Alfa 164 Procar V10: lobo com pinta de cordeiro…

Corria o ano de 1987 e a Alfa Romeo, que havia sido comprada pela Fiat do governo italiano um ano antes, tinha um V10 aspirado pronto para ser usado no Mundial de F-1, que se preparava para dar adeus aos turbos. Só que fazer frente à Ferrari, criar concorrência interna no grupo deixou de ser opção, e a obra-prima de Pino d’Agostino estava condenada a virar peça de museu. Mas… já naquele tempo Bernie Ecclestone se preocupava em ter o máximo de controle (e conseguir o máximo de dinheiro) sobre o circo da F-1. A F-3000 era um mundo à parte, correndo em traçados como Pau, na França, e Birmingham e, como era forte o suficiente, não se cogitava a ideia de ganhar uma vitrine mais privilegiada.

Bernie então se lembrou do que havia sido tentado uma década antes com as BMW M1, que deram origem à série Procar, reunindo feras como Hans Stuck, Nelson Piquet, Jochen Mass, entre outros, e foi além no conceito: que tal usar motores da F-1 devidamente amansados com máquinas que tivessem as dimensões e a carroceria de modelos de produção? Logo surgiram esboços, projetos (peso mínimo de 750 kg/motores aspirados com até 3.500cc), mas a única a transformar a ideia em realidade foi a Alfa, na tentativa de dar um uso digno a seu propulsor. Lógico que não se partiria de um chassi de 164 de rua, e a tarefa de produzir um chassi (em honeycomb de alumínio e Nomex) foi entregue à Brabham, que havia sido parceira em priscas eras da fábrica de Arese.

Pois com todos os devidos reforços e o máximo de tecnologia existente à época, nasceu a 164 Procar V10, com quase 600cv às costas – tração traseira, imaginem só… Testado na pista de Balocco, o engenho se mostrou interessante (torção e vibrações contidas, boa velocidade em reta e equilíbrio nas curvas). No GP da Itália de 1988 (o famoso da presepada do campeão mundial de endurance Jean-Louis Schlesser diante de Ayrton Senna), Riccardo Patrese percorreu algumas voltas e, no retão de Monza, bateu os 330 km/h. Tinha tudo para ser um campeonato sensacional, não fosse algo que nem Mr. E previa: a falta de interesse de outras fabricantes. As alemãs estavam concentradas no DTM, japonesas e demais asiáticas ainda não investiam na Europa como agora… E a Alfa acabou indo, com seu V10, para o museu. Imagine domar um monstro sobre quatro rodas do gênero…

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