Dams GD01: um Fórmula 1 que seria, mas não foi…

Construir um F-1 pode ter sido mais fácil nos primórdios, ou até a década de 1970, quando muitos galpões ou garagens serviam de oficina para que um amontoado de tubos e um motor Cosworth DFV V8 ganhassem vida e o direito de ao menos tentar seu lugar ao sol no circo. Mas, com o passar dos anos, e o fim de uma segunda era de prosperidade – me refiro ao fim dos anos 1980, quando tivemos Coloni, Rial, EuroBrun, Osella, Onyx, AGS, Zakspeed, Andrea Moda e Life e até 36 carros lutando pelos 26 postos no grid – ficou mais complicado investir quantias elevadas e tempo para desenvolver um bólido (palavra nova, essa…).

A última a tentar foi a Honda, com seu RA199, nascido da pena do falecido Harvey Postlethwaite, que na verdade era um banco de provas para o retorno que se concretizaria com a compra da BAR. No fim de 1995, no entanto, uma equipe que já se destacava em todo o tipo de categoria decidiu que era hora de dar o salto. DAMS é a sigla para Driot Arnoux Motor Sport e, se René Arnoux deixou o posto anos mais tarde, Jean-Paul Driot, que fez fortuna prestando serviços para companias de petróleo, se mantém no comando até hoje – olha que a escuderia já passou por F-3000, GP2, Auto GP, Endurance, GT e Renault World Series 3.5.

Pois naquele 1995, Driot encarregou Claude Galopin e uma equipe de engenheiros da Reynard para desenvolver o GD01, que seria equipado com o motor V8 Ford ED. Montou-se o chassi, em fibra de carbono, concluiu-se a montagem e, em 6 de outubro, o carro foi apresentado, com apenas a Elf, petroleira francesa, como patrocinadora. Erik Comas seria um dos pilotos, enquanto o inglês Phil Andrews e o experiente holandês Jan Lammers ajudariam no desenvolvimento, ao mesmo tempo em que buscavam orçamento para correr.

Tudo ia conforme os planos – tudo bem que o carro era meio parrudo, mesmo para a época – até que, no espaço de poucos meses, o sonho se desfez integralmente. A Renault deixava de fornecer motores à categoria, enquanto a Peugeot, esnobada pela McLaren, se acertava com a Jordan. A Elf, que se fundiu com a Total, resolveu apertar a corda da bolsa e reduziu drasticamente investimentos e subsídios. E os esperados patrocinadores não apareceram – para piorar as coisas, as regras para o desenho e a resistência dos chassis foram revistas e ficaram mais rígidas, o que exigiria mudanças no projeto inicial. Comas chegou a dar algumas voltas com o GD01, a equipe preferiu não se inscrever em 1996. E sonhava em fazê-lo no ano seguinte, mas também não teve sucesso. E o carro entrou para uma galeria rara. E o blog faz questão de mostrar, com as imagens da época…

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