RK x KR: comparação acidentada…

Já falei por aqui que Kimi Räikkönen se tornou, a custa de muito trabalho e um enorme trabalho de lanternagem, um piloto de rali mais do que digno. Especialmente levando-se em conta que a experiência prévia quando o homem de gelo se sentou pela primeira vez num carro com um navegador ao lado era quase nula. Tudo bem que está no DNA dos finlandeses a capacidade de andar rápido em terrenos escorregadios, mas o aprendizado foi difícil e acidentado. No Rali da Catalunha de 2011, por exemplo, o campeão mundial de F-1 de 2007 foi capaz de ficar de fora antes mesmo da largada da primeira especial, ao capotar seu Citroën no shakedown, o trecho de teste que antecede a prova propriamente dita. E chegou a ser quarto colocado num terreno rude como o da Turquia, mas ficava claro que ali estava seu limite. Contra Ogier, Loeb, Sordo, Hirvonen ou Latvala, seria difícil fazer melhor.

          Fia/divulgação

Também já comentei que, neste aspecto, Robert Kubica está bem mais preparado do que o ex-colega do circo. A começar pela sensação de que os ralis são seu habitat natural e que os autódromos foram quase uma casualidade para um menino que começou no kart e mostrou ter talento acima da média. Àquela altura ele era bom demais para não seguir o caminho das categorias de base rumo à F-1. Superada a triste passagem do acidente no Rali de Andora em 2011 e recuperada a capacidade de pilotar competitivamente, ele passou a acumular prova atrás de prova, venceu na Itália, na França, dominou com facilidade a abertura do Europeu deste ano e traz consigo a orgulhosa condição de campeão mundial na categoria WRC2, para modelos 4×4 de menor potência que os da categoria principal.

Só que… ainda não foi o suficiente para acalmar o ímpeto do piloto de Cracóvia. Nos cinco ralis disputados com equipamento de ponta e ambição de vitória geral, ele bateu 11 vezes. Em algumas delas, a velocidade baixíssima, como na superespecial do Rali do México, mais uma exibição para o público do que uma prova cronometrada propriamente dita. E o fenômeno sempre se repete. Basta voltar a acelerar e parece baixar a vontade de recuperar o tempo perdido de forma insana, e logo vem outra pancada. Para quem foi capaz de liderar em Montecarlo, começa a ficar pesado, e não há treino que substitua o tempo de competição, como Räikkönen bem aprendeu. RK reclamou do sistema de notas, tentou um navegador italiano, três compatriotas e… nada. Tivesse se concentrado em permanecer com o equipamento inteiro e, em algumas etapas deste ano, subiria ao pódio com facilidade. Parece que o status de piloto oficial e uma condição talvez até melhor do que a que tinha na F-1 (o Ford Fiesta do time M-Sport vale mais do que a Sauber ou a Lotus dos primeiros tempos) estão pesando psicologicamente. Tomara que ele ponha os nervos de molho, já que eu (e todo mundo) acho que ele pode fazer bem mais do que KR. Só não precisa querer provar isso desde os primeiros metros, ou o barranco é certo…

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