Um GP em três atos (Coluna Sexta Marcha – GP da Itália)

Chegou a coluna sobre um GP que parecia ter destino definido desde sempre (ou ao menos desde a bobagem de Nico Rosberg em Spa e seu pseudo arrependimento). Só que a largada não saiu como o previsto e… bom, melhor ler logo abaixo. O mais interessante que não chegou a ser publicado na versão impressa, publicada no Estado de Minas, foi o episódio envolvendo Kevin Magnussen e Valtteri Bottas – até mesmo a Red Bull, que não tinha a ver com a história, considerou a punição ao dinamarquês excessiva. No mais, sempre bom ver um pódio de Felipe Massa, como que a mostrar que nem tudo está perdido…

Um GP em três atos

Respeitável público… (não estamos falando do circo?). Eis que, se o Grande Prêmio da Itália fosse, por exemplo, um roteiro de filme, ou peça de teatro, poderia ser dividido em três atos, com personagens distintos, que, à sua forma, contaram o que se passou ao longo das 53 voltas pelo templo da velocidade.

1º ato

O leitor pode achar que se trata de ficção, mas nada me tira da cabeça que o resultado de ontem estava escrito há, pelo menos, uma semana, e sem qualquer intervenção da cúpula da Mercedes. Ponha-se no lugar de Nico Rosberg depois do que houve em Spa-Francorchamps. Você está sob o foco dos refletores, ouviu (e muito) da equipe e, ainda que não tenha dito algo do gênero “fiz de propósito para ele que recebesse uma lição”, se viu obrigado a pedir desculpas. E liderava o Mundial com 29 pontos de vantagem, não perderia tanto caso fosse o segundo com o companheiro à frente. Até para esfriar a polêmica, uma corrida mais discreta seria o ideal.

O script estava desenhado, mas não foi cumprido à risca pelo sistema de largada do carro de Hamilton, que resolveu entrar em pane nos primeiros metros. Fosse outro traçado e a corrida poderia estar comprometida. Como foi, não demorou muito para que ele retomasse o segundo lugar e fosse ajudado pelos problemas nos freios do carro do alemão ao fim da reta dos boxes. Tudo bem, não cheguemos à teoria da conspiração, mas seria um modo bastante inteligente de voltar as coisas aos lugares planejados. Tanto mais que não se manifestou em outras freadas fortes. “Pressão de Hamilton”? Uma justificativa boa para o comunicado oficial de imprensa, não mais do que isso.

2º ato

Entra em cena Felipe Massa, de contrato renovado para 2015 e na condição de pára-raio de todo e qualquer tipo de incidente de corrida. Alvo de Kobayashi e Räikkönen, dos problemas em pitstops, do pedaço de fibra de carbono que entrou sob o assoalho – tudo isso enquanto o iluminando colega de equipe vive seu momento de estrela, acumulando pódios e ótimos desempenhos. Bem verdade que a pole na Áustria foi uma prova de força, mas era hora de afastar as nuvens da cabeça. E nada melhor que um desempenho impecável numa pista especial, quando foi a vez de Valtteri Bottas mostrar que também é humano e errar. Era mais do que esperado e foi mais que merecido, numa circunstância para o piloto estranha, mas que acaba sendo saborosa: superado Kevin Magnussen e perdida a posição para Hamilton, Felipe fez uma “simulação de corrida”: andou sozinho o tempo todo, pôde se concentrar e conduzir o equipamento da melhor forma. Tanto assim que não sofreu com o habitual problema de desgaste dos pneus (especialmente os mais duros, tais como os usados ontem) – impressionante como a borracha resistiu praticamente intacta. Tomara que esta seja a toada nas seis corridas restantes, especialmente porque, em condições normais, ser terceiro atrás das Mercedes é ser o vencedor entre os terráqueos.

3º ato

Sob protesto, e com mais motivos para vergonha do que para orgulho, está em ação a Ferrari, pálida imagem do que já foi, mesmo em tempos recentes. Mesmo nos anos em que pouco havia a fazer, Monza era como um bálsamo, um território onde todos os sonhos se tornavam possíveis – tanto assim que o time fez dobradinha em 1988, quando Ayrton Senna e Alain Prost duelavam à parte e ficaram pelo caminho. Torcida nunca fez um carro andar mais rápido, mas o clima favorecia milagres ou meios milagres.

Triste por isso ver dois carros sem velocidade de reta, desequilibrados nas curvas e condenados ao papel de coadjuvantes, ao menos (no caso de Alonso), enquanto o ERS não fez das suas (foto). Mesmo o sempre batalhador Räikkönen pouco pôde fazer, e não há nada que diga que a situação pode melhorar a partir de Cingapura. Pelo visto voltaram os tempos de casa da mãe Joana, em que muitos mandavam, davam palpites, e ninguém resolvia. Stefano Domenicali e Luca Marmorini já rodaram e, apesar dos desmentidos, nada impede que o capo Luca di Montezemolo seja conduzido a outros postos no grupo (ou fora dele). Para quem, há pouco tempo, falava em “estabilidade dinâmica”…

Será?

R$ 54 milhões

Segundo a imprensa finlandesa, é do que disporia o brasiliense Felipe Nasr em patrocínio para garantir seu cockpit em 2015. Se for verdade, chama a atenção por ser um valor desmesurado, fora da realidade mesmo da F-1. E seria o caso de perguntar, mais até a seu empresário, Steve Robertson, ex-piloto, qual o segredo, em tempos de recessão e cofres fechados em boa parte do mundo.

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