Histórias da F-1: Rush antes de Rush

Não vou dizer como – o amigo leitor é suficientemente inteligente para descobrir – mas resolvi assistir os treinos livres para o GP da Austrália com o sinal da Sky Sports F1 HD (que Bernie Ecclestone não me leia…). Que a transmissão seria um show em termos de informação era possível imaginar, de ver e conversar em Interlagos com alguns dos responsáveis (em Melbourne, Johnny Herbert é o comentarista). Mas nem foi isso o que mais me chamou a atenção. Como a ordem é falar da categoria 24 horas por dia, e eu imagino alguns mais fanáticos que seriam capazes de grudar no sofá sem sequer ir ao banheiro, lógico que há reportagens de bastidores, arquivos, viagens no tempo.

Uma dessas reportagens, parte de um programa chamado “Lendas da Fórmula 1” foi com o impagável e sensacional Murray Walker, a voz da categoria na Grã-Bretanha, a quem tive o privilégio de entrevistar em Interlagos no GP do Brasil de 2008, quando ele ainda era presença constante em todas as corridas. Idolatrado pelos compatriotas apesar de por vezes falar bobagens que se tornam lendárias (tem um conhecimento e uma memória impressionantes, mas as vezes se empolgava na missão de mestre de cerimônias), ele merece vários posts, não apenas um. Especialmente por ter contado a convivência com James Hunt por vários anos na cabine da BBC.

E outro personagem entrevistado foi o “dentista voador” Tony Brooks, firme e forte aos 82 anos. Brooks tinha pai e tios dentistas e chegou a se formar na profissão, mas se rendeu à paixão pelas corridas e, no fim da década de 1950, uma das mais mortíferas da história da F-1, se tornou piloto oficial da Ferrari. Pois Anthony Standish Brooks admitiu que se preocupava com a vida e a segurança, tanto assim que passou incólume por uma época que levou tantos rivais. E aí veio a cereja do bolo: 18 anos antes da história entre Niki Lauda e Hunt, que virou o filme Rush e ainda hoje levanta polêmica, ele praticamente jogou para o alto um título mundial na última corrida, com postura semelhante à do austríaco. “Estávamos no GP dos EUA, em Sebring, e eu brigava com Jack Brabham. Cheguei a estar em segundo mas, a certa altura, comecei a sentir uma vibração estranha no carro e não me senti seguro. Fiz uma parada para averiguação e acabei terminando em terceiro. Perdi o título, mas era a coisa certa”… Outros tempos, sensacionais tempos…

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