Para quem não leu… uma matéria que é pura emoção…

Quem acha que o jornalista deve ser frio e não se envolver com as histórias que testemunha e conta precisa urgentemente rever seus conceitos. Quando você escreve sobre homens e mulheres, pilotos, engenheiros, ou mesmo “apenas” apaixonados por um esporte, espera falar de coisas boas, acompanhar vitórias nas pistas e na vida, ver limites, desafios superados e muitas vezes uma lógica cruel revertida. Como no caso do menino que não teria dinheiro para se aventurar no automobilismo e no motociclismo, mas insiste e vinga.

Por essas e outras que o texto que eu reproduzo aqui, com direito a imagem da página do Estado de Minas, trouxe emoção especial também a mim. Porque é a história de um dos mais vitoriosos pilotos do motociclismo brasileiro que, num dia de novembro de 2012, nos desertos da Califórnia, se preparava para disputar o Rali Dacar como piloto oficial da Honda, um privilégio de pouquíssimos, e sofreu um acidente gravíssimo, de prognósticos bastante pessimistas. Pois esse cara, que talvez não mais andasse, resolveu mostrar toda a sua força numa recuperação demorada, doída, mas vencedora. E há uma semana finalmente teve a chance de subir em uma moto, reencontrar o que era quase uma extensão do corpo, para viver sensações dignas de criança com brinquedo novo, aquele brinquedo dos sonhos. Por essas e outras é que, se você não leu, vale ler a última experiência de Felipe Zanol, esperada, sonhada não só por ele, mas por muita gente que torceu, rezou, mandou energia positiva…

Um reencontro de pura emoção

Rodrigo Gini

Vitória no Rali dos Sertões, octacampeonato brasileiro de enduro,

bicampeonato português e a medalha de ouro nos Seis Dias Internacionais

de Enduro do Chile’2007. Tudo isso se tornou secundário diante do que o

mineiro Felipe Zanol enfrentou a partir de novembro de 2012, quando

treinava para sua segunda participação no Rali Dacar, com a equipe oficial

da Honda, no deserto norte-americano de Mojave. Mais do que a chance de

brigar pelo pódio na mais desafiadora maratona do esporte motor, o que

estava em risco a partir da queda era a própria vida, e tinha início uma luta

mais difícil do que qualquer prova sobre duas rodas.

Uma trajetória de exercícios, reabilitação, muito cuidado para evitar todo

tipo de sequela e pequenas vitórias cotidianos – o convívio com os amigos e incenti-

vadores, que foram pródigos em apoio e energia positiva, as primeiras ped-

aladas e treinos de ciclismo, a volta ao meio do motociclismo, inicialmente

como consultor, agora como chefe de um time de enduro que leva seu

nome e instrutor.

Disciplinado, um dos maiores nomes da modalidade no

país deixou de lado qualquer preocupação em voltar a competir e passou a

saborear as conquistas de um processo longo, consciente de que a vitória

mais importante não teve pódio ou troféu.

Talvez por isso a experiência desta semana tenha sido tão marcante.

Liberado pelos médicos, com o corpo e a alma recuperados, o piloto de 33

anos voltou a subir numa moto e encarar uma trilha, não como desafio ou

na tentativa de provar alguma coisa, mas para sentir de novo uma emoção

antes tão comum. Um passeio em torno do Retiro das Pedras, em Nova

Lima, que tantas vezes foi local de treino.

“Eu tirei um caminhão de dúvidas das costas. Os médicos norte-ameri-

canos não tinham certeza, no início, que voltaria a caminhar por conta

própria. E fui superando cada fase do tratamento, reconquistando a liber-

dade. Não tinha obsessão por voltar a pilotar, mas lógico que, se pudesse,

adoraria viver de novo a experiência. E não só consegui, como encarei as

pedras da trilha numa boa. Quem me vê hoje pode até achar que nada acon-

teceu comigo. Meu pai, Jacy, tem 80 anos e continua andando de moto, é

uma vitória viver isso de novo.”

Futuro

Diante do que ficou para trás, a pergunta é inevitável: o que representa na

verdade o “#zanolvoltou”, postado com orgulho nas redes sociais? “Ainda

não pensei nisso, mas sinceramente não acredito em voltar a competir, a

acelerar. O que quero é me sentir bem. Se andar de moto me ajudar na

minha recuperação, então vou andar todos os dias. Mas o mais legal é poder

dar as aulas do meu curso mostrando na prática como se faz; orientar os

pilotos da equipe, andar com eles. Já está ótimo.”

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