Pikes Peak: nova lenda, festa e tragédia…

Não, a marca abissal de Sebastien Loeb com seu Peugeot 208 Proto não foi abatida, e dificilmente seria, mas o sucessor do francês na galeria de campeões da Subida Internacional de Montanha de Pikes Peak (PPIHC) entrou igualmente para a história. Que o blog é fã de Romain Dumas não é novidade – pilotos que conseguem ser rápidos, competitivos e vencedores nas mais diversas categorias merecem toda a admiração. Pois o compatriota de Loeb, que já contava com uma vitória geral nas 24h de Le Mans, outra nas 12h de Sebring; três nas 24h de Nurburgring, o título da American Le Mans Series e ótimos resultados no rali francês levou seu Norma FC20 RD (de Romain Dumas, lógico), ao topo na “Corrida para as nuvens”. Depois de dominar a qualificação, completou os 19.900m e as 156 curvas em 9min5s801.

A surpresa foi o crescimento dos modelos com propulsão elétrica que, pelo andar da carruagem (dos carros, melhor dizer), vão lutar pela vitória geral já no ano que vem. Os motores movidos a baterias de lítio não sofrem com o ar rarefeito, são leves, ágeis e começam a ser confiáveis. Greg Tracy, habitual da prova, ficou a apenas três segundos do topo do pódio com seu Mitsubishi I-MIEV Evo III, e Hiroshi Masuoka, com modelo igual, ficou em terceiro – ambos bateram com folga a marca dos 10 minutos.

Pena que nem tudo foi festa no domingo. O motociclista Bobby Goodin, de 54 anos, perdeu o controle de sua Triumph 675 tão logo cruzou a linha de chegada, a mais de 4.200m de altitude, e não resistiu aos ferimentos – incrivelmente é a quinta fatalidade em 92 edições, o que mostra que a prova é relativamente segura, apesar do percurso traiçoeiro. Mas lógico que entristece. Se já exige uma grande dose de loucura encarar a montanha do Colorado sobre quatro rodas, o que dizer sobre apenas duas…

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Agenda da telinha: e não é que tem até Copa?

Terceiro fim de semana de Copa e nas pistas a movimentação segue a toda, como aliás tem mesmo que ser. E olha que nestes dias a programação é ampla e qualificada. Temos Mundial de Rali na Polônia, com Robert Kubica como a estrela da compania; mais uma do Mundial de Rallycross, agora na Finlândia, com Jacques Villeneuve (foto) e a visita anual do DTM ao lendário circuito de Norisring, em Nuremberg, palco de discursos de Adolf Hitler em tempos sombrios; rodada dupla da Indy nas ruas de Houston e o tradicionalíssimo Dutch TT, em Assen, a única etapa do Mundial de Motociclismo num sábado, bem como as 6h de Watkins Glen, que voltam a juntar todo o pelotão da endurance norte-americana, valendo ainda pelo NAEC. E como eu venho falando já há algum tempo, a 92ª edição da sensacional e incomparável subida de montanha de Pikes Peak, explicada e apresentada no post abaixo.

Internacional

Mundial de Motociclismo: oitava etapa (Assen TT/GP da Holanda)

Mundial de Rallycross (FIA RX): quarta etapa – Kouvola (FIN)

Mundial de Rali (WRC): sétima etapa – Rali da Polônia

Verizon Indycar Series: oitava etapa – GP de Houston (rodada dupla)

Tudor United Sportscar Championship: oitava etapa – 6h de Watkins Glen (também

válida pelo North American Endurance Challenge)

DTM: quarta etapa – Norisring

Europeu de F-3: sexta etapa – Norisring

Auto GP: quinta etapa – Imola

Blancpain Endurance Series: segunda etapa

Renault World Series 3.5: quinta etapa – Moscow Raceway (RUS)

Eurocup F-Renault:  terceira etapa – Moscow Raceway (RUS)

Nascar Sprint Cup:  17ª etapa – Quaker State 400 (Kentucky)

Nascar Nationwide Series: 15ª etapa – Hero Campaign 300

Nascar Camping World Series: nona etapa – Unoh 225 (Kentucky)

92ª Pikes Peak International Hillclimb (PPIHC)

Nacional

Porsche Cup Brasil: terceira etapa –Interlagos

Open para o Brasileiro de Kart: Arena Kirin, em Itu

Mineiro de Kart: quarta e última etapa – RBC Racing (Vespasiano)

Na telinha
Sexta (26)

20h30    Nascar Nationwide Series: etapa de Kentucky                                 Fox Sports 2

Sábado (27)

6h    Mundial de Motociclismo: GP da Holanda (corridas)             Sportv3

20h30   Nascar Sprint Cup: etapa de Kentucky                             Fox Sports 2

Domingo (28)

8h30  DTM: etapa de Norisring                                                     BandSports

Pikes Peak’2014: chegou a hora de subir o morro…

Mudam os tempos, a terra dá lugar ao asfalto, o automobilismo está cada vez menos romântico e mais tecnológico, mas não dá para ficar indiferente ao fascínio da Subida de Montanha Internacional de Pikes Peak (PPIHC). Pelo 92º ano, bravos e loucos de todas as partes dos EUA e do mundo vão encarar um verdadeiro monumento; um desafio de 156 curvas, 19.983m de extensão e chegada a asfixiantes 4.220m de altitude, no coração do estado do Colorado. Quem já viu fotos ou vídeos sabe que boa parte do percurso não tem barreiras de proteção; que penhascos e árvores de troncos enormes estão à espreita e errar os cálculos é sinônimo de acidente sério. E é necessário pensar no funcionamento dos motores com o ar rarefeito, acertar a pressão dos pneus, a carga aerodinâmica, as suspensões para os trechos em que o piso não é dos melhores…

E pode até ser que a insana marca de 8min13s878 estabelecida pelo monstro Sebastien Loeb e seu Peugeot 208 T16 Proto para escalar a montanha que homenageia o general e explorador Zebulon Pike não seja batida, mas há um troféu para o mais rápido esperando no topo. E pilotos craques nas mais diversas categorias, máquinas desenvolvidas conforme os mais diversos espíritos, levando-se em conta que as regras são simples e cristalinas: estrutura de segurança, bancos, cintos, tudo bem montado e preso e… morro acima. Para que você tenha uma ideia da diversidade do grid e do que espera os concorrentes – só para esclarecer, os treinos são feitos por setores, para aclimatação, e é a soma deles que determina a ordem de largada no domingo…

De Fórmula 1, pelas ruas de Londres…

Antes de mergulhar no assunto do fim de semana para o blog, que é a 92ª edição da subida de montanha de Pikes Peak, evento sensacional e único em todas as suas características, fazemos uma visita ao centro nervoso de Londres. Quem acompanhava este espaço ano passado lembra que Bernie Ecclestone chegou a propor uma prova pelas ruas da capital britânica, e que o Banco Santander, patrocinador de McLaren e Ferrari, foi adiante, ao propor um traçado, reproduzido em computação gráfica, com direito a Jenson Button no “volante”. Pois a Lotus, que andava quieta e preferiu dar um tempo nas gracinhas que marcaram as temporadas anteriores, resolveu mandar o dinamarquês Marco Sorensen, um de seus reservas, à região de Canary Wharf, num domingo de manhã. Uma ação promocional que antecede a sagrada visita do circo a Silverstone, no dia 6. Ficou interessante, como você vê aqui…

Falando em V8 Star…

Pois é, eu falei no post abaixo da V8 Star, categoria de turismo que povoou as pistas alemãs entre 2001 e 2003, e comentei que vários chassis da categoria seguiam acelerando nas pistas da Europa, especialmente em campeonatos de endurance abertos a todo ou quase todo tipo de máquina. Eis que mais uma bisbilhotada pela internet me levou ao encontro deste aqui. Como não há mais qualquer compromisso com a aparência dos carros de produção, o alemão Sven Fisch resolveu mexer no seu e transformar uma berlina num GT, para disputar o Spezial Tourenwagen Trophy (STT). Além da vantagem aerodinâmica e de uma esperada redução de peso, ficou diferente de todos os outros e só não ganha nota 10 por conta dessa entrada de ar imensa para alimentar o vê oitão, sem a qual o propulsor não respira. Mas bem que parece um Lister quando visto de frente…

V8 Star: um campeonato que podia ter durado mais…

Voltamos os ponteiros do relógio para falar de um campeonato de carros de turismo que durou apenas três anos, mas merecia ter ido mais longe, não fosse por um detalhe: carros tubulares com motores V8 na terra do DTM e no momento em que o DTM se reinventava, com chassis específicos e… motores V8, era algo arriscado, como afinal se mostrou.

A ideia dos organizadores da V8 Star era interessante, e passava por envolver montadoras que não tinham bala suficiente para encarar Mercedes, Audi e Opel no Deutsche Touringwagen Meisterschaft, mas podiam emprestar a aparência de seus carros aos modelos de pista. Assim sendo, a categoria surgiu com motores “made in USA” – Ford Roush com seus 480cv – e entre as bolhas escolhidas havia os VW Passat; Jaguar S-Type, Ford Mondeo, Lexus IS e Audi RS6, sempre com componentes padronizados, para reduzir os custos, e pneus Goodyear. As equipes? Zakspeed, Irmscher, VitaPhone…

E o nível dos pilotos não era de se jogar fora, muito antes pelo contrário: tinhamos Johnny Ceccotto (o pai); Pedro Lamy, Marcel Tiemann, Michael Bartels, Thomas Mutsch, Roland Asch, Ellen Lohr, Kurt Thiim e Tomas Scheckter, para citar os mais conhecidos. E a parte de promoção era muito bem cuidada. Lembro que pedi um material sobre o campeonato e, em tempos de internet mais “modesta”, recebi uma revista que guardo até hoje com belas fotos, apresentação de pilotos e equipes e curiosidades. E não demoraram a surgir miniaturas em escala 1/43. Mas… como eu contei no começo do post, brigar com o DTM na casa do DTM seria pesado, e, se de 2001 a 2003 funcionou, depois perdeu espaço. E os carros foram vendidos e alinhados em competições de endurance ou turismo de outros países – alguns ainda aceleram na Europa. Mas o formato não deixou de ser inspiração para a nossa Stock, para a Top Race V6 argentina e outras séries por aí. Era muito interessante…

Valsa prateada – Coluna Sexta Marcha

*** Aqui estão as mal-traçadas linhas sobre o GP austríaco, que prometeu muito, entregou bastante, mas não o que boa parte da torcida brasileira esperava. Por mais que se critique, ou tente explicar, Felipe Massa fez o que dele se esperava nas 14 primeiras voltas e, por motivos que eu discuto no texto, não conseguiu ao menos o pódio. Mas não deveria ser alvo de ataques baratos, ou de insinuações injustas…  Desta vez a coluna saiu na versão digital do ESTADO DE MINAS, como será o caso no GP da Inglaterra, voltando às páginas de papel depois da Copa

Valsa prateada

Lógico que, antes de dormir sábado, pensei em como seria bom voltar a falar de uma vitória brasileira na F-1, de tão bom que foi ver Felipe Massa sair na frente em Red Bull Ring. Seria uma redenção completa, não só de um piloto que se tornou alvo de críticas de todos os lados – muito mais no Brasil do que fora dele – mas também a resposta indireta e ansiada a outro GP da Áustria, o de 2002, que fez com que boa parte da crença verde e amarela em seus representantes e no sonho de novos títulos praticamente naufragasse. Um episódio que tristemente marcaria a carreira de Rubens Barrichello tanto ou mais que os dois vices, 11 trunfos e 14 poles. Como as mensagens nada cifradas vindas pelo rádio se tornaram o drama daquele que o sucedeu na Ferrari, e que pensou estar livre disso ao se mudar para a Williams.

Pois o resultado do GP emoldurado no belo cenário dos Alpes na região da Stiria haveria de servir como gasolina na fogueira dos críticos de plantão, que voltaram à carga como o ERS em modo potência máxima depois do toque com Sergio Pérez no Canadá. E eu até entendo, mas não consigo concordar.

“A pole foi sorte, se Hamilton não tivesse rodado, seria no máximo um terceiro lugar”. Ora, e quantas corridas foram decididas ou encaminhadas graças a lances do acaso, inesperados? Alain Prost mereceu menos a vitória em Mônaco’1988 porque Ayrton Senna, de tão líder, se desconcentrou? Lewis Hamilton foi um campeão mundial indigno em 2008 (em cima de alguém que tão bem conhecemos…) só porque contou com a providencial ajuda da rodada de Timo Glock em Interlagos?

Basta mandar a paixão trocar os pneus nos boxes para constatar que a resposta é uma só: não. Ainda que as duas Mercedes estivessem “fora do páreo”, urgia superar outros 19 pilotos, e foi o que o brasileiro fez. E ainda largou de forma impecável, manteve distância confortável para os perseguidores nas primeiras voltas e em nenhum momento se descompôs na condição de líder.

Mas corridas não são decididas apenas na pista, como foi exatamente o caso em Zeltweg, ou A1 Ring, ou Spielberg, ou Red Bull Ring, que são a mesma coisa. O vencedor Nico Rosberg admitiu que o cheque-mate foi a decisão de antecipar a primeira parada, para apostar no ritmo com pneus novos. Foi o que fizeram e deu resultado. A Williams, apesar da experiência de Pat Symonds e Rob Smedley na mureta, preferiu ser conservadora.

Lógico que o segundo a mais gasto no pit não explica, sozinho, a distância para o companheiro Bottas e o pódio, mas o momento do retorno à pista foi mais favorável para o finlandês. Tivessem os quatro primeiros seguido juntos o caminho dos boxes (aliás, ô entradinha enjoada…) e talvez seguissem brigando até a bandeirada.

“Ah, mas ele terminou atrás do companheiro e tem pouco mais da metade dos pontos de Bottas.” Ok, é verdade, mas nada fez para ser atingido por Kobayashi na Áustria ou perder um caminhão de tempo nos boxes na China. E leva ampla vantagem nos treinos oficiais. Estivesse ainda na Ferrari e naufragaria no fim da zona de pontuação, como faz Kimi Räikkönen. Que nem por isso é um piloto “mais ou menos”. Simplesmente não foi ontem, mas ainda pode ser. O que não é pouca coisa para um representante solitário que tantos davam como aposentado já no ano passado.

Tudo é relativo

O circuito austríaco já foi palco de corridas memoráveis – a de 1975, com Vittorio Brambilla rodando após a bandeirada sob forte chuva é uma delas – e outras de um sono inevitável. O básico do traçado não foi alterado ao longo dos anos, e foi nele que se viu uma das melhores provas da temporada. Era o que se esperava considerando as subidas e descidas, as freadas fortes e sequências de curvas rápidas reunidas em apenas 4.321m. E que nenhum Herman Tilke foi capaz de comprometer…

Agenda em tempos de Copa, parte II

E a bola segue rolando, a festa nos gramados continua, mas a movimentação nas pistas não pode esperar, mesmo porque é bem mais rápida. E o que temos para o fim de semana são carros acelerando em algumas das mais tradicionais pistas do planeta. Depois de 11 anos fora do circo, A1 Ring, ou Osterreichring, ou Zeltweg, ou agora Red Bull Ring, está de volta, trazendo a reboque GP2 e GP3. Não muito longe dali, em Nurburgring, 175 carros mergulham no inferno verde do post logo abaixo para mais uma edição das 24h. E não muito longe das duas, em Spa-Francorchamps, o Mundial de Turismo encara seu traçado mais longo e desafiador (por enquanto, já que o WTCC será a primeira série com selo FIA a encarar o Nordschleife, em Nurburgring, desde a Endurance, em 1981), tendo consigo o Europeu de F-3. Do outro lado do Atlântico, a Nascar vive seu momento de circuitos mistos, com a Sprint em Sonoma, na Califórnia, e a Nationwide em Road America. Para as horas em que a bola cansar, o que não falta é corrida boa…

Internacional

Mundial de Fórmula 1: oitava etapa – GP da Áustria (Red Bull Ring)

Mundial de Turismo (FIA WTCC):  sétima etapa – Spa-Francorchamps (BEL)

Europeu de F-3:  quinta etapa – Spa-Francorchamps (BEL)

GP2: quarta etapa – Red Bull Ring

GP3: segunda etapa – Red Bull Ring

Europeu de Rali : sexta etapa – Geko Rally Ypres (BEL)

24h de Nurburgring

GT Open: terceira etapa – Jerez (ESP)

Euroformula Open: terceira etapa – Jerez (ESP)

Nascar Sprint Cup: 16ª etapa – Toyota Save Mart 350 (Sonoma)

Nascar Nationwide Series: 14ª etapa – Gardner Denver 200 (Road America)

Global Rallycross Championship (GRC): terceira etapa – Washington

Mundial de Superbikes: sétima etapa – Misano Adriatico (ITA)

Nacional

Sprint Cup: terceira etapa – Interlagos

Paulista de Velocidade: sexta etapa – Interlagos

Na telinha

Sábado (21)

6h   Mundial de F-1: GP da Áustria (treino livre)    Sportv 2

9h  Mundial de F-1: GP da Áustria (qualificação)  Globo

10h35  GP2: etapa da Áustria                               Sportv 3

Domingo (22)

4h       GP3: etapa da Áustria                               Sportv 3

5h30   GP2: etapa da Áustria                               Sportv 2

9h       Mundial de F-1: GP da Áustria                 Globo

Rolando no Inferno Verde…

Coisas de um calendário cada vez mais repleto e com opções para todos os paladares: muita gente nem se recuperou do esforço nas 24h de Le Mans e, neste fim de semana, já encara desafio igualmente encardido, talvez até mais por conta das características da prova. Afinal, não se espalha 175 carros numa pista impunemente, tanto mais quando a pista em questão é o Grune Hölle, o Inferno Verde de Nurburgring, a versão Nordschleife, com seus 20.320m de extensão e 77 curvas escondidas entre árvores assustadoras e guard-rails ameaçadores.

E por incrível que pareça, trata-se de prova bem mais democrática do que as duas voltas pelo ponteiro do relógio no circuito da Sarthe – é bem verdade que as fábricas e times oficiais e seus GTs estão cada vez mais presentes na classe SP9, a principal da brincadeira, mas, basta correr a lista de inscritos para encontrar Clios, Astras, Golfs e máquinas menos novas. E a lista de pilotos tem craques até não acabar mais, misturados com a turma dos finais de semana, que corre apenas para se divertir, faz vaquinha, consegue a ajuda dos amigos como mecânicos.

Nos últimos anos, pelo menos, tornou-se obrigação para quem tem o currículo menos forrado a participação em pelo menos uma etapa do VLN, o certame de endurance disputado no velho Nurburgring. Assim dá para ter uma ideia do que esperar, embora (e eu sempre repito isso, mas vai que você ainda não leu) eu tenha, lá na pista, em 1998, perguntado a Hans-Joachim Stuck, como fazer para memorizar tamanho gigante. No que ele respondeu, sem pestanejar: “impossível. É levar o desenho da pista no volante, improvisar e se adaptar às circunstâncias. Lógico que dos pontos críticos a gente lembra”, comentou o cracaço alemão.

E nos trechos em que a estrada cruza o que é o circuito, fica difícil acreditar que por ali passem carros a 200, 250 km/h, que podem se deparar com um rival parado na saída de uma curva cega. Coisa de louco, literalmente. Que só terá este ano a torcida brasileira, já que não estamos representados – olha que argentinos, tailandeses, australianos, finlandeses, estonianos e húngaros há aos montes. Mas é prova para se acompanhar, curtir e vivenciar assim mesmo…

Haja idiotice…

Pode ter passado batido diante de tantas notícias envolvendo a Copa do Mundo, mas vale o registro, que seja pelo insólito e ridículo da cena. Estamos em Brands Hatch, um dos templos britânicos da velocidade, durante uma prova de endurance da Fun Cup, aquela que você já viu por aqui – os chassis tubulares com carroceria de Fusca e motor VW 2.0 turbo que são atração em vários países da Europa.

Tudo vinha bem até que uma das câmeras do circuito muda o foco para o trecho da curva Sheene, em descida, onde um VW Polo aparece em velocidade bem menor que a dos fusquinhas turbinados. Muita gente desvia, outros não entendem nada e a prova acaba interrompida com bandeira vermelha.

O que houve? Um sujeito de 21 anos no carro da namorada e com vários amigos a bordo resolveu aproveitar um descuido dos comissários, entrou na pista e quis viver seu momento piloto. O imbecil (não há outro termo para definir um comportamento assim) acabou preso e responderá a processo. Olha que estamos falando da pátria do automobilismo por definição, e a programação do circuito de Kent prevê vários track days, onde o sujeito poderia fazer a mesma coisa com toda a segurança. De onde vale o conselho: se quiser viver seu momento piloto, faça do jeito certo, na hora certa. Nunca dessa forma…