Agenda tardia, mas ainda assim agenda…

Era para ter saído a tempo de ajudar você, amigo leitor, a se programar para o que viria pela frente no fim de semana da velocidade, como aliás ocorre em quase todos os finais de semana dos últimos cinco anos (ninguém é de ferro…). Só que estes dias foram de correria insana, digna de pista, especialmente considerando que a Grande BH recebeu, num mesmo dia, a etapa decisiva do Top Kart Brasil, em Vespasiano, e a chegada do 22º Rali Internacional dos Sertões. Quando foi a hora de se dar conta, boa parte da programação da telinha já havia ido ao ar, e não faria sentido apresentá-la – especialmente falando da prova decisiva da Indy, que decretou o primeiro campeão da temporada (o australiano Will Power, depois de longa e impressionante espera, sobre a qual eu falo ainda esta semana). Foi o caso de pensar então em manter não a programação da TV, mas sim a lista de eventos, para que um dia, quando você quiser saber o que rolava nos últimos dias de agosto, seja possível ter uma ideia bastante próxima da realidade.

Internacional

Mundial de Motoclismo: 12ª etapa – GP da Inglaterra (Silverstone)

Verizon Indycar Series: 15ª etapa – MAV TV 500 (500 Milhas de Fontana)

Nascar Sprint Cup: Oral B USA 500 (Atlanta)

Nascar Nationwide Series: Great Clips 300 (Atlanta)

Nascar Camping World Truck Series: Chevrolet Silverado 250 (Mosport-CAN)

Super GT (Japão): 1000km de Suzuka

Asian Le Mans Series: segunda etapa – 3h de Fuji

Nacional

Brasileiro de Stock Car: sétima etapa (rodada dupla) – Curitiba

Brasileiro de Turismo: quinta etapa – Curitiba

Top Kart Brasil: terceira e última etapa – RBC Racing (Vespasiano)

Rali dos Sertões

Gostou da máquina?

Como prometido, a Renault divulgou pontualmente neste 27 de agosto as linhas definitivas da máquina que vai completar seus finais de semana de velocidade (na Europa), que já contam com a World Series 3.5, o Europeu e as séries regionais da F-Renault, sem contar as exibições de Lotus, Red Bull e das máquinas históricas da Régie. O bólido, já se sabia, substituiria o modelo usado no Megane Trophy, na verdade um chassi tubular com motor entre-eixos traseiro que apenas reproduzia as formas do modelo de rua.

Especulava-se que seria uma versão revista do conceito Alpine A110-50, revelado há dois anos (com direito a passeio pelo circuito de Mônaco), que trazia a reboque a possibilidade de retomar a marca de esportivos criada por Jean Redelé e absorvida pela montadora francesa. Mas, o projeto encomendado à Dallara tem personalidade própria. Chassi em carbono, inspirado no que se faz no DTM e teoricamente mais seguro do que os GTs; motor V6 3.500cc biturbo de origem Nissan e as formas que você confere na foto. Gosto não se discute, cada um tem um seu, e nas redes sociais houve quem torcesse o nariz, mas eu achei bastante bem resolvido, com jeito de carro de corrida e linhas bastante inspiradas. O campeonato em 2015 será disputado por 20 duplas (um profissional e um amador), com prêmios bastante convidativos para os melhores. Gostou?

Ferrari na alma, mas não no coração…

Não sei se sou o único apaixonado por automobilismo a gostar especialmente de um carro de corrida, mas confesso, sem medo, que tenho um fraco pela Ferrari 333 SP, o último protótipo a sair não do Reparto Corse de Maranello, mas das oficinas da Michelotto, que se tornou uma espécie de extensão da escuderia do Cavallino Rampante para as categorias de GT/endurance. Estávamos na primeira metade da década de 1990 e, já sem o comendador, a equipe ainda não contava com Jean Todt e tentava se reencontrar depois de um jejum a cada ano mais incômodo. Investir em outra coisa que não fosse a F-1, nem pensar, apesar de toda a tradição esportiva nas provas de longa duração.

Mas eis que o saudoso Giampiero Moretti, o Momo (ele mesmo, da marca que se tornou sinônimo de motorsport), tanto insistiu, cobrou, pediu, que Piero Lardi Ferrari autorizou a construção de uma máquina simples, e ao mesmo tempo fantástica. Movida por um V12 que tinha por base o motor da F-1 (o da mal-sucedida F92A, de John Barnard), com capacidade aumentada para 4.000cc. Não havia um Mundial, como o WEC, mas entre as sopas de letrinhas nos EUA e Europa, havia espaço e mercado para várias – tivemos FIA Sportscars, ISRS, que virou SWRC; IMSA, Grand-Am, que já havia sido USRRC; ALMS, sem contar outras corridas específicas em que era possível alinhar. E, lógico, as 24h de Le Mans e Daytona e as 12h de Sebring. Na França, nunca foi possível vencer contra os times de fábrica ou com protótipos mais desenvolvidos mas, nas clássicas norte-americanas, a Ferrari venceu tudo e mais um pouco.

Só que, sem o suporte oficial de Maranello, a mecânica foi envelhecendo, enquanto surgiam rivais fortes, como as Lolas T98, as versões mais novas dos Riley & Scott, os Dome, as BMW V12 ex-oficiais, os Courage e Reynard, com propulsores mais fortes e confiáveis. Parecia um sacrilégio, até que o time suíço Horag, responsável pela Ferrari de Freddy Lienhard e Didier Theys “chutou o balde” e fez o que certamente levou o comendador a tremer no túmulo. Fora o V12 Ferrari, dentro o V10 Judd, confiável e algo mais moderno. E a mudança deu resultado, com a vitória na Road America 500 de 2001, além de pódios e algumas participações esporádicas na Europa. Ao mesmo tempo, o engenheiro e piloto (dizem as más línguas que mais o primeiro que o segundo) Giovanni Lavaggi fez o mesmo com a 333 do time GLV Brums, que andava no FIA Sportscar/ISRS/SRWC; sofreu com as quebras e problemas de adaptação, mas a máquina andou de forma razoável, enquanto era criado o protótipo que levaria o nome do ex-piloto da Pacific na F-1. E foi desta forma, com alma Ferrari e coração Judd, que a 333 acelerou oficialmente pela última vez, nos 500km de Monza de 2003. Desde então, ficou apenas o sonho de ver o cavalinho novamente desafiando Audi, Porsche, Nissan e Toyota – a bem da verdade, lá no céu, Enzo Ferrai deve ter tido orgulho mesmo do híbrido que, em parte, era fruto da engenhosidade de seus homens.

Maturidade zero – Coluna Sexta Marcha (GP da Bélgica)

*** Ao longo de 24 horas muita coisa acontece, muito se diz e se especula, explicações são dadas e questionadas, e talvez algo do que escrevi possa não estar tão atual diante do que já se falou sobre o toque entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton em Spa-Francorchamps. Talvez não seja o caso de falar em intencionalidade, talvez não seja o caso de considerar o alemão um vilão e o inglês um santo, mas o mínimo que dá para acrescentar é foi descabida a tentativa de passar ali, e naquele momento. E que é muito mais fácil deixar o carro escorregar quando se tem vantagem na classificação, e o toque é da sua asa com o pneu do outro, e não o contrário. E não há elementos para uma punição por parte da FIA, mas é bom ficar de olho no que pode vir pela frente. O rádio da Mercedes vai esquentar e com certeza se tornará o foco das atenções. E cada ordem ou orientação vindas de Toto Wolff, Paddy Lowe ou Niki Lauda será alvo de questionamentos, de suspeitas. Pegou mal para a Mercedes, pegou mal para a F-1, pegou mal principalmente para Rosberg, que superou a linha tênue do que é guerra psicológica e o que é deslealdade…

Maturidade zeroEu não queria estar na pele de Lewis Carl Hamilton. Tudo bem, você tem o melhor carro do grid, descobre que, apesar da reação dos rivais, dificilmente os títulos mundiais deixarão de ficar com sua equipe, mas começa o campeonato com um abandono, na Austrália, rema feito um condenado para conseguir recuperar a desvantagem, aí abandona no Canadá com o sistema de recuperação de energia em frangalhos. E, na Alemanha, sofre com os problemas nos treinos que o obrigam a largar em 20° – ainda assim, recebe a bandeirada em terceiro.

Chega a Spa-Francorchamps, sonho de qualquer piloto que se preza, alega falhas nos freios para não ser tão rápido quanto o companheiro (e pode ser jogo de cena), mas se recupera com uma largada digna de manual, para ser abalroado por Nico Rosberg quando nada mais parecia separá-lo de uma vitória consagradora. Nem é o caso de lembrar da edição de 2008, quando recebeu a bandeirada em primeiro, mas acabou punido por ter cortado caminho e Felipe Massa herdou o triunfo.

Porque se há algo que não pode ser dito do nativo de Stevenage, melhor do mundo em 2008, é que gosta de briguinhas de bastidores ou de duelos de palavras fora das pistas. E pode ser um piloto muito duro, mas costuma encarar as disputas com lealdade. E ao ver a outra Flecha de Prata se aproximar, terá pensado no sensacional duelo do Barein, quando as asas passaram a milésimos de milímetros umas das outras e a dupla chegou intacta ao fim, no que se tornou exemplo de briga justa, limpa e correta. Principalmente porque, na Bélgica, passar é uma tarefa bem menos crítica, mesmo que a um carro igual ao seu. Sem contar que haveria quarenta e tantas voltas para se tentar, não era o caso de comprometer tudo tão cedo.

Se, ainda por cima, o líder do campeonato admite, ao descer do carro, que tocou deliberadamente o companheiro para “lhe dar uma lição”, aí mesmo é que a coisa está feia. Até agora louvado pela maturidade, pela frieza com que tem encarado o ano que pode ser o de sua consagração, o filho de Keke Rosberg conseguiu estragar tudo de bom que fez no espaço de segundos. Mostrou um comportamento de menino mimado que faz lembrar com saudade dos duelos Senna x Prost em 1989 e 1990, ambos incluindo acidentes e manobras discutíveis. Coisa de gente grande, de pilotos com P maiúsculo. E tão condenável que mesmo Toto Wolff e Niki Lauda não tiveram alternativa a não ser manifestar seu desagrado publicamente. Nada de panos quentes. Enquanto a F-1 prepara um menino de 16 anos para estrear, outro bastante mais velho quis lembrar os tempos de kart, em que este tipo de escaramuça é mais do que normal. Devia ser punido inclusive por colocar a vida de um colega de profissão potencialmente em risco. E se for campeão, terá manchado boa parte do merecimento…

“Meu carro é mais rápido”

Qualquer piloto que guia um F-1 pela primeira vez ou depois de muito tempo costuma ficar impressionado pela eficiência dos freios e pela absurda aderência, que permite fazer curvas em velocidades alucinantes. Não foi o caso do alemão Andre Lotterer, que estreou pela Caterham e, se saiu já na primeira volta da corrida, teve quatro sessões de treinos para se acostumar. Tricampeão das 24h de Le Mans, ele admitiu que esperava mais do carro. “Lógico que a potência é imensa, mas a aderência é muito mais crítica do que eu esperava. É preciso esperar a hora certa de reacelerar na saida de curva. Tenho certeza que consigo ser mais rápido em algumas delas com o protótipo”, comentou, referindo-se à Audi R18 que comanda habitualmente.


Nem tudo está perdido

Vitórias de Felipe Nasr na segunda corrida da GP2, também em Spa, e de João Paulo de Oliveira na Superformula japonesa, em Motegi. Felizmente o verde-amarelo ainda tremula pelos pódios do mundo…

A F-1 voltou… e comanda a agenda…

Passadas quatro semanas de seca, nada mais justo que um dos mais sensacionais traçados do planeta, capaz de resistir a reformas, melhorias e manobras a la Tilke, para marcar a retomada dos trabalhos. Spa-Francorchamps é daqueles locais de peregrinação quase obrigatórios para os fãs da velocidade, assim como Indianápolis, Monza ou Nurburgring, mesmo que o desafio de subir a Eau Rouge já não seja como antes. Confesso que um dia pretendo percorrer aquele trecho mítico, mesmo que a pé ou de bicicleta, outra paixão belga, assim como as batatas fritas e a cerveja.

Pois é em torno da programação do GP da Bélgica que a agenda do fim de semana está composta, muito embora não seja só isso. A Indy vive a expectativa de sua penúltima etapa, em Sonoma, quando Will Power pode pôr finalmente uma das mãos na taça por vezes acariciada; e Hélio Castroneves manter a esperança de um título igualmente inédito. A Nascar monta sua tenda no oval de Bristol, pista toda de concreto e com apenas meia milha, que exige paciência e habilidade dos pilotos.

Por aqui, a programação é pequena no tamanho, mas grande na qualidade. A começar pela 22ª edição do Rali Internacional dos Sertões, com feras sobre duas e quatro rodas no percurso inédito entre Goiânia e Belo Horizonte. E o Gaúcho de Endurance, hoje o principal campeonato da modalidade no país, faz como as competições europeias (lá é muito mais fácil) e atravessa a fronteira. Vai acelerar em Rivera, no Uruguai (é pertinho de Livramento), o que é bom para os dois países.

Internacional

Mundial de F-1: 12ª etapa – GP da Bélgica (Spa-Francorchamps)

Mundial de Rali:  nona etapa – Rali da Alemanha

GP2: oitava etapa (Spa-Francorchamps)

GP3: sexta etapa (Spa-Francorchamps)

Porsche Supercup: sétima etapa (Spa-Francorchamps)

Verizon Indycar Series: 14ª etapa – GoPro GP of Sonoma

Blancpain Sprint Series: quarta etapa (Slovakia Ring)

Tudor United Sportscar: 10ª etapa – Oak Tree Grand Prix (Virginia Raceway)

Superformula: quarta etapa – Motegi

Nascar Sprint Cup: 23ª etapa – Irwin Tools Night Race (Bristol)

Nascar Nationwide Series: 22ª etapa – Food City 300 (Bristol)

Nascar Camping World Truck Series: 13ª etapa – Unoh 200 (Bristol)

Global Rallycross Championship: sexta etapa – Daytona

Rali Internacional dos Sertões: Goiânia a Belo Horizonte

Nacional

Gaúcho de Endurance: quarta etapa – Rivera (URU)

Na telinha
Sábado

6h   Fórmula 1: GP da Bélgica (terceiro treino livre)            Sportv

9h   Fórmula 1: GP da Bélgica (treino oficial)                         Sportv/Globo (*)

9h45  Blancpain Endurance: etapa da Eslováquia                   Sportv

12h20  GP3: etapa da Bélgica                                                        Sportv3

20h30: Nascar Sprint Cup: etapa de Bristol                             Fox Sports 2


Domingo

5h30  GP2: etapa da Bélgica                                                           Sportv

7h40  Blancpain Endurance: etapa da Eslováquia                   Sportv

9h       Fórmula 1: GP da Bélgica                                                    Globo

17h30 Verizon Indycar: GP de Sonoma                   Bandsports

Enxame no autódromo

O blog mostrou, há pouco tempo, o exemplo do circuito norte-americano de Pocono, tradicional trioval na Pensilvânia que resolveu aproveitar o espaço disponível para criar uma usina de energia solar, com centenas de placas capazes de gerar eletricidade para suprir as necessidades de uma pequena cidade. Mas o exemplo de outra pista da terra do Tio Sam, mais nova, mas já clássica por receber os mundiais de F-1, Endurance e Moto GP, é com certeza mais curioso.

O que você faria ao entrar num circuito se soubesse que, em seu interior, há nada menos do que 5 milhões de abelhas? Não seria, como não é, o caso de sair correndo ou buscar abrigo para fugir de ferroadas que doem e incomodam uma barbaridade. O que os administradores do Circuit of the Americas (COTA), em Austin, fizeram, foi usar o imenso espaço nas áreas adjacentes ao traçado para criar um gigantesco apiário, onde os animaizinhos têm toda a tranquilidade para produzir mel, de qualidade. São 50 áreas devidamente isoladas e tratadas, e não há registros de enxames ou fugas que tenham colocado público, pilotos e demais profissionais em perigo.

A ideia, segundo os responsáveis, foi recolher abelhas que andavam soltas em propriedades vizinhas e, aí sim, davam trabalho e provocam algum risco. Agora, estão todas devidamente acondicionadas nas caixas de madeira em que estão os favos, de onde sai a preciosa substância dourada fresquinha, ofertada a alguns sortudos fãs da velocidade como souvenir. Pra quem achava que o zumbido dos motores era o único por aquelas bandas do Texas…

            Circuit of the Americas/divulgação

Mais um alemão no circo: quando a justiça é injusta…

Houve um tempo, não muito distante (tá certo, eu adoro começar posts assim) em que, de repente, num meio de temporada, aparecia um piloto com a mala cheia de dólares e tomava o posto de um titular no Mundial de F-1, para o alívio de times médios ou nanicos em dificuldades financeiras. Foi assim que nomes como Giovanni Lavaggi, Zsolt Baumgartner, Tomas Enge ou Robert Doornbos ganharam seus 15 minutos de fama – nada contra os três, que até tiveram trajetórias razoáveis fora do circo – e outros como Antonio Pizzonia, Vitantonio Liuzzi ou Anthony Davidson tiveram a chance de mostrar serviço. Quem sai é obrigado a entender e procurar novos horizontes ou, na melhor das hipóteses, ganha uma chance para retornar mais tarde. E quem entra tenta aproveitar cada minuto do sonho, ainda que seja difícil fazer milagre nestas circunstâncias.

Pois o fim de semana da F-1 na Bélgica, encerrando as já habituais férias da categoria, traz uma situação pouco comum: um craque que tem sua primeira chance, no lugar de outro igualmente talentoso. Porque se há algo que não se pode dizer sobre a oportunidade dada a Andre Lotterer é de que se trata do caso do piloto com a mala cheia.

Depois de ser um dos vários reservas da Jaguar (tem tempo…), o alemão criado na Bélgica que fala um francês impecável e atualmente radicado no Japão certamente já tinha deixado de lado qualquer esperança de um dia… tanto assim que não pensou duas vezes ao ser chamado pela Audi para fazer parte de sua armada nas provas de endurance. Ao lado de Benoit Tréluyer e Marcel Fässler, venceu três vezes as 24h de Le Mans e foi campeão mundial de endurance em 2012 – o detalhe é que Lotterer sempre foi o responsável pela classificação, que exige coragem e talento absurdos. Ainda foi campeão da F-Nippon e disputou uma etapa pela defunta ChampCar. Alguém em sã consciência diria que é injusto?

O problema – e vários internautas já disseram isso – é que aquele a ser substituído, Kamui Kobayashi, mais do que merece continuar na F-1. Basta ver o que disse Sergio Pérez sobre a primeira temporada na Sauber e de como aprendeu com o nipônico. Kamui-San é o tipo de piloto que ganha carisma muito além dos resultados e se torna motivo de alegria geral quando consegue feitos como o pódio em Suzuka’2012, insuficiente para garantir um cockpit no ano seguinte. Tem feito das tripas coração com a Caterham e, ao menos por enquanto, verá as corridas dos boxes – deve voltar ao menos em casa.

         Caterham F1/divulgação

E é praticamente impossível esperar que Lotterer faça algo decente diante das circunstâncias. Por mais que haja simuladores, capacidade de adaptação e improvisação, um F-1 é um animal único, e não são duas sessões de treinos livres suficientes para deixá-lo à vontade, ainda que ele adore Spa. Se conseguir andar à frente do sueco Marcus Ericsson (ele sim não faria grande falta…), terá sido uma façanha e tanto… Se não for sonhar demais (mesmo porque é difícil que a Audi abra mão de um de seus hotshoes), que tenhamos em 2015 Lotterer e Kobayashi, quem sabe?

Onde há fumaça, há fogo…

Menos de uma semana depois de a Red Bull garantir os préstimos de Max Verstappen, também conhecido como filho de Jos, não dá para dizer que é exatamente uma surpresa sua efetivação como titular da Toro Rosso em 2015, tornando-se assim o mais jovem piloto da história a estrear no circo e batendo a marca de Jaime Alguersuari – será o primeiro em mais de seis décadas a fazê-lo sem idade para dirigir nas ruas, vejam só. Mas é uma consequência natural do que expliquei no post anterior (“Baby boom nas pistas”). Talvez menos pela idade que, a bem da verdade, assusta, mas pelo fato de que muito simulador e a orientação correta valem hoje tanto ou mais do que a passagem pela GP3, GP2 ou Renault World Series. A atual geração de prodígios não tem qualquer medo ao dar saltos como os do kart à F-3 e dela à F-1 – além de tudo fica muito mais barato, pois se economiza anos e anos de preparação nas categorias de formação.

Por outro lado, a longo prazo, é quase uma sentença de morte para as séries de suporte à F-1, especialmente a GP2. De que adianta pagar US$ 2 milhões por ano para se “aclimatar” às trocas de pneus, à cavalaria abundante e aos procedimentos típicos da F-1, se aparece um menino capaz de queimar todas as etapas e dispensar tamanho investimento? Só me estranha o fato de o holandesinho de 16 anos ser “apenas” o vice-líder do Europeu de F-3 – o francês Esteban Ocon, embora tenha feito trajetória mais convencional, tem, na teoria, a mesma condição de fazer bonito, e também o italiano Antonio Fuoco, protegido da Ferrari, ou seu compatriota e xará Antonio Giovinazzi. Alguém duvida que Max Verstappen, quando de seus primeiros treinos oficiais, em Melbourne, ano que vem, vai se sentir um peixe dentro d’água de cara, com tempos competitivos e tranquilidade de veterano? Volto a dizer que alguns aspectos da formação do filho de Jos me incomodam, especialmente se for verdade (e parece que é) que o pai foi excessivamente agressivo e manteve a disciplina do herdeiro na base dos gritos e coisa pior. O grande teste não será mostrar maturidade para domar 750cv, Kers, ERS e outras coisas mais. O desafio será, pela primeira vez, lidar com um ambiente bem menos “amável” que o familiar, em que tudo era do bom e do melhor; encarar possíveis críticas dos adversários e lidar com a rivalidade de um certo Daniil Kvyat que chegou com 20 anos nas costas, mas sem alarde cavou seu posto com merecimento.

Só para descontrair, um conselho aos pais: arranjem alguma coisa motorizada para seus pequenos com dois, ou três anos de idade, que o velocípede só não basta. Se o sonho é ter um piloto de ponta na família, melhor treinar muito, e desde cedo…

Agenda animada na telinha e fora dela…

Depois da relativa penúria da semana passada, e ainda à espera que a F-1 conclua as já tradicionais férias e retorne no que é um dos palcos sagrados do automobilismo mundial (Spa-Francorchamps), a agenda da velocidade no fim de semana está mais do que razoável. Parece mentira, mas alguns campeonatos começam a entrar em fase decisiva (a Indy acima de tudo), enquanto outros, como a Moto GP, diante da dominação insolente de Marc Márquez na categoria-rainha, também não demorarão muito até terem sua situação definida. Por aqui, emoção com a Stock Car em Cascavel e a F-Truck em Santa Cruz do Sul…

Internacional

Mundial de Motociclismo: 11ª etapa – GP da República Tcheca (Brno)

DTM: nona etapa – Nurburgring

Auto GP: sétima etapa – Nurburgring

Europeu de F-3: sétima etapa – Nurburgring

Verizon Indycar Series: 13 etapa – GP de Michigan

Nascar Sprint Cup: 22ª etapa – Pure Michigan 400 (Michigan Speedway)

Nascar Nationwide Series: 21ª etapa – Nations Children Hospital 200 (Mid-Ohio)

Nascar Camping World Truck Series: 12ª etapa – Careers for Veterans 200 (Michigan Speedway)

Sul-americano de F-4: terceira etapa – El Pinar (URU)

Europeu de Rali: Barum Rally Zlin (TCH)

Nacional

Brasileiro de Stock Car: sexta etapa – Cascavel (* rodada dupla)

Brasileiro de Turismo: oitava etapa – Cascavel

Brasileiro de F-Truck: sexta etapa – Santa Cruz do Sul (RS)

Copa São Paulo Light de Kart: sexta etapa – Granja Viana

Na telinha

Sábado (16)

8h25   Motociclismo: GP da República Tcheca (treinos oficiais)          Sportv 2

13h30 Nascar Camping World Truck Series: etapa de Michigan         Fox Sports 2 

14h     Brasileiro de Stock Car: etapa de Cascavel (treino oficial)       Sportv

15h     Nascar Nationwide: etapa de Mid-Ohio                                  Fox Sports 2

Domingo (17)

7h15  Motociclismo: GP da República Tcheca (treinos oficiais)          Sportv 2

11h    Brasileiro de Stock Car: Cascavel (rodada dupla)                      Sportv

13h    Brasileiro de F-Truck: Santa Cruz do Sul                                   Band

14h    Nascar Sprint Cup: Michigan                                                    Fox Sports 2

14h30 Brasileiro de Turismo: Cascavel                                                Rede TV

Baby boom nas pistas…

Houve um tempo, no século passado (literalmente) em que a coluna Sexta Marcha era publicada durante a semana no Estado de Minas. E num dos vários textos publicados, eu brincava com a tendência das principais equipes do automobilismo mundial de apostar em pilotos cada vez mais jovens – lembremos que foi muito antes de fenômenos como os de Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Eu dizia que chegaria a hora em que os olheiros das escuderias passariam a procurar por talentos já na maternidade.

Não chega a tanto, mas o fenômeno ganha agora outra feição. E o melhor exemplo, depois do russo Daniil Kyvat, que ninguém mais questiona (muita gente duvidou que ele estivesse maduro o suficiente para saltar da GP3 à F-1), vem novamente da empresa de bebidas energéticas do touro vermelho. A Red Bull gastou mundos e fundos para pagar a rescisão do contrato do holandês Max Verstappen, de 16 anos, com a McLaren – Doktor Helmut Marko esteve pessoalmente no Red Bull Ring, durante etapa do DTM e do Europeu de F-3, para negociar com o filho de Jos, que até o ano passado andava de kart e, agora, se vê muito próximo da F-1, em coisa de um ou dois anos – aliás, diga-se de passagem, que nenhum pai repita o que faz o ex-piloto da Benetton com o herdeiro. Eu vi, na pista, por duas ocasiões, uma cobrança absurda, e muita gente garante que a coisa funciona na base dos tapas, o que eu não posso confirmar.

Voltando ao touro vermelho frio (deixemos a coitada da vaca em paz), sou do tempo em que o caminho até o circo era marcado pelo começo nos monopostos com, pelo menos, 17 anos, e a passagem por F-Ford, dela para a 2000 ou a Renault; F-3, F-3000/GP2/Renault World Series e, para os sortudos eleitos, a F-1. E o habitual era a história de dois anos por categoria – um para aprender, outro para vencer.

Goste-se ou não, isso não existe mais, ou pelo menos não precisa existir. A geração atual convive desde pequena com a telemetria, no kart, treina absurdamente mais, compete muito e, quando bem orientada, consegue dar o salto que Verstappen Júnior deu, direto para a F-3 e, dela, para coisa ainda maior. E nem dá para condenar pais, orientadores e os próprios pilotos. Se não há dificuldade em saltar de 30 para 240cv, realmente de nada adianta tentar na F-Júnior, F-4 ou outras categorias de acesso. Mesmo porque o dinheiro muitas vezes é curto, e quanto menos tempo até o topo, melhor. Só não pode se tornar padrão – querer que todos os aspirantes a campeão sejam tão eficientes a ponto de dispensar as etapas intermediárias. Ou muita gente boa vai se perder sem mostrar do que realmente é capaz…