Mais um alemão no circo: quando a justiça é injusta…

Houve um tempo, não muito distante (tá certo, eu adoro começar posts assim) em que, de repente, num meio de temporada, aparecia um piloto com a mala cheia de dólares e tomava o posto de um titular no Mundial de F-1, para o alívio de times médios ou nanicos em dificuldades financeiras. Foi assim que nomes como Giovanni Lavaggi, Zsolt Baumgartner, Tomas Enge ou Robert Doornbos ganharam seus 15 minutos de fama – nada contra os três, que até tiveram trajetórias razoáveis fora do circo – e outros como Antonio Pizzonia, Vitantonio Liuzzi ou Anthony Davidson tiveram a chance de mostrar serviço. Quem sai é obrigado a entender e procurar novos horizontes ou, na melhor das hipóteses, ganha uma chance para retornar mais tarde. E quem entra tenta aproveitar cada minuto do sonho, ainda que seja difícil fazer milagre nestas circunstâncias.

Pois o fim de semana da F-1 na Bélgica, encerrando as já habituais férias da categoria, traz uma situação pouco comum: um craque que tem sua primeira chance, no lugar de outro igualmente talentoso. Porque se há algo que não se pode dizer sobre a oportunidade dada a Andre Lotterer é de que se trata do caso do piloto com a mala cheia.

Depois de ser um dos vários reservas da Jaguar (tem tempo…), o alemão criado na Bélgica que fala um francês impecável e atualmente radicado no Japão certamente já tinha deixado de lado qualquer esperança de um dia… tanto assim que não pensou duas vezes ao ser chamado pela Audi para fazer parte de sua armada nas provas de endurance. Ao lado de Benoit Tréluyer e Marcel Fässler, venceu três vezes as 24h de Le Mans e foi campeão mundial de endurance em 2012 – o detalhe é que Lotterer sempre foi o responsável pela classificação, que exige coragem e talento absurdos. Ainda foi campeão da F-Nippon e disputou uma etapa pela defunta ChampCar. Alguém em sã consciência diria que é injusto?

O problema – e vários internautas já disseram isso – é que aquele a ser substituído, Kamui Kobayashi, mais do que merece continuar na F-1. Basta ver o que disse Sergio Pérez sobre a primeira temporada na Sauber e de como aprendeu com o nipônico. Kamui-San é o tipo de piloto que ganha carisma muito além dos resultados e se torna motivo de alegria geral quando consegue feitos como o pódio em Suzuka’2012, insuficiente para garantir um cockpit no ano seguinte. Tem feito das tripas coração com a Caterham e, ao menos por enquanto, verá as corridas dos boxes – deve voltar ao menos em casa.

         Caterham F1/divulgação

E é praticamente impossível esperar que Lotterer faça algo decente diante das circunstâncias. Por mais que haja simuladores, capacidade de adaptação e improvisação, um F-1 é um animal único, e não são duas sessões de treinos livres suficientes para deixá-lo à vontade, ainda que ele adore Spa. Se conseguir andar à frente do sueco Marcus Ericsson (ele sim não faria grande falta…), terá sido uma façanha e tanto… Se não for sonhar demais (mesmo porque é difícil que a Audi abra mão de um de seus hotshoes), que tenhamos em 2015 Lotterer e Kobayashi, quem sabe?

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