Fórmulas do vale-tudo…

Até o começo da década de 1980 era comum a disputa de provas extra-campeonato de Fórmula 1, especialmente na Inglaterra, com a Série Aurora AFX, em que equipes desejosas de testas as novas máquinas e times privados com carros dos anos anteriores batiam rodas, muitas vezes consagrando pilotos que não tiveram a sorte de vingar no circo. Na África do Sul chegou a haver um campeonato próprio, no mesmo espírito, e os principais pilotos (Eddie Keizan, Ian Scheckter, irmão de Jody) reforçavam o grid quando da visita do Mundial a Kyalami. E no Motor Show de Bolonha (Itália), uma pista curtinha montada no estacionamento recebia, até os anos 1990, duelos envolvendo os times sediados no país – tínhamos Minardi, Dallara BMS, Coloni/Andrea Moda, Osella/Fondmetal, EuroBrun, Life – e mesmo algumas visitantes, como Lotus, Onyx e Rial, fazendo a festa do público. Com o encolhimento da categoria, restaram exibições da Ferrari e da Toro Rosso, mas nada competitivo.

Imagine você agora se, além de ver máquinas da F-1 em ação brigando pela vitória, fosse possível reunir ainda carros da ChampCar, da GP2, da Renault World Series 3.5 e mesmo da finada F-3000? Pois não é necessário imaginar, isso existe, e agora em dose dupla. Felizmente muita gente acha (e eu concordo) que o melhor lugar para carros tão especiais é na pista, mais do que num museu ou coleção particular.

O fenômeno começou na Inglaterra, de onde veio o nome da principal série: Boss, que nada mais é do que “Battle of Single Seaters” – aliás, antes havia a F-Libre (assim mesmo, em espanhol), no que também valia praticamente tudo com muitos cavalos. Para facilitar as coisas, motores e outros equipamentos não precisam ser os originais (muitos propulsores desapareceram do mercado). O campeonato deu uma enfraquecida e, graças ao empenho do holandês Klaas Zwart, idealizador do protótipo Ascari A410 (que por sua vez partia de um chassi Lola T92/10), ganhou nova linfa, agora como campeonato oficial FIA, com base em San Marino, cuja federação tem como presidente de honra um certo Jean Todt.

É lógico que a grande maioria dos inscritos é gente com condição financeira mais do que privilegiada, com a vida feita e que quer curtir o prazer de domar estes monstros. Mas tem muito piloto com trajetória bastante razoável; ou outros que aproveitam as corridas para testar o equipamento que será usado, por exemplo, em provas de subida de montanha. E nessa brincadeira os grids são mais do que interessantes, em pistas como Hockenheim, Monza, Mugello, Imola, Brno, Paul Ricard, Zandvoort e Spielberg – a volta mais rápida em Mugello bateu os 198 km/h, para mostrar que não é brincadeira.

Neste ano surgiu, por iniciativa de uma equipe francesa, uma série que não pode se considerar concorrente, tanto assim que a prova no circuito próximo a Florença, de propriedade da Ferrari, valeu pelos dois campeonatos: o XL Formula. Proposta igual, sistema de disputa igual, regulamento igual… e muita diversão. E pensar que, embora não haja atualmente em ação, nada impede que monopostos da Indy, Indy Lights, F-Nippon, A1GP ou F-Superleague se juntem à festa – lógico que divididos em categorias específicas para a disputa não ficar desigual. É ou não é sensacional?

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