e, entre os pilotos, nomes e sobrenomes conhecidos, como Jaki Scheckter, filho mais velho de Jody; ou Eddie Keizan, com seus 69 anos, que disputou três GPs do Mundial de F-1 (em Kyalami, lógico), além da série sul-africana que reunia modelos do circo, como Williams, March, Lola e Tyrrell recauchutadas. Muito interessante a prova. E, se eles podem, por que nós não?

Vamos falar da Nascar…

Como pediu o amigo Diogo Finelli, fã de todos os esportes “Made in USA”, e não só ele, vamos falar de mais uma temporada da Nascar, que começa efetivamente domingo com as 500 Milhas de Daytona, antecedidas pelos Gatorade Duels (que definem 42 das 43 posições do grid na Sprint Cup, já que a pole ninguém tira de Austin Dillon e seu Chevy #3) e por treinos e corridas da Nationwide Series e da Camping World Truck Series. E depois de quatro anos, ao menos por enquanto, nada de brasileiros – Miguel Paludo está fora da disputa das picapes e Nelsinho Piquet, apesar do silêncio, pode perfeitamente arquitetar algumas participações na categoria principal, especialmente nos circuitos mistos. Algo a se confirmar ao longo da temporada.

As mudanças na pontuação da Sprint – com a classificação de 16 pilotos aos playoffs e a eliminação de quatro por etapa até que apenas quatro cheguem a Homestead, em novembro, disputando a taça – são a maior novidade num ano de consolidação dos COT, os “cars of tomorrow”, mais parecidos com os modelos de produção. E se o amigo leitor clicar na foto do carro de Dillon, aqui embaixo, vai descobrir, no site da Stock Car norte-americana, a decoração dos principais inscritos nas três divisões principais da competição. Sensacional, além de uma espécie de Spotter Guide em tamanho G. Curta então…

            Nascar/divulgação

Finalmente uma nova enquete…

Bom, já era tempo de mudar a antiga enquete e partir para uma nova. Diante de tantas coisas boas ou menos boas no cenário do automobilismo brasileiro, a curiosidade do Sexta Marcha é justamente esta: como você avalia a situação atual do nosso esporte? Poderia citar vários fatos para fazer a balança pender para um dos lados, mas prefiro que você, amigo leitor, opine. Depois, com base nos resultados, a gente discute o que deve mudar e o que agrada. A palavra é sua, basta escolher sua opção aqui ao lado…!!!!

Uma luz para o rali brasileiro…

Ainda bem que nem tudo no automobilismo brasileiro são autódromos destruídos ou jogados às traças; categorias que tinham tudo para ser um sucesso mas esbarram nos conflitos de interesses ou campeonatos que seriam relativamente simples de organizar e que não conseguem decolar (referência direta à Endurance). Num cenário nada simples como o do rali, surgem boas notícias que servem de alento e mostram que nem tudo está perdido, e um trabalho de formiguinha pode trazer frutos generosos lá na frente.

Antes de mais nada, é de se lamentar quem encara os campeonatos estaduais como ameaça ao Brasileiro, como se tratássemos de uma divisão de forças e como não fossem os estados o melhor celeiro de campeões. Para poder sonhar com voos mais altos, com objetivos mais ambiciosos, nada melhor que correr perto de casa, gastando menos e com um equipamento mais simples e confiável. Se a brincadeira for de sucesso, então o foco passa a ser mais sério e aí se começa a pensar em correr mais longe, mais vezes, com um carro melhor e um time de ponta.

Pois se o Campeonato Paulista inicia neste fim de semana mais uma temporada, na base do “com pouco é possível fazer muito”, competidores de todo o país e carros 4×4 em meio aos 4×2; e o Gaúcho, apesar de alguns entreveros, também está próximo de se concretizar, bacana foi ver pilotos, navegadores e entusiastas no Paraná, que já recebeu Mundial e IRC, se unirem para retomar um campeonato, o RallyPR. Que começa com algo inédito no país que, por si só, é digno de elogios: a primeira etapa, dias 7 e 8, em Morretes, será integralmente disputada no asfalto. Infelizmente ao longo dos anos rali no Brasil se tornou sinônimo de terra e, quando vemos pilotos daqui tentando a sorte lá fora, a falta de intimidade com o terreno se mostra uma limitação. Perguntem a Daniel Oliveira e ao hoje presidente do Palmeiras Paulo Nobre como é complicado se acostumar a uma superfície nova.

Enfim alguém pensou em tirar o atraso e propor um desafio inédito – tudo o que tínhamos até então era uma prova especial em asfalto que integrava a programação do Rali de Ouro Branco, aqui nas Minas Gerais. Falando nisso, pilotos, navegadores e entusiastas de um dos estados de maior tradição na modalidade também estão se articulando para trazer o Estadual de volta, e a coisa está bem encaminhada, com boas perspectivas de sucesso. Para quem não sabe, nas grandes pátrias do esporte, como Itália, França, Portugal, Argentina ou Espanha, há sim os campeonatos nacionais. Mas também as disputas regionais, nas províncias, de onde saem aqueles que brigarão mais tarde pelos títulos mais importantes. Sucesso então para paulistas, gaúchos, paranaenses e mineiros e quem seja de outros estados que se anime a acelerar num destes estaduais, com a certeza de que vai encontrar provas exigentes, técnicas, bem organizadas e um clima de camaradagem e disputa sadia… Que daí saia a solução para as nossas mazelas…

Triste automobilismo brasileiro, parte 3.235…

O comentário foi feito pelo experiente colega Wagner González, o Beegola, com toda a propriedade: no dia em que o Automobile Club d’Ouest (ACO) e a FIA anunciaram os 56 inscritos para as 24h de Le Mans, os 31 carros que disputarão a íntegra do Mundial de Endurance e os 42 que vão encarar mais uma temporada da European Le Mans Series (ELMS), as esferas dominantes do nosso automobilismo brazuca fizeram saber que o GT Pro estava morto antes mesmo de nascer. Só para refrescar a memória de quem não estava a par da história, o Brasileiro de GT acabou nos moldes antigos e um grupo de pilotos e entusiastas encabeçados por Marçal Melo começaram a articular um certame para manter os carrões em ação. A coisa começou muito bem, o regulamento ampliou as máquinas permitidas, dando a chance de os protótipos com rodas aro 18 se juntarem à brincadeira; começaram a pipocar notícias de times se preparando, comprando ou montando novos carros e ansiosos pela chance de acelerar. Melhor de tudo, surgiu a chance de uma parceria com a F-Truck, o que garantiria o público e seria bom para as duas partes, já que o público dos pesados ganharia ao ver os GTs e estes teriam a chance de contar com arquibancadas cheias.

Pois hoje a organização da F-Truck alegou “conflito de patrocinadores e diferença de perfil entre as duas categorias” para desfazer a parceria. Não vou entrar em detalhes, só posso dizer que Marçal Melo deixou claro, a quem quiser ler ou ouvir, que nem patrocinador principal a GT Pro tinha ainda. “Isso me faz pensar que fomos feitos de idiotas”, ele comentou no Facebook. Mais do que colocar o dedo no nariz de alguém ou ficar tentando identificar culpados – imaginem quantos empregos seriam gerados com um grid de 20 carros, como se esperava – é o caso de lamentar e prever dias sombrios para o nosso esporte. Não temos GT, temos endurance apenas no Rio Grande do Sul, as pistas desaparecem (a reforma de Goiânia é um oásis num deserto de asfalto) e o fenômeno, como já comentei, não se limita às pistas, mas também a outras categorias e modalidades. Que graça tem torcer pela desgraça (com o perdão do trocadilho)?; agir para ver o circo pegar fogo ou fechar portas que mereciam seguir abertas? Triste automobilismo brasileiro… Será que o último a sair vai apagar a luz?