Sobre o Mundial de Endurance…

Ainda bem que não estamos mais nos tempos de Max Mosley à frente da FIA, ou o que se viu no fim de semana em Silverstone, palco da primeira etapa do Mundial de Endurance, seria mais motivo para preocupação do que para alegria. Afinal, o advogado britânico, parceiro de primeira hora de Bernie Ecclestone, tinha alergia a qualquer categoria que pudesse ameaçar a hegemonia da Fórmula 1. E tanto fez que, na década de 1990, decretou a morte do Mundial de Protótipos, então a principal disputa de longa duração. Os GTs não eram motivo para medo por se tratarem de algo destinado a empresários endinheirados ou pilotos em fim de carreira.

Pois Jean Todt, felizmente, não é apenas um entusiasta das provas de endurance, como nelas fez boa parte da trajetória que o transformou de navegador competente na principal autoridade do automobilismo internacional. Pra fechar o raciocínio do primeiro parágrafo, basta dizer que a casa do esporte motor inglês recebeu o maior público num evento que não fosse a F-1 (43 mil torcedores ao longo dos três dias da prova), retomando a tradição do Tourist Trophy. E o espetáculo foi de primeira, mostrando que, este ano, mesmo as 24h de Le Mans serão um sprint implacável, sem tempo para administrar ou poupar. E que os erros ou passos em falso não serão perdoados – não só a Toyota saiu com uma dobradinha como a Porsche fez sua parte, enquanto a Audi, teoricamente mais experiente e rodada, ficou pelo caminho.

Tudo bem que as regras de consumo de combustível e recuperação de energia são ainda mais complicadas que as da F-1, que há categorias e categorias dentro da mesma, que a LMP2 está em vias de extinção – tomara que o Ligier, já pronto, e os novos modelos esperados para 2015 (Honda, Wolf, Oreca) voltem a animá-la. Mas com seis carros que são verdadeiros concentrados de tecnologia, é espetáculo garantido. Basta lembrar que o “sexteto da verdade” (Toyota, Audi e Porsche) andou tranquilamente na casa de 1min42, menos de quatro segundos mais lento do que Caterhams e Marussias – isso porque os LMP1 não têm um acerto específico de qualificação que faça tamanha diferença. Tivéssemos uma corrida virtual e seria complicado apostar quem terminaria na frente.

O que me faz lembrar história que ouvi de Raul Boesel, campeão mundial de endurance em 1987. No final da década de 1980, contava ele, os treinos nesta mesma pista de Silverstone (a versão antiga) eram abertos: andava F-1, protótipo, GT, F-3000. Pois ele comandava a Jaguar concebida por um certo Ross Brawn e, ao mesmo tempo, uma McLaren (F-1) era testada por Mark Blundell. “Nas retas ele ia embora, mas eu me divertia chegando nas curvas, tamanho o downforce e a eficiência daquele carro. No fim das contas a diferença era mínima”. Por fim, divirta-se com um videozinho dos vencedores – parece que finalmente os japoneses investiram certo e sem cautela exagerada…

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s