InMotion: ambicioso sonho holandês…

Tudo bem que sonhar não custa, e não fossem os projetos movidos por uma razoável dose de loucura e grandiosidade, provavelmente ainda estivéssemos na idade da pedra, ou quase. Mas imagine só você um projeto desenvolvido por um grupo de estudantes e duas instituições de ensino holandesas que nasce com objetivos como “estabelecer um novo recorde de volta para o Nordschleife de Nurburgring e disputar as 24h de Le Mans”. Fácil? Nem de longe. Tanto assim que os 6min11s13 estabelecidos pelo saudoso Stefan Bellof  em 1983, com uma Porsche 956, resistem ao tempo e já superaram as três décadas de vida.

Pois estudantes e professores da Universidade Técnica de Eindhoven e da Universidade

Fontys de Ciências Aplicadas resolveram sonhar grande. Acostumados a projetar bajas para as disputas da F-SAE e a levar para a prática o que aprendem nas salas de aula, eles se valeram da ideia do Automobile Club d’Ouest (A.C.O) que, desde 2012, passou a reservar uma vaga no grid das 24h de Le Mans para uma máquina inovadora, que traga novos conceitos e valorize energias alternativas. A primeira, você há de lembrar, foi o DeltaWing, ainda com motor Nissan e cockpit aberto. Neste ano, a mesma Nissan resolveu criar uma variação sobre o mesmo tema e mandou à pista o Zeod, com propulsão mista eletricidade/combustão. Nenhum dos dois foi longe, mas o conceito está valendo.

Pois o grupo se juntou no consórcio InMotion e resolveu tirar do papel o protótipo IM01, com os objetivos citados lá em cima. E propostas nada modestas: valendo-se de um apurado estudo de aerodinâmica, criar o máximo de downforce e o mínimo de resistência. E contar com a força de quatro motores elétricos, um por roda, que se alimentam da energia dissipada pelos freios sob a forma de calor. E o calor ainda seria dissipado sob pressão nas laterais, criando um efeito semelhante ao difusor explodido, hoje banido na F-1. E como ainda é impossível armazenar energia elétrica para 24 horas de desafio, haveria a ajuda de um motor rotativo (tipo Wankel, como o do Mazda 787 campeão da prova em 1989). Mas com uma eficiência térmica de 60%, enquanto os mais modernos propulsores atuais não chegam aos 30% – um primeiro modelo encontra-se em testes iniciais. Tem site, tem perfil no Facebook e já provocou uma grande movimentação no meio. Uma primeira maquete está sendo montada para as verificações no túnel de vento e para mostrar a eventuais patrocinadores. É coisa para 2017 e tomara que saia. Afinal, nem só de times oficiais e orçamentos milionários é feito o automobilismo.

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