Agenda: tá bom ou quer mais?

Está certo que só se fala praticamente em Copa do Mundo, e que os noticiários em jornais, rádios, TVs e internet serão inundados por uma das mais importantes competições do esporte no planeta, mesmo porque ela só ocorre de quatro em quatro anos e, aos trancos e barrancos, entre erros e acertos, será realizada no Brasil. Mas o calendário da velocidade não para, goste você ou não de futebol, e felizmente as opções são muitas e de qualidade. A Indy continua sua marcha retornando aos mistos (tem rodada dupla em Detroit); DTM e Europeu de F-3 batem ponto na Hungria e o domingo em Le Mans é de ensaios gerais para as 24h, com o primeiro round da disputa entre Toyota, Audi e Porsche no circuito da Sarthe. Teremos brincadeira de esconder o jogo ou a ordem será mostrar todo o potencial para assustar os adversários? E ainda vamos de Moto GP em Mugello, que parece desenhado sob medida para as duas rodas.

Por estas bandas, destaque para o 17º Rally Internacional de Erechim, com suas 80 máquinas e o desejo de fazer da prova uma das etapas do WRC. E a reinauguração, merecida, necessária e comemorada do Autódromo Internacional de Goiânia, que já recebeu o Mundial de Motociclismo, nos anos 1980 e 1990, e será o palco da Stock Car e do Brasileiro de Turismo. Como você pode ver abaixo, não faltam opções, corridas e diversão sobre rodas, mesmo em tempos de bola rolando…

Internacional

Treinos extra-oficiais para as 24h de Le Mans

Sul-Americano de Rali: terceira etapa – Erechim

Mundial de Moto GP: sexta etapa – GP da Itália (Mugello)

Verizon Indycar Series: sexta etapa – GP de Detroit (rodada dupla)

Indy Lights: oitava etapa – Detroit

Tudor United Sportscar Championship: GP de Detroit (protótipos LMP2/DP e GTD)

DTM: terceira etapa – Hungaroring

Europeu de Fórmula 3: quarta etapa – Hungaroring

Renault World Series 3.5: quarta etapa – Spa-Francorchamps (BEL)

Europeu de F-Renault: segunda etapa – Spa-Francorchamps (BEL)

Super GT:  terceira etapa – Autopolis

Auto GP: quarta etapa – Monza

Nascar Sprint Cup: 13ª etapa – Fedex 400 Autism Speaks (Dover)

Nascar Nationwide Series: 12ª etapa – Buckle Up 200 (Dover)

Nascar Camping World Truck Series:  quinta etapa – Lucas Oil 200

Europeu de Kart: segunda etapa – Zuera (ESP)

Nacional

Brasileiro de Stock Car: quarta etapa – Goiânia

Brasileiro de Turismo: terceira etapa – Goiânia

Brasileiro/Gaúcho de Rali: segunda etapa – Erechim

Porsche GT3 Cup/Challenge: segunda etapa – Curitiba

Paulista de Kart: quarta etapa – Arena Schin (Itu)

Mitsubishi Cup: terceira etapa – Guarapuava (PR)

Brasileiro de Motocross: segunda etapa – Pedra Bonita (MG)

Na telinha

Sexta-feira (30)

18h30    Nascar Camping World Truck: etapa de Dover      Fox Sports 2

Sábado (31)

7h35         Mundial de Moto GP: GP da Itália (treino oficial) Sportv 2

14h           Brasileiro de Stock Car: etapa de Goiânia (treino oficial)   Sportv

13h           Tudor United Sportscar Championship: GP de Detroit        Fox Sports 2

15h30       Nascar Nationwide Series: etapa de Dover               Fox Sports 2


Domingo (1º)

6h         Mundial de Moto GP: GP da Itália                                Sportv

9h15     Brasileiro de Turismo: terceira etapa                          Rede TV

11h       Brasileiro de Stock Car: etapa de Goiânia                 Sportv

13h55   Nascar Sprint Cup: etapa de Dover                             Fox Sports 2

14h       Brasileiro de Motocross (MX1)                                     Espn +

17h       Verizon Indycar Series: GP de Detroit                       Band Sports

Anúncios

Saudade na camisa…

Não se trata de fazer merchandising, mesmo porque o leitor sabe bem que a McLaren tem uma loja virtual – como aliás todos os times do Mundial de Fórmula 1 – que oferece praticamente tudo que possa ter alguma ligação com a trajetória da escuderia. Mas é que, a bem da verdade, a turma comandada por Ron Dennis é a que melhor soube aproveitar a onda vintage e valorizar uma tradição de quase meio século, não só na F-1, como também na Can-Am; na Indy e nos GTs.

Por isso é que o blog mostra um lançamentos da lojinha de Woking que toca especialmente a quem acompanhou o primeiro título mundial de Ayrton Senna. Não só pela conquista em si, mas pelo fato de que a máquina usada então se transformou num verdadeiro ícone. Sei que essa história de comparar eras e regulamentos é arriscadíssima, mas não vi até hoje uma lista das 10 principais máquinas da história do circo que não incluisse a MP 4/4. Simples, de linhas limpas e perfeitamente integradas e capaz de coadjuvar o impressionante motor Honda V6 turbo para 15 vitórias em 16 corridas.

Um exemplo de perfeição assinado pela dupla Neil Oatley/Steve Nichols, merecidamente homenageado. A vi de perto no estande da Honda do Salão do Automóvel de 2012 – num grid vertical que incluia ainda a Williams de 1987, a BAR, e confesso que fiquei arrepiado. Sim, 30 libras são uma senhora grana, considerando-se ainda o frete, imposto e etc… (não chega aqui por menos de R$ 180), mas é algo a se pensar… Animou? Então clique na foto e prepare o bolso…

Bafômetro na pista… de corrida

Deu na edição digital da revista britânica Autosport e, por mais que o assunto seja absolutamente sério, merece ser tratado de forma divertida. Você deve ter acompanhado por aqui, ou em outros lugares, como o BTCC, o lendário Inglês de Turismo, retomou seus melhores tempos este ano, com grids beirando os 30 carros e nada menos que sete ex-campeões acelerando, incluindo o suíço Alain Menu e o italiano Fabrizio Giovanardi. E, mais do que em qualquer competição de turismo do planeta, a ordem é pilotar de forma agressiva, no limite do limite do limite das regras.

Pois o australiano Alan Gow, responsável pela organização do certame, resolveu jogar pesado com quem acelera e quem é responsável pelo perfeito andamento das etapas, e vai adotar exames diários com os protagonistas, que terão de soprar o bafômetro com vontade e sem reclamação. O melhor da história é que não houve qualquer denúncia ou suspeita grave de uso de álcool (sim, estamos na terra do Whisky e da cerveja), mas tudo começou quando um dos participantes do campeonato, Hunter Abbott, passou a estampar na carroceria de seu Audi A4 o patrocínio da AlcoSense, fábrica de dispositivos para detecção do consumo de bebidas alcoólicas. Lógico que a velocidade exige sobriedade, mas o problema é que comissários, bandeirinhas e os demais stewards vão ter que pegar leve no pub – o fã-clube de Abbott com certeza caiu bastante na categoria…

A união faz o kart…

Que o automobilismo brasileiro não vive lá seu melhor momento é desnecessário dizer – perdeu-se o GT, um nacional de Endurance e quem se gaba de ter interferido junto às prefeituras para garantir a reforma de Santa Cruz do Sul e Goiânia parece esquecer que Jacarepaguá é apenas uma lembrança – a bem da verdade, as iniciativas bem-sucedidas são fruto de esforços específicos de organizadores, ou patrocinadores, ou equipes, ou todos juntos.

Por manter o otimismo apesar de tudo, é que o blog traz um exemplo de como as coisas podem funcionar quando se soma forças, e que não é tão complicado assim, e os resultados aparecem, na pista e fora dela. Que o kart mineiro sempre foi um celeiro de campeões não serão Toninho e Cristiano da Matta, Bruno Junqueira, Clemente Jr., Flávio Tito, Hueber Cimini Jr., Alberto Valério, Rafa Matos, Guilherme Silva e Sérgio Sette Câmara a me desmentir, apenas para citar alguns exemplos. Mas o Estadual andava algo esquecido, embora haja pistas, pilotos, uma empresa que é referência na modalidade (a RBC, responsável inclusive pelo Kartódromo de Vespasiano) e mais de 100 karts nos boxes deste.

Faltava algo, e este algo era dar uma chacoalhada no esporte, envolver imprensa, público, trazer de volta quem estava parado e estimular quem já acreditava. Pois alguns pilotos e preparadores (especialmente Beto Dutra, o já citado Cimini, também conhecido por Juninho, e Guildner Carvalho) resolveram criar um grupo no Whatsapp. Mensagem vai, mensagem vem, mais e mais gente foi integrada (eu inclusive) e começou uma mobilização sem precedentes, de gente muito boa que sabe que a rivalidade deve existir apenas quando a viseira é abaixada. Naquela de um provoca o outro, que cutuca o outro, que convence outro a tirar a poeira do kart, o grupo ganhou força, definiu aspectos a serem discutidos com a organização que, por sua vez, estava completamente aberta a ouvir e mudar o que fosse necessário. E nomes de peso, como os de Rafa Matos, se juntaram ao bate-papo e ofereceram suporte, mesmo de longe. Pintou até cartaz estilizado, na melhor tradição das provas automobilísticas.

       Quick Comunicação/divulgação

Dessa “brincadeira” surgiu uma rodada dupla com grid que há muito tempo não se via, muitos entusiastas e apaixonados pelo esporte acompanhando, presença maciça da imprensa (Rede Globo inclusive) e observações sobre o que deu certo e o que pode (ou precisa) ser melhorado. Além de ideias que já começam a agitar a comunidade do kart, como a realização de uma prova de endurance de longa duração sonhada desde a década passada. E que dará a chance de Rafa, Clementinho, Cristiano, Guilherme, Juninho e tantos outros participarem, com karts carenados e estilizados. Mais que isso, a última rodada dupla do Mineiro’2014 terá ainda mais pilotos, mais cobertura e a competição tem tudo para retomar os tempos de grids gordos. Não é tão difícil assim. E continua chegando mensagem no grupo do Whatsapp, para o bem do kart…

A classe operária vai ao paraíso – Coluna Sexta Marcha (GP de Mônaco)

A classe operária vai ao paraíso Esqueça o ciclismo, o atletismo ou qualquer outro esporte de equipe em que só há um vencedor. No automobilismo, guardadas as devidas exceções (registradas em contrato ou não, ou ainda lembradas de forma nada agradável pelo rádio), a rivalidade é coisa séria, especialmente quando deixou de ser possível trocar de carro ao longo de um GP – sim, na Fórmula 1 isso já foi possível, e houve quem, cavalheirescamente, abrisse mão de vitórias ou das próprias ambições para favorecer um Juan Manuel Fangio, por exemplo. No Século 21, ganhar em dupla ou trio só nas provas de endurance.

E nada mais normal do que a celeuma criada em torno do duelo Nico Rosberg x Lewis Hamilton, transformado exageradamente em guerra fratricida neste fim de semana do circo em Mônaco. Coisa de quem não presenciou, ou não se lembra, de batalhas como Jones x Reutemann, Villeneuve x Pironi, Prost x Lauda, Prost x Senna e Piquet x Mansell, apenas para citar as mais marcantes. Coisa capaz de transformar a história mostrada em Rush, que retratou a temporada 1976, em cinema água com açúcar, tais as artimanhas empregadas ou o grau da batalha psicológica.

Sim, estávamos desascostumados a este grau de fricção interna, ao fato de que dois pilotos sob um mesmo teto podem ter o mesmo talento e oportunidades, principalmente quando o produto a se vender não são bebidas energéticas, mas automóveis. E não apenas automóveis, mas uma tradição nas pistas interrompida depois do grave acidente nas 24h de Le Mans de 1955 (em que mais de 80 espectadores morreram quando a Mercedes de Pierre Levegh, em chamas, invadiu as arquibancadas) e retomada mais de meio século depois. A bem da verdade, a marca estrelada é tradicional e forte o bastante para não conseguir se impor, e qualquer coisa diferente de um título não deixa de ser fracasso.

Daí a criar toda a celeuma em torno da eventual esperteza de Rosberg vai um longo caminho. Não estamos nem perto do que fez Michael Schumacher na Rascasse em 2006, para ser exemplarmente punido. E até pode ser que, num milionésimo de segundo, ele tenha se deixado levar pela tentação de errar o ponto de freada onde podia. Mas esperteza é parte do arsenal dos grandes campeões, e que levante a mão aquele que nunca se valeu de um expediente eticamente questionável. Como diria o narrador, “é disputa, meu amigo…”. Aliás, se eu fosse comissário de prova, pedia investigação para esclarecer se algo realmente entrou no olho esquerdo de Hamilton ou se foi a desculpa pensada para justificar o que a pista deixou claro: que não haveria como passar o colega. Reclamar do pitstop em sequência beirou o absurdo –  ou o talentoso britânico se esqueceu que perderia todo o tempo de uma volta a mais atrás do safety car e iria para o meio da fila na relargada?

Dito isso, a grande notícia de mais um GP monegasco (sim, é esse o gentílico) foi o nono lugar da Marussia de Jules Bianchi. Que, para que o leitor tenha uma ideia, se vira por ano com metade do que a Mercedes gastou apenas para desenvolver seu V6. E promete engordar o orçamento de um time já dado por muitos como à beira da extinção em, no mínimo, US$ 20 milhões. E isso depois de três punições: a da troca da caixa de câmbio, a da parada em posição errada no grid e mais uma por ter cumprido a anterior em regime de neutralização. Coisas que só podem acontecer mesmo nas estreitas ruas do principado. E ainda tem gente que não entende o por quê de a F-1 continuar andando de moto na banheira, como exemplificou um dia Nelson Piquet.

O soldado Ryan Do outro lado do Atlântico, com tradição e carisma semelhantes aos de Mônaco, o domingo de 500 Milhas de Indianápolis coroou a paciência e a precisão cirúrgica de Ryan-Hunter Reay e da equipe Andretti. Mais do que merecida a vitória do norte-americano, e destaque para seu compatriota Kurt Busch, ex-campeão da Nascar, que recebeu a bandeirada em sexto no seu primeiro contato com um carro da Indy.   Haja espera

82 Corridas foram necessárias até que um dos times “low cost” que estrearam no GP da Austrália de 2010 finalmente conseguisse pontuar. Nesse caminho, a Hispania fechou as portas no fim de 2012, quem era Lotus virou Caterham e quem nasceu como Virgin se tornou Marussia, a responsável pela façanha, que muitos já nem consideravam possível.

Corrida, corrida e mais corrida: a agenda do fim de semana…

O penúltimo fim de semana de maio já é tradicional por reunir duas das principais provas do automobilismo mundial: o GP de Mônaco e as 500 Milhas de Indianápolis. Coisa antiga, dos tempos em que a maratona norte-americana deixou de fazer parte do calendário da F-1, sem abrir mão da data, que é o domingo anterior ao Memorial Day, feriado em que se homenageia os mortos em combate. E neste ano o último a conseguir vencer ambas está de volta a uma delas – falo de Juan-Pablo Montoya, que resolveu novamente tentar a sorte na Indy, e como bem mostra a história do “The Greatest Spectacle in Racing”, não pode ser desprezado, como aliás ao menos 30 dos 33 carros do grid, um grid que inclui ainda Jacques Villeneuve e Kurt Busch.

Busch que, de tanto prometer, finalmente resolveu tentar a dobradinha 500 Milhas de Indianapolis/600 Milhas de Charlotte. Sim, porque também é fim de semana da prova mais longa do calendário da Nascar, e encarar 1.100 milhas a toda velocidade exige não só concentração e preparo físico, como também uma pesada logística que inclui avião alugado esperando a chegada do piloto para ligar Indiana e Carolina do Norte a tempo.

No principado, dificilmente haverá surpresas, levando-se em conta que tanto Lewis Hamilton quanto Nico Rosberg sabem bem o que é receber o troféu de vencedor da família real monegasca. Mas, se ainda faltasse motivo para fazer deste um fim de semana especial, temos mundiais de Turismo e Rallycross (o de Superbikes responde pelas duas rodas); Blancpain Endurance; GP2, Renault World Series, etc, etc, etc… Pelas nossas bandas, emoção concentrada em Interlagos, com a segunda etapa do Brasileiro de Marcas (em duplas), a quarta da F-3 e a estreia do novo Mercedes-Benz Grand Challenge, com os CLA AMG45. Precisa de mais?

Internacional

Mundial de Fórmula 1: sexta etapa – GP de Mônaco

Mundial de Turismo (FIA WTCC):  quinta etapa – Salzburgring (AUS)

Mundial de Superbikes: quinta etapa – Donington Park (ING)

Mundial FIA Rallycross: segunda etapa – Lydden Hill (ING)

Verizon Indy Car Series: quinta etapa – 500 Milhas de Indianápolis

GP2: terceira etapa – Mônaco

Renault World Series 3.5: terceira etapa – Mônaco

Nascar Sprint Cup: 12ª etapa – Coca-Cola 600 (Charlotte)

Nascar Nationwide Series: 11ª etapa – History 300 (Charlotte)

Blancpain Endurance GT Series: segunda etapa – Silverstone

Inglês de F-3: segunda etapa – Silverstone

Lamborghini Supertrofeo: segunda etapa – Silverstone

Fórmula Renault ALPS: terceira etapa – Red Bull Racing (AUT)

Indy Lights: sétima etapa (Freedom 100) – Indianápolis

Porsche Supercup: etapa de Mônaco

Nacional

Brasileiro de Fórmula 3: quarta etapa – Interlagos

Brasileiro de Marcas: segunda etapa – Interlagos (prova em duplas)

Mercedes-Benz Grand Challenge: primeira etapa – Interlagos

Mineiro de Kart: terceira etapa – RBC Racing

Arena Cross: segunda etapa – Uberlândia

Na telinha

Sábado (24)

6h Mundial de Fórmula 1: GP de Mônaco (terceiro treino livre)   Sportv

9h   Mundial de Fórmula 1: GP de Mônaco (treino oficial)              Globo

11h05 GP2: etapa de Mônaco                                                                       Sportv

15n45  Nascar Nationwide Series: History 300                                       Fox Sports 2

20h55 Arena Cross: etapa de Uberlândia                                                 Sportv 3

Domingo (25)

4h40  Porsche Supercup: etapa de Mônaco                                                    Sportv

9h       Mundial de Fórmula 1: GP de Mônaco                        Globo

11h25  Brasileiro de Marcas: etapa de Interlagos                                     Band

12h      Verizon Indy Car Series: 500 Milhas de Indianapolis                     Band/Band Sports

18h55 Nascar Sprint Cup: 600 Milhas de Charlotte                                     Fox Sports 2

21 mil cavalos numa foto…

Eu não perderia a chance de mostrar esta foto por nunca. Os organizadores da segunda etapa do Mundial FIA de Rallycross, no circuito de Lydden Hill, onde o esporte nasceu, em 1966, reuniram todos os 35 carros inscritos na catgoria Supercars. Tem Citroën DS3, Peugeot 208, Saab 9-3, Audi A1, Ford Fiesta e Focus, Renault Clio, VW Polo e Scirocco, Skoda Fabia, Volvo C30 e Hyundai I20. E tem Solberg, Hvaal, Pallier (pai e filho), Grosset-Janin, Timerzyanov, Foust, Doran, Bakkerud, Heikkinen, Hansen… entre outros. O mais legal da história é que Robert Reed, o então produtor da BBC que pensou em criar uma prova semelhante ao rali num traçado fechado – o que veio a se tornar o Rallycross –, será o homenageado principal. Só para brincar com os números, se cada máquina destas tem 600cv, temos 21 mil deles apenas nesta imagem. Haja cavalaria…

          Fia RX/divulgação

A nova onda de Nelsinho…

Os caminhos dos herdeiros da família Piquet têm algo de diferente e interessante, considerando que Nelsinho conseguiu chegar à F-1, se desiludiu e acabou engolido pelo circo; depois optou pelos EUA; enquanto Pedro, irmão mais novo, encara a F-3, não mais na equipe paterna, mas dá pinta de que quer seguir trajetória semelhante – e nem vamos considerar os casos de Laszlo, que preferiu acelerar sobre duas rodas, disputando provas de Supermoto; ou Geraldo, que estreou diretamente na F-Truck.

       Red Bull GRC/divulgação

Enfim, o importante é que cada um se divirta e ganhe a vida onde preferir, e tanto melhor se a tradição do sobrenome seguir em alta, como é sempre bom ver. Pois o assunto deste post é justamente Nelsinho, e a nova orientação de sua carreira, depois da passagem mais que razoável pela Nascar. Acontece que a Stock Car norte-americana é extremamente hostil aos estrangeiros, a não ser que eles tenham um passado esportivo nos EUA – talvez por isso nomes como Christian Fittipaldi, Juan-Pablo Montoya ou Marcus Ambrose tenham conseguido se estabelecer, enquanto outros como Max Papis vivam numa gangorra – são chamados para acelerar nos mistos, ajudam a acertar os carros nos treinos mas, temporada completa que é bom, nada. Se dependesse do espírito reinante na categoria, lugar de gringo seria na Camping World Truck Series (como Nelsinho, Räikkönen, Karthikeyan e Villeneuve bem mostraram), no máximo na Nationwide Series.

Pois eis que o filho do grande Nelson resolveu, ao menos por enquanto, deixar de lado o sonho de se tornar piloto da Sprint Cup, e encontrou um nicho numa categoria incomum para alguém formado no asfalto: depois das primeiras experiências ano passado, resolveu se dedicar de cabeça ao Global Rallycross Championship, o Norte-Americano da modalidade que começou em Barbados (sim…), e no qual ele conseguiu uma animadora quarta posição, com o Ford Fiesta ST da equipe SH Racing. Tudo bem que o formato das provas do esporte nos EUA não me agrada tanto (tem saltos, obstáculos artificiais e um quê de gincana), mas eis que ele surpreende novamente e decide encarar os melhores do mundo na etapa inglesa do Mundial, domingo, em Lydden Hill, na categoria RX Lites. Aí é Rallycross de verdade, com nada menos que 35 Supercars inscritos em busca de um dos seis lugares na grande final. E por mais que muita gente jogue pedra, é sim uma alternativa e tanto, basta ver o nível das competições. Tomara que se dê bem e passe a disputar toda a temporada entre os Supercars, se não este ano, em 2015…

Propulsão híbrida no Mundial de Endurance: funciona assim…

Aproveitando que as 24h de Le Mans se aproximam a passos (ou será aceleradas) rápidos, o blog reproduz o vídeo que é parte de uma série elaborada pelo Automobile Club d’Ouest, organizador da maratona da Sarthe (e do Mundial de Endurance, o FIA WEC), detalhando o funcionamento dos sistemas híbridos na categoria. Que é algo mais complicado do que na Fórmula 1, já que é possível repartir a energia extra pelos dois eixos (transformando o carro, em determinados momentos, num 4×4) e mesmo escolher a quantidade de energia cinética a ser convertida em potência, de 2MJ (megajoule) a 8MJ. Quanto maior o número, menor tem que ser a “colaboração” do motor a combustão tradicional. Toyota, Audi e Porsche escolheram caminhos distintos e, a julgar pelas duas primeiras etapas da temporada, a vantagem técnica é dos japoneses e seu TS040 Hybrid, escolhidos para ilustrar as imagens que você vê aqui…

O jeito é correr com teto…

As copas monomarca com GTs de alto rendimento são território exclusivo de endinheirados amadores, certo? No Brasil até pode ser, já que as contas bancárias superam em muito o talento, tirando algumas exceções, mas na Europa não é mais o caso. Porque é cada vez maior o contingente de pilotos que, depois de boas trajetórias na F-3, na GP3 ou mesmo na Auto GP (ex-F-3000 europeia), se encontram diante de um dilema. Saltar para a Renault 3.5 ou para a GP2 exige um orçamento elevado, sem qualquer garantia de que brilhar numa das categorias leve à F-1, ou à Indy – que o diga o suíço Fabio Leimer, último campeão da GP2, que embora contasse na mala com US$ 14 milhões em patrocínio, foi esnobado pela Sauber.

Já que o sonho agora não é o de décadas passadas (quantos meninos começavam no kart acreditando que chegariam ao circo…) e o principal objetivo é viver do automobilismo e seguir carreira, a chance de acelerar em um contexto competitivo, sob os olhos atentos dos dirigentes de Porsche, Maserati, Ferrari e Lamborghini, e com a possibilidade, sempre bem-vinda, de integrar um programa de GT ou endurance ligado a uma destas marcas prestigiosas se tornou caminho quase obrigatório.

Basta ver, por exemplo, o grid do Lamborghini Blancpain Super Trofeo Europe, pomposo nome do monomarca destinado aos Gallardo LP-570-4. Sim, continuamos tendo vários pilotos de fim de semana, mas lá estão, entre outros, Mirko Bortolotti, ex-campeão italiano de F-3, campeão da F-2 e que chegou a testar Ferrari, Toro Rosso e Williams, até esbarrar no problema de sempre. Giovanni Venturini teve boa passagem pela F-Renault e estava na GP3; Edoardo Piscopo foi vice da F-3 italiana (2008) e da Auto GP (2010) e Alberto Cerqui chegou a disputar uma temporada do Mundial de Turismo (WTCC) com o time Roal, de Roberto Ravaglia. E ainda tem o colombiano Sebastian Merchan, outro que se destacou na Itália. Sim, talvez nenhum deles seja o próximo fenômeno das pistas, mas a turma é boa de braço e caminha a passos largos para garantir o pão de cada dia com o trabalho nas pistas. No comando de uma máquina de 570 cv e tração nas quatro rodas, já vi muito trabalho pior…