Maturidade zero – Coluna Sexta Marcha (GP da Bélgica)

*** Ao longo de 24 horas muita coisa acontece, muito se diz e se especula, explicações são dadas e questionadas, e talvez algo do que escrevi possa não estar tão atual diante do que já se falou sobre o toque entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton em Spa-Francorchamps. Talvez não seja o caso de falar em intencionalidade, talvez não seja o caso de considerar o alemão um vilão e o inglês um santo, mas o mínimo que dá para acrescentar é foi descabida a tentativa de passar ali, e naquele momento. E que é muito mais fácil deixar o carro escorregar quando se tem vantagem na classificação, e o toque é da sua asa com o pneu do outro, e não o contrário. E não há elementos para uma punição por parte da FIA, mas é bom ficar de olho no que pode vir pela frente. O rádio da Mercedes vai esquentar e com certeza se tornará o foco das atenções. E cada ordem ou orientação vindas de Toto Wolff, Paddy Lowe ou Niki Lauda será alvo de questionamentos, de suspeitas. Pegou mal para a Mercedes, pegou mal para a F-1, pegou mal principalmente para Rosberg, que superou a linha tênue do que é guerra psicológica e o que é deslealdade…

Maturidade zeroEu não queria estar na pele de Lewis Carl Hamilton. Tudo bem, você tem o melhor carro do grid, descobre que, apesar da reação dos rivais, dificilmente os títulos mundiais deixarão de ficar com sua equipe, mas começa o campeonato com um abandono, na Austrália, rema feito um condenado para conseguir recuperar a desvantagem, aí abandona no Canadá com o sistema de recuperação de energia em frangalhos. E, na Alemanha, sofre com os problemas nos treinos que o obrigam a largar em 20° – ainda assim, recebe a bandeirada em terceiro.

Chega a Spa-Francorchamps, sonho de qualquer piloto que se preza, alega falhas nos freios para não ser tão rápido quanto o companheiro (e pode ser jogo de cena), mas se recupera com uma largada digna de manual, para ser abalroado por Nico Rosberg quando nada mais parecia separá-lo de uma vitória consagradora. Nem é o caso de lembrar da edição de 2008, quando recebeu a bandeirada em primeiro, mas acabou punido por ter cortado caminho e Felipe Massa herdou o triunfo.

Porque se há algo que não pode ser dito do nativo de Stevenage, melhor do mundo em 2008, é que gosta de briguinhas de bastidores ou de duelos de palavras fora das pistas. E pode ser um piloto muito duro, mas costuma encarar as disputas com lealdade. E ao ver a outra Flecha de Prata se aproximar, terá pensado no sensacional duelo do Barein, quando as asas passaram a milésimos de milímetros umas das outras e a dupla chegou intacta ao fim, no que se tornou exemplo de briga justa, limpa e correta. Principalmente porque, na Bélgica, passar é uma tarefa bem menos crítica, mesmo que a um carro igual ao seu. Sem contar que haveria quarenta e tantas voltas para se tentar, não era o caso de comprometer tudo tão cedo.

Se, ainda por cima, o líder do campeonato admite, ao descer do carro, que tocou deliberadamente o companheiro para “lhe dar uma lição”, aí mesmo é que a coisa está feia. Até agora louvado pela maturidade, pela frieza com que tem encarado o ano que pode ser o de sua consagração, o filho de Keke Rosberg conseguiu estragar tudo de bom que fez no espaço de segundos. Mostrou um comportamento de menino mimado que faz lembrar com saudade dos duelos Senna x Prost em 1989 e 1990, ambos incluindo acidentes e manobras discutíveis. Coisa de gente grande, de pilotos com P maiúsculo. E tão condenável que mesmo Toto Wolff e Niki Lauda não tiveram alternativa a não ser manifestar seu desagrado publicamente. Nada de panos quentes. Enquanto a F-1 prepara um menino de 16 anos para estrear, outro bastante mais velho quis lembrar os tempos de kart, em que este tipo de escaramuça é mais do que normal. Devia ser punido inclusive por colocar a vida de um colega de profissão potencialmente em risco. E se for campeão, terá manchado boa parte do merecimento…

“Meu carro é mais rápido”

Qualquer piloto que guia um F-1 pela primeira vez ou depois de muito tempo costuma ficar impressionado pela eficiência dos freios e pela absurda aderência, que permite fazer curvas em velocidades alucinantes. Não foi o caso do alemão Andre Lotterer, que estreou pela Caterham e, se saiu já na primeira volta da corrida, teve quatro sessões de treinos para se acostumar. Tricampeão das 24h de Le Mans, ele admitiu que esperava mais do carro. “Lógico que a potência é imensa, mas a aderência é muito mais crítica do que eu esperava. É preciso esperar a hora certa de reacelerar na saida de curva. Tenho certeza que consigo ser mais rápido em algumas delas com o protótipo”, comentou, referindo-se à Audi R18 que comanda habitualmente.


Nem tudo está perdido

Vitórias de Felipe Nasr na segunda corrida da GP2, também em Spa, e de João Paulo de Oliveira na Superformula japonesa, em Motegi. Felizmente o verde-amarelo ainda tremula pelos pódios do mundo…

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